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  • Especialista em marketing desportivo e diretor executivo do IPAM, Daniel Sá tem-se habituado a olhar para as grandes figuras do desporto como marcas. Presença assídua nos media nacionais e internacionais, e autor de vários livros sobre o tema, afirma que “Michael Jordan, no mercado americano, e David Beckham, na Europa, abriram a porta aos jogadores enquanto marcas globais”.

    Em relação aos treinadores, não tem dúvidas: “Mourinho foi o primeiro treinador superstar.” Sobre Cristiano Ronaldo, e ao contrário da opinião generalizada, defende que a ida para a Arábia Saudita ou a recente visita à Casa Branca — onde esteve com Donald Trump —, apesar de muita contestação, não tiveram qualquer impacto negativo: “É uma marca que continua a crescer e já pouco precisa do futebol jogado”, revela.

    Daniel Sá divide Ronaldo em quatro dimensões: “Há o jogador, depois vem o atleta que participa em publicidades, segue-se o influencer e, hoje, temos a fase do investidor. A marca atualmente vive mais destes três ‘Ronaldos’ do que daquele que está dentro do campo.”

    Sobre a permanência de Ronaldo na Seleção Nacional, Daniel Sá não entra na conversa dos adeptos, mas fala como marketeer: “Por mim, Ronaldo jogava na Seleção até aos 80 anos. Em termos de contratos, prémios, direitos televisivos, a Seleção vale muito mais por ter Ronaldo. É assim há muito tempo. Ele tem alimentado a Seleção nesse sentido.”

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  • Passou por clubes como Benfica, FC Porto, Belenenses, Vitória de Setúbal, Santa Clara ou Académica e representou a seleção nas camadas jovens, incluindo o Mundial de sub-20. Após a carreira, teve uma breve incursão no imobiliário e não previa voltar ao futebol. Mas tudo mudou com um convite da SportTV para comentar salários em atraso — tema que conhecia bem. A experiência correu bem e a televisão tornou-se caminho sério. Após 17 anos como comentador na SportTV, juntou-se à equipa de análise desportiva da SIC Notícias.

    Durante a carreira, viveu episódios marcantes. No Benfica, confrontou um jornalista que o culpou por um golo sofrido... quando já nem estava em campo. “Já tinha sido substituído. Pensei que ele era maluco ou mau caráter.” Passado algum tempo, encontrou-o e abordou-o:“Perguntei se tinha algo contra mim. Ele respondeu: ‘Não, tenho muita admiração por si.’ Quando dizem isso, normalmente é mentira. Era daqueles que criticava sem avaliar.”

    Até ao final de 2025, a SIC Notícias recupera os episódios mais ouvidos do ano de ‘Ontem Já Era Tarde’. Recorde aqui as histórias do antigo defesa do Benfica.

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  • É uma história que Ricardo Araújo Pereira já contou várias vezes, mas que continua a guardar como um dos momentos mais marcantes da sua vida. Certo dia, enquanto seguia de carro com os pais, viu Eusébio a tentar apanhar um táxi. Pediu ao pai que parasse e dirigiu-se ao antigo jogador para lhe oferecer boleia.

    “Ele estava com dificuldades em apanhar um táxi porque iam todos ocupados. É logo algo que não faz sentido. Se o Eusébio quer um táxi, a outra pessoa tem de sair e deixá-lo entrar. É isso que faz sentido”, recorda.

    Eusébio aceitou o convite. Tinha de chegar ao aeroporto de Lisboa, de onde o Benfica partiria para um estágio. “Eu não conseguia falar. Estava perto de uma divindade. Mas os meus pais, que não são crentes, foram sempre a falar com ele”, conta, entre risos.

    Durante a viagem, o pai de Ricardo contou um episódio curioso: certo dia, numa piscina onde se encontravam vários jogadores do Benfica, teve uma cãibra dentro de água. Foi Eusébio quem o retirou da piscina e lhe deu uma picada no músculo para aliviar a dor. “E o Eusébio, muito simpaticamente: ‘Então não me lembro?’ Eu, sempre calado.”

