Avsnitt
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Quais os sítios onde se pode comer bem à beira da estrada, ou a melhor bifana de Portugal? E onde se podem comer umas boas tripas à moda do Porto? E uma região do país que tenha uma gastronomia muito subvalorizada? Os ouvintes do podcast de Ricardo Felner responderam ao apelo e enviaram perguntas para serem respondidas no episódio número 100 do podcast “O Homem Que Comia Tudo”.
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Deixar o melhor para o fim parece ser uma opção que trás muitas dúvidas a todos, afinal, o melhor está sempre no fim. Ou talvez não.
Todos os finais devem ser apoteóticos: nos concertos, na liturgia profana do acasalamento, no cinema (quando o cinema era feliz) e, também, na morte, no sentido que só a morte nos liberta da angústia de viver, do preço da habitação e do deputado Pedro Pinto.
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Saknas det avsnitt?
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Enclausurar pizza numa caixa fechada é como colocar pão num jacuzzi: as comidas mais pedidas em take away e delivery são autênticos estufados. Mas há excepções.
Um frango assado, por exemplo, fica sempre bem fechado dentro de uma caixa de alumínio, tal como o sushi, frio, e um ramen embalado com os noodles à parte. Mas há outros problemas graves da comida de delivery: o lixo acumulado, as taxas e a precariedade dos entregadores.
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Na história de Portugal e do mundo as especiarias ocuparam, durante um tempo, um lugar de destaque no comércio global. Foram moeda de troca e sempre encerraram um misticismo que ainda perdura aos dias de hoje.
Mas desde há 200 anos que os portugueses viraram-se mais para as plantas e ervas mediterrânicas que conseguem cultivar em casa, preferindo-as à canela, cravinho e outras plantas e especiarias que não se encontram em solo europeu. A excepção é a pimenta. Nesta conversa, Luís Mendonça de Carvalho, Mestre em Bioquímica Vegetal e Doutor em Sistemática e Morfologia de Plantas, recupera o misticismo e versatilidade das especiarias.
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A dieta cetogénica assenta numa ideia de gordura como fonte de energia e zero hidratos. Esta moda está a levar a uma procura incansável pelas nossas sardinhas em conserva. Ricardo Felner faz-nos um relato sobre esta nova moda.
Só para uma das latas de sardinha do seu portfolio, a Açor, o Portugalia Marketplace em Fall River tem 1600 clientes em lista de espera. Estas latas estão à venda em Portugal por 3,5€ e nos EUA por 7,5€.
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Uma receita de muqueca é o ponto de partida para este episódio do podcast “O Homem Que Comia Tudo”, onde Ricardo Felner nos fala sobre a sustentabilidade do peixe que comemos em Portugal.
A coluna toca Dorival Caymmi, os ingredientes são cortados e colocados dentro do tacho, tudo é feito no momento, tudo é fluído. É assim que se prepara uma boa muqueca, com o cheiro do verão no ar. Com cação, que fica sempre bem neste prato. Mas talvez não deva usar cação.
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A expressão “restaurante étnico” foi a forma encontrada no final do século XX para os jornalistas e críticos dos EUA se referirem aos restaurantes das comunidades emigrantes, sublinhando o seu exotismo sem caírem na armadilha da “raça”. A partir desse ponto de vista, Ricardo Felner traça um retrato da forma como comida de países como a China, a Índia ou Cabo-Verde é vista como “étnica” e a comida “europeia” quase nunca o é.
Não nos podemos esquecer que, também por cá, referimos-nos aos restaurantes indianos, cabo-verdianos ou chineses como “étnicos”. O que é interessante, é que nem todas as comunidades de imigrantes têm restaurantes étnicos. Há comunidades que têm restaurantes italianos, por exemplo. Será que alguma coisa mudou entretanto?
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Apontar falhas quando a cozinha e o staff estão no lodo é “uma diligência ineficaz e violenta”, diz Ricardo Felner que, confessa, já foi um desses clientes chatos que argumentava com facilidade e muita veemência. Agora já não, até porque pensa também nos seus acompanhantes, que ficam constrangidos e desconfortáveis nessas situações.
Contudo, se acha que há um detalhe que pode melhorar as coisas, pode fazê-lo com moderação e calma. Afinal, todos queremos melhorar. E vamos sempre a tempo de pedir desculpa.
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Já se deve ter deparado com esta situação: uma família à mesa e um menu de restaurante, muitas opções, muitas dúvidas. O que fazer? Ricardo Felner é uma pessoa de convicções, mas também afirma que a surpresa faz parte da experiência gastronómica.
Mas também pode sempre perguntar à mesa do lado, ou ao empregado, ou mesmo olhar para a cozinha e ver o que está a sair com mais frequência.
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A pizzaria parece ser a mina de ouro do restaurador: baixo preço do produto, pouca mão de obra, muito potencial para o Instagram. É natural que, tal como a febre das hamburguerias, existam pizzas em todas as esquinas do país mas só algumas pizzarias é que se podem dar ao luxo de serem verdadeiramente as melhores.
