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  • Fome Zero Podcast - Episódio 12


    A Função Social da Ciência e das Universidades


    Neste episódio, mergulhamos nas reflexões profundas e atemporais de Josué de Castro para discutir o papel ético e político do conhecimento científico e das universidades. Em 2026, aniversário da publicação da obra magna Geografia da Fome e da fundação do atual Instituto de Nutrição Josué de Castro (UFRJ) por seu patrono, resgatamos dois ensaios fundamentais do autor, publicados em seu livro Ensaios de Biologia Social: A função social da ciência e A função social das universidades.


    Para guiar essa jornada, o apresentador Gustavo Torres nos conduz por um provocativo exercício de imaginação que contrasta o sucesso estrondoso das ciências físicas e químicas com o histórico e alarmante atraso na aplicação social das ciências biológicas e médicas.
    Exploramos o incômodo contraste de um mundo onde a ciência desvenda a cura para males devastadores (como a pelagra na Itália fascista ou o bócio endêmico no Brasil central), mas a engrenagem político-econômica escolhe deliberadamente ignorar as soluções em nome do lucro corporativo e de investimentos bélicos. O debate aprofunda-se na análise crítica da "civilização dos especialistas", fenômeno que fragmentou o saber universitário e moldou profissionais que sabem cada vez mais sobre cada vez menos, gerando "verdades cientificamente mutiladas" e um produtivismo acadêmico cego, incapaz de dialogar com as reais necessidades do povo.


    Prepare-se para compreender por que a universidade, mais do que uma oficina de sábios, precisa urgentemente voltar a ser uma fábrica de seres humanos e descubra por que nenhum avanço tecnológico ou artigo publicado tem valor real se não estiver, antes de tudo, a serviço da vida, da justiça social e do combate à fome.


    #Fome #FomeZero #JosuedeCastro #GeografiaDaFome #CiênciaEHumanismo #UniversidadePública #FunçãoSocialDaCiência #Especialização #SaúdePública #Nutrição


    Produção e Apresentação: Gustavo Torres
    Coordenação: Edward Magro, Antônio César Ortega e Renata Victal
    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • Fome Zero Podcast - Racismo nos Sistemas Alimentares #11

    Neste episódio, mergulhamos em um debate urgente e estrutural para a sociedade brasileira: a profunda interseção entre o racismo ambiental, a desigualdade racial e a insegurança alimentar. Exploramos o conceito de Racismo Alimentar. Uma engrenagem estrutural que dita quem planta, o que se planta e quem, de fato, consegue comer com dignidade no Brasil. Em um cenário globalizado onde a crise climática e a exploração desmedida da natureza batem à porta, as discussões deste episódio jogam luz sobre como a degradação ambiental e a fome não atingem a população de forma igualitária, expondo feridas históricas que vulnerabilizam corpos e territórios negros, indígenas e quilombolas.

    Para nos ajudar a desvendar esse cenário complexo e entender os mecanismos de exclusão que perpetuam a desigualdade no Brasil, recebemos Fran Paula, quilombola, engenheira agrônoma, pesquisadora em sistemas alimentares e coordenadora da Plataforma Agricultura Ancestral.

    Nesta conversa, exploramos como o conceito de racismo ambiental se manifesta diretamente no território brasileiro, redefinindo nossa compreensão sobre as injustiças climáticas urbanas e rurais. Fran nos explica também como o racismo científico e a falta de neutralidade na comunidade acadêmica historicamente apagaram os saberes tradicionais. Ela discute a "ciência do cativeiro", mostrando como os manuais agrícolas e a agronomia ocidental desumanizaram e invisibilizaram as engenhosidades tecnológicas desenvolvidas pela população negra no meio rural. Além disso, a pesquisadora faz uma crítica firme aos métodos científicos atuais que, mesmo ao abordarem temas como a decolonialidade e o antirracismo, muitas vezes continuam reproduzindo lógicas coloniais e homogeneizadoras.