    No dia seguinte, o jornal A Bola noticiava que Eusébio tinha sido o único a chegar a horas ao aeroporto, referindo apenas que “se deslocou por meios próprios”. “Era como se o carro do meu pai tivesse sido nacionalizado e dado ao Eusébio — o que acho bem e lícito”, comenta com humor.

    Hoje, guarda uma imagem desse ídolo sempre por perto. No fundo do telemóvel, está uma fotografia de Eusébio com a camisola do Benfica. “O Eusébio está impecável em todas as fotos. Às vezes perguntam-me: ‘Então tens uma foto do Eusébio em vez de teres das tuas filhas?’ E sou obrigado a responder: ‘As minhas filhas não marcaram um golo pelo Benfica.’”

     

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  • Ricardo Sá Pinto é um daqueles jogadores que deixa marca nos adeptos do Sporting. Uma ligação emocional que resiste ao tempo. Contratado ao Salgueiros na época 1994/95, criou desde logo um vínculo especial com as bancadas de Alvalade. Um laço tão forte que ainda hoje lhe vale a alcunha de “Coração de Leão”.

    Mais tarde, transferiu-se para a Real Sociedad e, após três épocas em Espanha, teve nova oportunidade de regressar ao clube do coração. “Voltei com aquela vontade de ganhar um campeonato e jogar uma Champions pelo Sporting. Consegui ambas”, recorda.

    Mas apenas 15 dias depois de assinar novamente pelos leões, no verão de 2000, surgiu uma proposta que poucos recusariam: “Os dirigentes do Sporting na altura podem confirmar. O Real Madrid quis contratar-me e estava nas minhas mãos.” Sá Pinto tinha dado nas vistas na liga espanhola. Especialmente num jogo em que deixou Roberto Carlos, um dos melhores laterais-esquerdos da história, em agonia. O Real não ficou indiferente. Florentino Pérez, já então presidente dos merengues, chegou a afirmar publicamente que faltava pouco para que Sá Pinto se juntasse a Luís Figo, o primeiro galáctico da sua era. E Figo também fez pressão para voltar a ter Sá Pinto ao seu lado. Ambos tinham sido colegas nos leões e passaram muitos anos a jogar lado a lado na Seleção Nacional.

    Mas o negócio não se concretizou. “O Sporting seria ressarcido em dinheiro e com jogadores. Se eu quisesse sair, tinha saído. Mas, por incrível que pareça, disse não ao Real Madrid. Tinha acabado de voltar ao meu clube e trair o Sporting não é a minha forma de estar.”

    Sá Pinto admite que a decisão não foi fácil e garante que, se estivesse noutro clube estrangeiro, talvez não hesitasse. Mas o sportinguismo falou mais alto.

    A escolha acabou por ser recompensada. Em 2001/2002, já em Alvalade, foi peça importante na equipa que conquistou o título nacional, orientada pelo romeno Lazslo Boloni, e ao lado de nomes como Schmeichel, João Vieira Pinto ou Jardel — que lhe tinha escapado na primeira passagem pelo clube.

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  • Filho de um árbitro, Artur Soares Dias cresceu a acompanhar o pai nos estádios, habituou-se cedo ao ambiente do futebol e conheceu, desde jovem, tanto o lado fascinante como as dificuldades da profissão. Nada disso o demoveu — nem sequer os avisos do próprio pai, que procurou dissuadi-lo de seguir o mesmo caminho.

    Ainda na adolescência, inscreveu-se no curso de arbitragem e iniciou um percurso que o levou a subir, etapa a etapa, todos os escalões. Hoje, é considerado um dos árbitros mais conceituados do país e uma das referências internacionais da sua geração.