A partir do excelente restaurante Paneólio pizzabar de Beniamin Bilali, localizado nas Caldas da Raínha, Ricardo Felner traça um perfil das pizzarias de Portugal, com forno a lenha, e da febre do “artesanal”, que parece ser apenas um chavão que é utilizado para dar prestígio. Todavia, nunca o artesanal esteve tanto em vias de extinção como agora.
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Um bom refogado com muito alho e muita cebola, a escolha de uma proteína, uma erva para dar frescura, talvez um tomate de lata ou um gole de vinho branco para despegar o fundo e trazer aquele sabor ao de cima. A comida de tacho é versátil, não precisa de grande ciência e é sempre possível rectificar. Uma boa ideia para comer sem gastar muito dinheiro nestes tempos difíceis e incertos.
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Há restaurantes onde entramos e sentimos uma energia boa, uma certa vibe. mbora a comida seja quase sempre razoável, as salas estão cheias. A maioria das pessoas gosta de restaurantes com vibe, mas ela é difícil de conseguir.
“Pus-me a pensar nos restaurantes com mais vibe a que fora recentemente e no que teriam em comum entre eles. N’O Velho Eurico, estalagem de hipsters felizes a comerem pastéis de leitão e a beberem vinho de jarro. Não vi lá veludos nem comi coisas trufadas”. Índice de vibe? Avalia: “alto”.
Neste episódio do podcast 'O Homem que Comia Tudo', Ricardo Dias Felner procura perceber o que o faz um restaurante ter vibe.
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Confiar no processo transforma uma tarefa prazerosa como cozinhar num martírio? Há algumas receitas que, por mais que tenham uma aura de misticismo, se perdem no processo. O Bife Wellington parece ser uma dessas receitas: demasiados passos para um resultado assim-assim. Pelo menos é a opinião de Ricardo Felner, que não se importa de dar tempo às coisas: experimentou fazer vinagre em casa e gostou do resultado (e do processo).
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Picles, cabidela, vinha d’alhos... pratos com muita acidez ou avinagrados: de certeza que muitos concordarão que a acidez na comida é uma coisa maravilhosa. Ricardo Felner é fã da acidez na comida e até nos oferece uma receita de filetes de cavala que, lá está, tem a acidez no ponto. Mas não será vinagre a mais? Não.
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É frequente ouvirmos a frase “cortei nos hidratos”, a moda está cada vez mais presente no dia-a-dia. Mas porquê? Existe algum fundamento em acabar com todos os hidratos da nossa alimentação? E a cozinha portuguesa aguenta-se bem sem isso? Se formos a ver, nem por isso. A nossa gastronomia é assente na batata, no arroz, no grão, no pão. E está tudo bem com isso. Quantos orçamentos familiares resistem a uma dieta de salmão, de entrecôte e vazia? O bitoque acompanha com o quê? O problema é que a ciência parece concordar com a diminuição dos hidratos.
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Um episódio passado num restaurante em Portugal com o sommelier do Noma, faz Ricardo Felner refletir sobre a prolongada permanência destas figuras disruptivas na alta cozinha, e o mal que podem trazer. Já é tempo de termos novas figuras de topo no “fine dining”? Estará a alta cozinha a precisar de novos valores? As inúmeras acusações de violência contra René Redzepi fazem acreditar que sim.
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Um restaurante em Castro Marim de mesas corridas e com anchovas acabadas de chegar é o mote para uma viagem pelos sabores ibéricos. Azeitonas Maçanilha, queijo de cabra algarvia, barriga de atum. A viagem prossegue Andaluzia dentro, com passagens pelo Bina Bar, Tabanco El Pasaje e pelo fine dining do restaurante Leartá, em Sevilha. A viagem termina tal como começa, com anchoas no Las Golondrinas. Que bem que se come no sul da Ibéria.
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Ricardo Felner confessa que é dos que faz imensas perguntas aos chefes de cozinha, mesmo quando eles estão concentrados. A partir de uma formação sobre cozinha japonesa, dada pelo chefe Ricardo Komori, viajamos até ao Japão e à arte do silêncio.
Será que o silêncio é a chave para a perfeição da cozinha nipónica? Para Ricardo Komori parece ser: mudou-se para o Japão para aprender e abriu em 2022 o pequeno restaurante Nishiiru em Miyazu, a norte de Quioto.
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Na Pensão Flor, Alfredo queria tomar conta de tudo, só ele acha que sabe fazer as coisas como deve ser. Mas só cozinha três dias por semana. Tem uma horta nas traseiras, é caçador e pescador, e serve iguarias como caldo de feijão, nabiças e chouriça, coelho bravo com molho vilão, truta com jamón e escabeche de perdiz com vinagre caseiro. Um restaurante ótimo para dias de chuva, portanto. Pena é não existir.
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O que faz um azeite ser “topo de gama”? Ricardo Felner foi a uma prova de azeites e ficou encantado. As colheitas mais recentes, límpidas, deixaram-no impressionado, mas para muitos portugueses, azeite bom é azeite com tulha ou ranço. E está tudo bem com isso.
Mas se alguém perguntar a Ricardo Felner se ele quer um garrafão de azeite “lá da terra”, ele vai, provavelmente, dizer que não.
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