    Por fim, discutimos que, para garantir a sobrevivência e a soberania alimentar desses povos, o acesso à terra e a integridade dos territórios quilombolas são prioridades absolutas. Além disso, a pesquisadora aponta caminhos para o futuro, destacando a urgência de integrar de forma coletiva as políticas públicas rurais e urbanas, conectando o direito à alimentação saudável com a reforma agrária, a agroecologia, a geração de renda e o acesso universal à educação.

    Plataforma Agricultura Ancestral: www.agriculturaancestral.com

    Créditos:

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

    Imagem: Lauren Walker/Truthout

    #Fome #FomeZero #RacismoAmbiental #JustiçaClimática #InsegurançaAlimentar #SoberaniaAlimentar #Quilombolas #DireitoÀTerra #Agroecologia #InstitutoFomeZero

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  • Fome Zero Podcast - Episódio 10


    Neste episódio, fazemos uma viagem fascinante no tempo para desmistificar o processamento de alimentos, diferenciando de forma clara o que é o processamento milenar, a industrialização e os modernos alimentos ultraprocessados. Entenda como a evolução das técnicas moldou a nossa civilização, mas também como a obsessão científica pelo refino e pela pureza dos ingredientes nos afastou da saúde e abriu margem para armadilhas nutricionais históricas.
    Para guiar essa jornada, o apresentador Gustavo Torres nos conduz desde o primeiro grande marco da humanidade do domínio do fogo até o surgimento das formulações industriais modernas.
    Exploramos as origens de técnicas ancestrais como a moagem no Paleolítico, o enraizamento cultural e religioso da fermentação, o uso milenar da salga e da secagem, e até a engenharia persa de refrigeração no deserto. Na sequência, analisamos o salto da Revolução Industrial, que trouxe tecnologias indispensáveis até hoje para a segurança alimentar, como a pasteurização, o enlatamento e a refrigeração mecânica.
    O debate aprofunda-se na virada filosófica e ideológica inspirada pelo cartesianismo no século XIX, que passou a enxergar o alimento como mero combustível e a natureza bruta como algo a ser dominado. Essa busca cega pelo alimento "tecnologicamente limpo" resultou, historicamente, no surgimento da fome oculta. No cenário contemporâneo, essa mesma lógica se desdobra nos alimentos ultraprocessados — que perdem sua matriz alimentar íntegra e sua riqueza invisível de compostos bioquímicos, substituídos por quebra-cabeças químicos de ingredientes refinados e aditivos associados a graves doenças crônicas.
    Prepare-se para entender em detalhes os mecanismos biológicos que ligam os ultraprocessados ao adoecimento moderno e descubra por que o caminho para o futuro exige resgatar o respeito pela complexidade do que vem da terra.
    #Fome #FomeZero #ProcessamentoDeAlimentos #Industrialização #Ultraprocessados #Nutrição #HistóriaDaAlimentação #SaúdePública #FomeOculta #ClassificaçãoNOVA
    Produção e Apresentação: Gustavo Torres
    Coordenação: Eduardo Magro, Antônio César Ortega e Renata Vital
    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • A recente instabilidade no preço da carne bovina no Brasil, impulsionada por recordes de exportação e fatores climáticos, tem alterado os hábitos de consumo e intensificado o debate sobre renda, segurança alimentar e o futuro do campo. Diante desse cenário, a ProVeg Brasil, em parceria com a OCA (Organização Cooperativa de Trabalho, Serviços, Projetos e Consultorias em Agroecologia), apresenta o relatório "Aumentando Renda, Respeitando o Planeta, Nutrindo Pessoas".
    O estudo analisa a transição da pecuária para Sistemas Agroflorestais (SAFs) 100% vegetais como uma resposta estrutural à crise climática, à vulnerabilidade econômica de pequenos produtores e aos desafios da fome.
    O Cenário Atual vs. O Potencial dos SAFs
    A pecuária ocupa cerca de 20% do território nacional, e entre 45% e 55% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação. Além disso, a atividade extensiva responde por aproximadamente 60% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Em contrapartida, os alimentos vegetais já representam 63% das calorias consumidas pelos brasileiros em produtos in natura ou minimamente processados.
    A transmissão ao vivo abordará como os SAFs transformam esse panorama ao integrar árvores, frutas, hortaliças e leguminosas. Esses sistemas biodiversos são capazes de:

    Regenerar o solo e ampliar a retenção de água;
    Recuperar áreas degradadas e funcionar como sumidouros de carbono;
    Diversificar a produção agrícola e reduzir riscos climáticos.
    Amazônia: SAFs com açaí, cacau e banana geram rentabilidade líquida entre R$ 18 mil e R$ 35 mil por hectare/ano.
    Caatinga: Arranjos com mandioca, caju e umbu mostram alta adaptação climática e renda com baixa dependência de irrigação.
    Debatedoras: * Aline Baroni | Diretora Executiva da ProVeg Brasil
    • Gisiliana Barbosa | Agroecóloga (OCA)
    Moderação: * Semíramis Domene | Professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva (Unifesp)

    Viabilidade Econômica e Impacto Social
    Os dados do relatório indicam que a transição pode mais que dobrar a renda líquida por hectare, com um aumento mediano de 110% a partir do quinto ano. Em áreas degradadas articuladas a mercados especiais, cooperativas e Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), o crescimento da renda anual por hectare pode atingir expressivos 1.525%.
    O impacto social também é profundo: para cada R$ 1 milhão em produção anual, os SAFs geram cerca de 30 empregos em tempo integral, contra apenas 7 gerados pela pecuária.
    Análise por Biomas e Políticas Públicas
    O encontro destacará experiências práticas em diferentes regiões:
    O debate também proporá caminhos institucionais para viabilizar essa transição, como linhas de crédito específicas, assistência técnica qualificada, incentivos fiscais e a expansão de compras públicas via PNAE e PAA.


    Debatedoras:

    Aline Baroni | Diretora Executiva da ProVeg Brasil
    Gisiliana Barbosa | Agroecóloga (OCA)


    Moderação:

    Semíramis Domene | Professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva (Unifesp)

  • Fome Zero Podcast - Episódio 9

    Hoje, o nosso olhar se volta para uma das figuras mais icônicas na luta contra a fome no Brasil, cuja voz e fragilidade física escondiam uma força capaz de mobilizar uma nação inteira: Herbert de Souza, o Betinho.

    Neste episódio, fazemos um movimento de resgate histórico e afetivo para entender a vida de um homem que transformou sua dor pessoal e seu exílio em combustível para a solidariedade.

    Para este mergulho, recebemos Daniel de Souza, filho de Betinho e presidente do Conselho da Ação da Cidadania, que compartilha memórias raras de uma infância marcada pela clandestinidade e pelo exílio na contramão de uma "relação normal" entre pai e filho.

    Daniel nos narra suas lembranças do Chile, Suécia e México, e como a ditadura moldou os laços familiares de uma infância fragmentada. Como a condição física de seu pai definia um convívio pautado pelo afeto possível, longe das brincadeiras físicas, mas perto das ideias e como foi a transição do exilado político para o mobilizador social que trouxe dados e estatísticas para iluminar o Brasil pós-ditadura, com a criação do IBASE.

    Exploramos o grande fenômeno da Ação da Cidadania, que em 1993 uniu desde artistas como Chico Buarque e Tom Jobim até empresários e donas de casa sob o lema: "Quem tem fome, tem pressa".

    Para além do passado, discutimos com Daniel os desafios de mobilizar a sociedade na era das redes sociais e das fake news, e como o legado de seu pai se atualiza no combate à extrema direita e na defesa intransigente da democracia como base para qualquer política social.

    Um episódio fundamental para entender que a luta contra a fome não é apenas técnica, mas um exercício diário de ética e cidadania.