    Ao longo da carreira, dirigiu inúmeros grandes jogos em Portugal, incluindo clássicos e dérbis, e somou momentos marcantes no plano internacional. Entre eles, destacam-se a presença no Euro 2024, a final da Conference League desse mesmo ano entre Olympiacos e Fiorentina, e a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões 2022/23, que colocou opôs Real Madrid a Manchester City.

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  • “O 6-3 é o jogo da minha vida. As pessoas ainda perguntam umas às outras onde estavam naquele dia. É quase como o 25 de Abril”

    João Vieira Pinto recorda a época 93/94 e o jogo que marcou a fase final da luta pelo título entre Benfica e Sporting. As duas equipas estavam separadas por um ponto, com vantagem para o Benfica. O encontro em Alvalade ficaria na história.

    O antigo internacional descreve o arranque da partida. “Eles vinham na fase ascendente e o início do jogo foi muito difícil para nós. Até ao meu golo. E estivemos a perder por duas vezes.”

    O Benfica venceu por 6-3, com três golos de João Vieira Pinto na primeira parte e duas assistências na segunda. O resultado deixou a equipa mais perto do campeonato que viria a conquistar.

    O antigo avançado, conhecido como “Menino de Ouro”, não tem dúvidas sobre o significado daquele momento. “Claro que o 6-3 é o jogo da minha vida. As pessoas

    ainda perguntam umas às outras onde estavam naquele dia. É quase como fazem no 25 de Abril [risos].”

    Depois do jogo, João Vieira Pinto saiu de Alvalade e conduziu até ao Algarve. “Tinha lá a minha família e amigos. Fui sozinho, no meu Rover, numa altura em que ainda não havia muita autoestrada. Foi uma viagem longa e ia a pensar naquilo tudo. No que tinha acabado de acontecer no jogo.”

    Quando chegou ao Algarve encontrou um grupo de familiares e amigos numa discoteca. “Foi giro. Depois dos 6-3 eu podia ir a qualquer lado. Só não sabia é que estava lá aquela festa toda, com tanta gente, à minha espera.”

    O jogador recorda aquele dia como um dos mais marcantes da carreira.

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  • O presidente do Benfica, Rui Costa, defende que o clube hoje está melhor do que aquele que herdou há quatro anos, quando o anterior presidente Luís Filipe Vieira deixou o cargo. Mas Vieira não concorda e apresenta números que, segundo ele, desmentem o atual dirigente.

    “É notório que o Benfica está muito pior e os números assim o mostram. Mas compreendo que o Rui diga isso, porque alguém o mandou dizer, já que ele não tem capacidade para analisar as contas”, afirmou.

    O antigo presidente explica: “Deixámos o Benfica com uma dívida de 100M€ de euros, bastante controlável, e com um passivo de cerca de 370M€. Neste período, com Rui Costa, o clube teve receitas muito superiores às que tivemos, e por isso não havia qualquer razão para que a dívida subisse mais 100M€, chegando aos 200M€, nem para que o passivo aumentasse outros 100M€. E isto sem falar nos fornecedores, cujas dívidas também subiram significativamente.”

    Para Vieira, “quando Rui Costa afirma que o Benfica estaria ainda melhor se não fosse a Covid-19, está a tentar justificar resultados que não dependiam dele”. “Ele não teve qualquer influência nessa questão.”

    Quanto ao que Rui Costa recebeu ao assumir a presidência, Vieira é categórico: “Não herdou nada. Estava tudo pago. Quem assumir a seguir terá dificuldades de gestão. Só em custos de tesouraria, o clube terá cerca de 100M€ para pagar rapidamente.”

    O antigo presidente não hesita em acusar o atual líder das águias: de “promoção pessoal”: “Com essa afirmação, Rui Costa mentiu aos benfiquistas para promoção pessoal.”

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  • Com as eleições do Benfica marcadas para 25 de outubro e seis candidatos na corrida, a possibilidade de o presidente do clube ser remunerado tem gerado debate. Os novos estatutos, ao contrário dos anteriores, permitem que o líder encarnado receba salário pelo exercício das suas funções.

    O tema tem marcado a atual campanha eleitoral, sobretudo depois de João Noronha Lopes ter afirmado que não prescindirá desse direito, considerando que se trata de uma prática “mais transparente”.

    Rui Costa, por sua vez, desvaloriza completamente a questão: “O presidente ser remunerado nem é assunto para mim. Não estou no Benfica por causa disso. Nunca estive”, garante.

    O atual presidente lembra que está “há cinco anos sem salário” e assegura que, mesmo em caso de reeleição, a situação se manterá.

    “Não sou um benfiquista de ocasião e os benfiquistas sabem disso. Não cheguei ao Benfica ontem. Não me interessa a remuneração. Caso contrário, nem tinha voltado ao Benfica para jogar futebol, quanto mais para ser dirigente. A parte da remuneração nem sequer está em agenda.”

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  • Paulo Parreira é uma presença habitual nos jogos do Benfica, em casa e fora. Ficou conhecido entre os adeptos por expressões como “hoje é contra quem, não interessa” ou o célebre “ganhamento”, lema que resume a ideia de que todos os jogos do Benfica são para ganhar.

    Ex-jogador das camadas jovens do clube, representou os escalões de escolinhas, infantis e iniciados. “Sagrei-me campeão nacional de infantis num ano em que fomos imbatíveis, sem derrotas nem empates”, recorda. Uma grave lesão — fratura da tíbia e do perónio — acabou por travar o seu percurso nas águias.

    Ainda passou pelo Amora, nos juniores e seniores, e pelo Futebol Benfica. “Fui treinado pelo Arnaldo Teixeira, que mais tarde foi adjunto de Rui Vitória, e marquei o golo com que eliminámos o Santa Clara da Taça de Portugal”, conta.

    A paixão pelo clube nunca esmoreceu. “A minha vida é o Benfica”, afirma. Aos 47 anos, decidiu dar um passo que descreve como “um desejo antigo”: candidatar-se à presidência do clube. Foi o último a oficializar a candidatura, a 11 de setembro.

    Mas o sonho durou pouco. No dia 27 do mesmo mês, retirou-se da corrida eleitoral. “Fui coagido para não avançar e levei a ameaça a sério, porque tenho família. Sinceramente, nunca pensei que isto me acontecesse no Benfica. Admitia ser ameaçado por um sportinguista ou portista, mas não dentro do próprio clube, que neste momento está dividido. Deixa-me triste.”

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  • Martim Mayer, de 51 anos, anunciou a candidatura à liderança do Benfica. Neto de Borges Coutinho, presidente do clube entre 1969 e 1977, e figura histórica das águias, Mayer afirma querer dar continuidade ao legado familiar. Ligado ao universo encarnado desde cedo, foi atleta do Benfica no ténis e no râguebi, modalidade em que também representou a seleção nacional. Tem acompanhado com atenção a vida do clube e admite preocupação com os últimos anos. Ainda assim, mostra confiança no novo treinador: “Quero trabalhar com José Mourinho, mas o verdadeiro Special One é o Benfica”, sublinha. Mayer elogia a forma como Mourinho entrou no clube, apelando à união dos adeptos. No entanto, deixou uma crítica à declaração do técnico em que este revelou receber menos no Benfica do que se tivesse ficado em casa a receber a indemnização após a rescisão com o Fenerbahçe. “Não gostei de ouvir. Não percebo o interesse em começar uma relação a dizer que está no Benfica em negativo. Talvez seja para justificar alguma coisa se não correr bem. Deixo esse reparo.”