    #Betinho #AçãoDa Cidadania #IBASE #Solidariedade #Democracia #FomeZero #HistóriaDoBrasil #DireitoAoAlimento

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • Fome Zero Podcast - Episódio 8

    No episódio anterior, celebramos 25 anos do Projeto Fome Zero em uma conversa técnica e histórica com um de seus mentores, José Graziano da Silva. Conversamos desde a proposta de uma Política Nacional de Segurança Alimentar, passando pelo próprio Programa Fome Zero e chegando à sua internacionalização como o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável número 2, o Zero Hunger. Mas quem é o homem por trás das políticas públicas e das conferências internacionais na ONU?

    Neste episódio, fazemos um movimento inverso: saímos dos indicadores para entrar na biografia e nas memórias de família.

    Para este mergulho pessoal, recebemos Emiliano Graziano, filho de José Graziano, que nos ajuda a conhecer mais de seu pai. Nesta conversa, exploramos a trajetória de vida desta grande figura da segurança alimentar brasileira e mundial sob uma perspectiva única: desde as histórias de infância e adolescência ao lado de seu pai, José Gomes, até os autores que moldaram seu pensamento e o inspiraram ao longo da trajetória.

    Para além do passado, Emiliano compartilha conosco as visões e previsões do pai para o futuro dos sistemas alimentares. Discutimos os desafios que Graziano ainda enxerga no horizonte, as novas frentes de combate à fome e o que as próximas gerações podem esperar e aprender com esse legado que atravessa décadas.

    Um episódio essencial para entender a mente e o coração de quem dedicou a vida a pensar o alimento como um direito, narrado por quem acompanhou essa jornada de perto.

    #Fome #SegurançaAlimentar #DireitoAoAlimento #InstitutoFomeZero #HistóriaDaFome #FomeZero #ZeroHunger #FAO #UN

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • A Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20), realizada em fevereiro de 2026, na Colômbia, recolocou no centro do debate uma questão decisiva: o acesso à terra, suas formas de distribuição e os projetos de sociedade que dela decorrem. O encontro evidenciou as tensões que atravessam o cenário contemporâneo, contrapondo visões institucionais e críticas.

    De um lado, afirmou-se uma perspectiva institucional focada no aprimoramento de políticas públicas, governança fundiária e integração da questão agrária às agendas de segurança alimentar e sustentabilidade. Essa abordagem aposta na cooperação gradual entre Estados e organismos multilaterais. Em direção oposta, setores acadêmicos e movimentos sociais apontam os limites desse horizonte. Para esse grupo, a persistência da concentração fundiária e a financeirização da terra indicam que mudanças estruturais não ocorrem apenas por ajustes institucionais, exigindo uma reorganização social profunda que articule justiça e novas relações entre economia e natureza.

    As divergências na recepção dos resultados foram notáveis. Parte da sociedade civil manifestou preocupação com possíveis retrocessos nos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. A disputa ultrapassa o plano normativo, alcançando o reconhecimento político e a definição dos sujeitos de direito.

    Um dado alarmante revela o atual isolamento do tema: a redução drástica de países signatários em relação à conferência de 2006, em Porto Alegre. Se naquele contexto mais de cem Estados aderiram ao documento final, em 2026 foram apenas 28. O contraste sugere um cenário internacional fragmentado, onde a reforma agrária perdeu centralidade nas agendas governamentais.

    Ainda assim, delineia-se uma concepção ampliada de reforma agrária. O acesso à terra permanece como condição de existência digna, mas agora incorporando o reconhecimento de direitos territoriais, a regulação da propriedade por critérios ecológicos e a promoção de uma alimentação saudável. A terra deixa de ser apenas recurso produtivo para ser compreendida como base da vida social e espaço de continuidade cultural. Conceitos como soberania alimentar, agroecologia e justiça climática passam a integrar o sentido de dignidade humana.

    A pluralidade dos sujeitos envolvidos, como camponeses, indígenas, mulheres e jovens, evidencia que a transformação depende de autonomia e capacidade de decisão, não apenas de acesso material. Embora o papel do Estado seja fundamental, a relação entre institucionalidade e mobilização social permanece como o ponto mais sensível para viabilizar mudanças consistentes.

    Esta análise propõe examinar os resultados da CIRADR+20 e seus consensos frágeis. Em um contexto de crises interligadas, impõe-se a pergunta: que configuração de reforma agrária pode sustentar um futuro mais justo?

    Convidados:

    Sérgio Sauer: Professor da UnB, diretor do Centro Brasil-China para a Agricultura Familiar e coordenador do Observatório de Conflitos Socioambientais do Matopiba.

    Yamila Goldfarb: Geógrafa, professora visitante na UFABC, presidenta da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) e membro do GT Estudios Críticos del Desarrollo Rural.

    Moderação:

    Sônia Moraes: Advogada agrarista, mestre pela USP e professora de Direito Agrário. Diretora da ABRA desde 1979, foi consultora do INCRA e integra o Núcleo de Economia de Francisco e Clara.

    Visite:

    Blog CIRADR+20: https://ifz.org.br/category/ciradr20

    Dossiê CIRADR+20:

    https://ifz.org.br/dossie-ciradr20

  • Na tradição chinesa, comer é um ato social profundo, refletido na saudação: “Você já comeu?”. Dessa cultura nasce a shiologia, estudo que integra o ser humano, o alimento e o ambiente.

    Essa abordagem utiliza o conceito de shiance, que une produção, preparo e consumo em um único campo de relações. Mais que nutrição ou economia, a alimentação é vista como uma unidade que articula indivíduo, natureza e sociedade. Assim, o alimento conecta corpo, mente e território, sendo o pilar central da organização da vida comum e da saúde coletiva.

    A shiologia reúne contribuições de diferentes áreas do conhecimento, incluindo nutrição, agricultura, gastronomia, economia, filosofia, saúde pública e tecnologia. A proposta é construir uma compreensão integrada dos sistemas alimentares, orientada por uma pergunta prática e permanente: de que modo a alimentação pode servir melhor às pessoas e ao planeta?Esse horizonte de reflexão se organiza também em torno da ideia de shi order, a ordem que regula os sistemas alimentares. Trata-se do conjunto de princípios e formas de governança capazes de orientar políticas públicas, práticas produtivas e estruturas de abastecimento voltadas à saúde coletiva, à sustentabilidade ambiental e à justiça social.A experiência chinesa oferece um terreno particularmente fecundo para observar essas questões. O país abriga cerca de 19% da população mundial, mas dispõe de uma parcela relativamente reduzida das terras agricultáveis e dos recursos hídricos globais. Nesse contexto, a segurança alimentar assume caráter estratégico e mobiliza planejamento de longo prazo, inovação tecnológica e políticas públicas voltadas à estabilidade do abastecimento.Nas últimas décadas, a agricultura chinesa passou por transformações profundas. Reformas institucionais, investimentos em infraestrutura rural e reorganização da produção permitiram ampliar significativamente a oferta de alimentos. Ao mesmo tempo, mudanças sociais aceleradas — crescimento da renda, urbanização e novas formas de consumo — alteraram os padrões alimentares da população, ampliando a diversidade das dietas e criando novos desafios de saúde pública.Essas transformações colocam em evidência um conjunto de questões contemporâneas. A redução da subnutrição convive com o aumento da obesidade, a intensificação produtiva traz preocupações ambientais e a modernização do comércio alimentar modifica as relações entre produtores, consumidores e territórios. Em resposta, o planejamento chinês tem buscado integrar produtividade agrícola, segurança alimentar e sustentabilidade ecológica.Nesse cenário, a shiologia oferece uma chave interpretativa especialmente fértil. Ao colocar o comedor — o ser humano concreto que se alimenta — no centro do sistema, essa abordagem amplia o debate sobre segurança alimentar e nutricional. O alimento deixa de ser apenas uma mercadoria ou um insumo produtivo e passa a ser compreendido como elemento estruturante da saúde, da cultura e da continuidade da vida coletiva.A live “Shiologia: uma nova abordagem para a Segurança Alimentar e Nutricional” convida o público a explorar esse campo de pensamento ainda pouco difundido no debate internacional. A conversa examinará como essa perspectiva pode contribuir para compreender os desafios alimentares do século XXI e para imaginar sistemas alimentares capazes de sustentar uma vida longa, saudável e socialmente equilibrada.ParticipantesWalter Belik – Professor Titular da Universidade Estadual de Campinas, cofundador e Diretor-Geral Adjunto do Instituto Fome Zero.Emiliano Graziano – Engenheiro Agrônomo, Mestre em ESG, cofundador e Diretor de Desenvolvimento Institucional do Instituto Fome Zero.Leia o artigo "Shiologia: Uma Nova Abordagem para a Segurança Alimentar e Nutricional"