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  • João Noronha Lopes confirmou a recandidatura à presidência do Benfica nas eleições agendadas para 25 de outubro, depois de já ter estado na corrida em 2020. Além da ligação ao universo encarnado, o gestor sublinhou o percurso profissional que o levou a trabalhar em diferentes mercados e a enfrentar negociações complexas na Ásia, Rússia e América do Sul. “Às vezes ouço pessoas perguntarem-me se estou preparado para o mundo do futebol. Nada do que possa encontrar será mais difícil do que algumas negociações que tive ao longo da minha carreira, em que até a minha própria segurança esteve em causa.” Em relação à corrida à presidência, João Noronha Lopes garantiu já ter um contrato à espera de Bernardo Silva. O internacional português termina contrato com o Manchester City no final da presente temporada e, segundo o candidato, há condições para o regresso à Luz. “Espero ganhar as eleições e acredito que Bernardo Silva será jogador do Benfica na próxima temporada. É um grande benfiquista, um dos melhores jogadores do mundo e já manifestou essa vontade de regressar.”

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  • Advogado de 42 anos, cresceu ligado ao universo encarnado, influenciado pelo pai, jornalista desportivo, que mantinha proximidade com várias figuras do clube. Em setembro do ano passado decidiu avançar com a candidatura.

    “Porquê tão cedo? Porque assim fica claro que não ando atrás dos resultados. O meu projeto foi apresentado muito antes de se saber se o Benfica iria ganhar ou perder na época passada”, sublinha.

    Manteigas garante conhecer em detalhe os bastidores do Benfica e aponta críticas a presidentes anteriores. Sobre João Vale e Azevedo, recorda: “Queria beneficiar do meio do futebol, mas também beneficiou muita gente. Basta recordar o caso Ovchinikov. A quem é que o Benfica vendeu o Ovchinikov e a quem é que o Alverca passou dois cheques em branco pelo Ovchinikov?”

    O advogado aponta responsabilidades a Luís Filipe Vieira, então dirigente do Alverca. “Não era só Vale e Azevedo que estava no meio do negócio. Também estavam Luís Filipe Vieira e o agente Paulo Barbosa.”

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  • O discurso é ambicioso. Cristóvão Carvalho sonha com um Benfica de excelência a nível europeu e afirma ser o único dos candidatos com um projeto nesse sentido. A possível contratação de Klopp faz parte de um plano que culminaria na presença do clube na final da Liga dos Campeões, algo que o Benfica não alcança desde 1990, quando perdeu 1-0 com o Milan.

    “No Benfica atual é óbvio que não dá para ganhar uma Champions. Mas eu tenho um projeto financeiro voltado para essa meta. Posso prometer aos benfiquistas que, daqui a quatro ou cinco anos, estaremos a jogar uma final de Champions”.

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  • Com um percurso que cruza continentes e décadas, Luís Norton de Matos é uma das figuras mais versáteis do futebol português. Jogador, treinador e dirigente, iniciou carreira nos anos 70 e passou por clubes como Benfica e Standard Liège, onde viveu momentos marcantes tanto a nível desportivo como pessoal.

    Como treinador, o trajeto é igualmente internacional: Senegal, Guiné-Bissau, Índia, França e Bélgica são alguns dos países por onde passou, para além de diversos emblemas nacionais. Atualmente, aos 71 anos, mantém-se ativo na observação de jovens talentos, colaborando com clubes na identificação de jogadores em idade de formação.

    Apesar da vasta experiência e de uma rede de contactos consolidada, Norton de Matos reconhece as dificuldades impostas pelas dinâmicas atuais do mercado:

    “Vemos jogadores que fazem três coisinhas e no dia seguinte já valem milhões. É uma indústria muito inflacionada”, afirma.

    Como exemplo da gestão mais racional, aponta o trabalho de Luís Campos no Paris Saint-Germain, elogiando a capacidade de identificar jogadores com elevado rendimento desportivo:

    “Olhamos para as transferências de João Neves por 60 milhões ou Vitinha por 40 milhões e percebemos que, por esses valores, quase que foram de borla.”

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  • Mauro Xavier, gestor de topo com carreira internacional e presença habitual no espaço mediático enquanto cronista e comentador, volta a destacar-se pelas suas posições sobre o futebol português. É hoje o convidado de Luís Aguilar, no Ontem Já Era Tarde. Sócio do Benfica, publicou recentemente o livro “A Nossa Camisola – Caminhos para o Futuro”, editado pela Primebooks, onde defende uma visão estratégica para o clube e para o desporto nacional. “A discussão no Benfica tem-se centrado demasiadas vezes nas pessoas, quando o essencial está nas ideias”, afirma o autor, que apresenta no livro várias propostas, entre elas a reformulação das competições nacionais. Uma das medidas que propõe é clara: o fim da Taça da Liga. “É uma das ideias que defendo no livro. Não faz sentido com a atual carga de jogos, sobretudo para os clubes envolvidos em competições europeias”, sublinha. E acrescenta: “Fico satisfeito por ver que até André Villas-Boas, já depois da publicação do livro, veio a público defender a extinção da prova.” A preparação da nova temporada também mereceu críticas de Mauro Xavier, com particular foco na calendarização da Supertaça entre Benfica e Sporting, agendada para 31 de julho. “O Benfica jamais deveria ter aceite essa data. É um erro de planeamento e de estratégia. O Sporting tem um mês e meio de preparação, enquanto o Benfica tem apenas 15 dias”, alerta. E conclui, de forma contundente: “Se fosse dirigente do Benfica, a equipa não se apresentava nesta Supertaça.”

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  • Pedro Marques Lopes é um rosto conhecido da análise política, com vários anos de ligação à SIC, e presença semanal no programa Eixo do Mal. Mas ao longo dos seus anos de exposição pública nunca escondeu o afeto e carinho pelo FC Porto. “Sou dragão de ouro”, diz com orgulho. Era amigo de Jorge Nuno Pinto da Costa e não votou em André-Villas Boas. Apesar de não poupar críticas à gestão do agora presidente, espera que o novo treinador, Francesco Farioli, tenha condições para fazer o seu trabalho sem as constantes intromissões do dirigente. “André Villas-Boas prometeu uma equipa, cada um com a sua função e autoridade, mas o que vemos é que tem concentrado todo o futebol em si. Fez isso com Vítor Bruno e Anselmi. Espero que, com Farioli, respeito esse espaço sagrado do treinador.” Pedro Marques Lopes deseja essa mudança e teme que novo fracasso, mais do que trazer consequências para o treinador, possa virar-se agora para o presidente: “Com os outros treinador, ia ao balneário, falava com os jogadores, impunha castigos sem consultar o treinador. Isto, naturalmente, enfraquece muito o treinador aos olhos dos jogadores”, lembra.

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  • É uma história que Ricardo Araújo Pereira já contou várias vezes, mas que continua a guardar como um dos momentos mais marcantes da sua vida. Certo dia, enquanto seguia de carro com os pais, viu Eusébio a tentar apanhar um táxi. Pediu ao pai que parasse e dirigiu-se ao antigo jogador para lhe oferecer boleia.

    “Ele estava com dificuldades em apanhar um táxi porque iam todos ocupados. É logo algo que não faz sentido. Se o Eusébio quer um táxi, a outra pessoa tem de sair e deixá-lo entrar. É isso que faz sentido”, recorda.

    Eusébio aceitou o convite. Tinha de chegar ao aeroporto de Lisboa, de onde o Benfica partiria para um estágio. “Eu não conseguia falar. Estava perto de uma divindade. Mas os meus pais, que não são crentes, foram sempre a falar com ele”, conta, entre risos.

    Durante a viagem, o pai de Ricardo contou um episódio curioso: certo dia, numa piscina onde se encontravam vários jogadores do Benfica, teve uma cãibra dentro de água. Foi Eusébio quem o retirou da piscina e lhe deu uma picada no músculo para aliviar a dor. “E o Eusébio, muito simpaticamente: ‘Então não me lembro?’ Eu, sempre calado.”