    https://ifz.org.br/shiologia-uma-nova-abordagem-para-a-seguranca-alimentar-e-nutricional/

  • Fome Zero Podcast - Episódio 7

    Neste episódio, celebramos um marco histórico: Em 2026, celebram-se 25 anos do lançamento do Projeto Fome Zero, posteriormente incorporado ao primeiro governo Lula, que colocou o Brasil como referência mundial no combate à fome e à miséria. Retornamos às raízes do Fome Zero para entender como uma política pública transformou a fome de um "problema de produção" em uma questão de direito e acesso à renda.

    Para esta conversa fundamental, recebemos José Graziano da Silva, o principal mentor do programa, ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome e ex-diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Com sua vasta experiência nacional e internacional, Graziano compartilha os bastidores da criação da política que retirou o Brasil do Mapa da Fome, desde o município de Guaíbas até o seu sucesso nacional.

    Exploramos a complexidade por trás do sucesso do Fome Zero, desmistificando a ideia de que o programa se resumia apenas à transferência de renda. Graziano detalha como o Bolsa Família era apenas uma das mais de 40 iniciativas integradas, que incluíam desde o fortalecimento da agricultura familiar até o fornecimento de cisternas no semiárido e a merenda escolar.

    Além disso, o professor nos explica o sucesso do Fome Zero a nível internacional, com muitas de suas políticas sendo reconhecidas e replicadas como modelos eficazes no combate à fome e à má nutrição. Graziano também nos conta sobre sua passagem pela FAO, desafios, conquistas e discussões sobre novos paradigmas da alimentação e agricultura, como os ultraprocessados e a agroecologia.

    #Fome #FomeZero25Anos #SegurancaAlimentar #JoseGraziano #InstitutoFomeZero #PolíticasPublicas #DireitoAoAlimento #FAO

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • Fome Zero Podcast - Episódio 6

    Neste episódio, mergulhamos nas recentes e polêmicas mudanças das diretrizes alimentares dos Estados Unidos, lançadas em janeiro de 2026. O documento gerou debates intensos ao inverter a pirâmide alimentar e aumentar a recomendação de proteínas de origem animal, ignorando consensos sobre a crise climática e a saúde planetária. No entanto, foi elogiado por alguns acadêmicos por incluir o problema dos alimentos ultraprocessados pela primeira vez em uma edição.

    Para nos ajudar a desvendar esse cenário e entender o perigo dos alimentos ultraprocessados, recebemos a Professora Dra. Semíramis Martins Álvares Domene, livre-docente da UNIFESP e integrante do Instituto Fome Zero.

    Nesta conversa, exploramos a Classificação NOVA, criada pelo Professor Carlos Monteiro na USP, que revolucionou a forma como entendemos o processamento de alimentos ao focar não apenas nos nutrientes, mas no nível de transformação industrial. Semíramis explica o que são alimentos ultraprocessados e como estes estão diretamente ligados à crise de obesidade, doenças cardiovasculares e até à erosão das culturas alimentares locais.