    No dia seguinte, o jornal A Bola noticiava que Eusébio tinha sido o único a chegar a horas ao aeroporto, referindo apenas que “se deslocou por meios próprios”. “Era como se o carro do meu pai tivesse sido nacionalizado e dado ao Eusébio — o que acho bem e lícito”, comenta com humor.

    Hoje, guarda uma imagem desse ídolo sempre por perto. No fundo do telemóvel, está uma fotografia de Eusébio com a camisola do Benfica. “O Eusébio está impecável em todas as fotos. Às vezes perguntam-me: ‘Então tens uma foto do Eusébio em vez de teres das tuas filhas?’ E sou obrigado a responder: ‘As minhas filhas não marcaram um golo pelo Benfica.’”

     

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  • José Lima garante que o râguebi não é um desporto violento. “É duro, sim, há muito contacto, muita velocidade, mas muitas regras que nos protegem. Um jogador que promova um choque na cabeça do outro é logo expulso. E, além disso, há um grande respeito e lealdade entre os jogadores. É muito raro um jogador magoar outro de forma intencional”.

    O capitão da seleção lembra uma situação em que caiu inanimado num jogo frente a África do Sul e o comportamento exemplar do jogador que o lesionou: “Veio com muita velocidade e chocou com a minha cabeça, mas sem querer. Foi logo expulso, apanhou oito jogos, porque já tinha outras situações de pouco cuidado, mas foi ver-me ao hospital, pediu-me desculpa e isto mostra muito o que é o râguebi. Não sei se aconteceria com essa naturalidade no futebol ou noutros desportos”.

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  • Enquanto advogado da FIFA, Gonçalo Almeida lidou com vários processos de jogadores. Alguns deles que via apenas pela televisão. Recorda que, no mesmo dia, chegou a falar com o colombiano René Higuita e o camaronês Roger Milla, protagonistas de um lance histórico no Mundial de 1990. “O Higuita ligou-me porque tinha um valor a receber de um clube que representou, mas a situação já tinha prescrito. Passado pouco tempo, o Roger Milla entra no meu gabinete. Uma daquelas coincidências.” Noutro momento, lembra, recebeu um telefonema de Ariza Makukula. “Ele teve uma proposta para representar a seleção da República Democrática do Congo. O problema é que ele tinha representado Portugal nos sub-21 e já tinha passado a idade para fazer essa mudança. Os regulamentos não permitiam e expliquei-lhe isso, mas ele ficou chateado e não gostou.”

    Mais tarde, os caminhos do advogado e do avançado voltaram a cruzar-se. “Fui ver um jogo da Seleção ao Cazaquistão em 2007. Curiosamente, o Makukula estreou-se nesse jogo e marcou um golo decisivo [vitória de Portugal por 2-1]. No final do jogo, estava com um cliente que tinha acesso ao balneário e pude estar com os jogadores portugueses. Vi o Makukula e fui ter com ele. A princípio não se lembrava de mim, depois recordei o telefonema e a situação do Congo.” A reação, conta, deixou-o surpreendido: “O Makukula é enorme, deu-me um grande abraço e agradeceu por não ter jogado no Congo. Foi um episódio curioso se bem que ele não tinha nada para me agradecer. Apenas segui os regulamentos.”

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  • Foram muitos os craques que orientou no Benfica. Alguns deles tornaram-se referência no futebol português e internacional. Mas como se diz na gíria, as boas equipas constroem-se de trás para a frente e, nesse aspeto, Toni recorda a qualidade de alguns defesas: “Os meus centrais eram Mozer e Ricardo Gomes. Podia dormir descansado.” Toni também lembra os laterais como António Veloso e Schwarz. “Não só eram bons defesas, como também deixaram a sua marca em termos ofensivos. Nos treinos às vezes aquecia e aí também podia contar com o Schwarz. Era um profissional de linha dura. Se visse alguém a relaxar nos treinos, ele acordava-o logo. Quanto ao Mozer é sempre bom ter um central desses para impor respeito”. Ouça aqui o novo episódio do podcast 'Ontem Já Era Tarde'. 

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