    Entenda ainda o impacto ambiental devastador dessas cadeias produtivas, que consomem quantidades massivas de água e destroem biomas como o Cerrado e Amazônia.

    Por fim, discutimos o papel fundamental de equipamentos públicos como as cozinhas solidárias, restaurantes populares e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) como ferramentas de resistência para garantir o direito à comida de verdade para todos.

    Prepare-se para uma aula sobre como o ato de cozinhar e valorizar a agricultura familiar pode ser um caminho para a saúde individual e para a sustentabilidade do planeta.

    #Fome #FomeZero #Ultraprocessados #GuiaAlimentar #SaúdePública #InstitutoFomeZero #ComidaDeVerdade #Sustentabilidade

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital




  • Fome Zero Podcast - Episódio 5

    Neste episódio, continuamos a desbravar a trajetória monumental de Josué de Castro, o brasileiro que ousou desafiar os poderosos para denunciar a fome como uma criação do ser humano. Se no primeiro capítulo vimos o despertar do cientista, aqui acompanhamos o homem público em sua fase mais combativa: como presidente do Conselho da FAO, deputado federal e intelectual no exílio.

    Para enriquecer essa nossa conversa, contamos novamente com a presença de Ricardo de Castro, neto de Josué e professor universitário, que traz detalhes emocionantes sobre os bastidores da cassação de seu avô e os impactos profundos que a ditadura militar causou em sua família.

    Nesta segunda parte, exploramos a "civilização dos especialistas" e a crítica ácida de Josué à ciência fragmentada, defendendo uma visão multidisciplinar que unisse o saber técnico à sensibilidade humana. Acompanhe sua atuação diplomática na ONU, onde enfrentou burocratas e interesses nacionais para tentar erradicar a fome no pós-guerra, e sua passagem vibrante pelo Congresso Nacional, onde lutou pela reforma agrária e regulamentou a profissão de nutricionista no Brasil.

    Entenda ainda os anos de exílio em Paris, sua produção intelectual sob vigilância e como, mesmo longe de sua terra, ele antecipou debates urgentes de hoje, como a crise climática global.

    Prepare-se para conhecer o desfecho da vida de um "cidadão do mundo" que morreu com saudade do Brasil, mas cujo legado permanece como bússola para todos que lutam por um planeta mais justo e alimentado.

    #Fome #FomeZero #JosuedeCastro #GeopoliticaDaFome #InstitutoFomeZero #ReformaAgraria #SoberaniaAlimentar

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital

  • 🎙 Fome Zero Podcast – Episódio 4

    Neste episódio imperdível do Fome Zero Podcast, mergulhamos na vida e no legado de Josué de Castro, o homem que ensinou ao mundo que a paz começa pela mesa. Médico, nutrólogo, geógrafo, político e uma das figuras mais importantes do século XX. Indicado 6 vezes ao Prêmio Nobel, Josué era um homem obcecado por entender o fenômeno da fome, fenômeno esse que ele descobriu observando os homens e caranguejos nos mangues do Recife.

    Para guiar essa jornada, recebemos Ricardo de Castro, neto de Josué e professor universitário, que revela detalhes inéditos da intimidade e da formação desse ícone. Descubra como um jovem médico e geógrafo rompeu o tabu da fome, transformando-a de "vontade divina" em um objeto de estudo científico e diplomático.

    Nesta primeira parte, percorremos desde sua infância curiosa até sua ascensão no Rio de Janeiro, onde dividia o tempo entre atender a elite carioca e criar as bases para o que hoje conhecemos como o salário mínimo e os primeiros restaurantes populares do Brasil. Entenda a construção de sua obra-prima, Geografia da Fome, que completa 80 anos desafiando a "civilização dos especialistas" através de um método multidisciplinar único e mapeando as feridas abertas da nossa sociedade.

    Prepare-se para uma conversa profunda sobre ciência, política e a coragem de um brasileiro que foi traduzido para mais de 25 idiomas e mudou a forma como o planeta encara a nutrição.

    #Fome #FomeZero #JosuedeCastro #DaLamaAoCaos #InstitutoFomeZero

    Realização: Instituto Fome Zero

    Produção e Apresentação: Gustavo Torres

  • 🎙 Fome Zero Podcast

    A CEAGESP e a Comercialização de Produtos da Agricultura Familiar #03

    Para fechar o ano de 2025, entrevistamos o presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), José Lourenço Pechtoll.

    A CEAGESP é a maior central de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores e pescados da América Latina e a terceira maior do mundo, sendo uma empresa pública que comercializa mais de 3 milhões de toneladas por ano e tem circulação diária de 50 mil pessoas apenas no seu entreposto principal na cidade de São Paulo.

    Quem conduz a entrevista é o nosso membro fundador, Prof. Walter Belik, em um bate-papo sobre o tamanho e a importância da Companhia na comercialização de produtos da agricultura familiar, bem como sobre as perspectivas e os desafios a serem enfrentados no futuro.

    Depois da entrevista, Pechtoll nos levou para um pequeno tour pelo entreposto de São Paulo e também para conversarmos com os comerciantes para entender seus pontos de vista sobre a companhia.

    José Lourenço Pechtoll é Bacharel em Filosofia e em Jornalismo, com especializações em Comunicação Social, em Gestão Pública, em Agroecologia, em Agronegócio e em Armazenagem. Na CEAGESP já atuou como assessor da Presidência entre 2003 e 2004; como coordenador na Coordenadoria de Planejamento e Ouvidoria, de 2005 a 2008; e como gerente do Departamento de Armazenagem, de 2008 a 2016.

    O Fome Zero Podcast é uma produção do Instituto Fome Zero. A edição é de Gustavo Torres, filmagens de Renata Victal e coordenação de Antonio Cesar Ortega, Edward Magro e Renata Victal.

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  • 🎙 Fome Zero Podcast – Episódio 2

    No segundo episódio do Fome Zero Podcast, conversamos com uma figura central na luta contra a fome no Brasil nas décadas de 90 e 00. Francisco, ou Chico, Menezes esteve ao lado de Hebert de Souza (Betinho) no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e foi presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) entre 2004 e 2007, participando ativamente da implementação de diversas políticas públicas durante esse período como a reformulação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e na construção de um marco legal para a Segurança Alimentar e Nutricional, a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN).

    A gente conversou com o Chico sobre como começou seu interesse pela luta social, suas inspirações, momentos marcantes ao lado de Betinho e à frente do CONSEA, e também sobre suas previsões para o futuro do Brasil.

    Aperte o play e venha conferir essa história inspiradora na luta contra a fome no Brasil.

    O Fome Zero Podcast é uma produção do Instituto Fome Zero, com produção, edição e locução de Gustavo Torres, filmagens de Renata Victal e coordenação de Antonio Cesar Ortega, Edward Magro e Renata Victal.

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    #fome #zerohunger

  • A COP30 gerou grandes expectativas nos avanços do roadmap para uma transição justa e equitativa dos combustíveis fósseis, na redução do desmatamento, na definição de compromissos e indicadores de adaptação climática e no aumento do financiamento por países desenvolvidos. Esses esforços permitem que nações em desenvolvimento ampliem ações de adaptação e de recuperação de áreas degradadas por eventos extremos.

    Apesar das dificuldades de consenso, vários resultados relevantes foram alcançados. Destaca-se a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que combina recursos públicos e privados, repassando investimentos a países que preservam florestas tropicais. O Fundo já conta com compromissos de US$ 6,7 bilhões.

    Outro avanço importante foi a adoção de 59 indicadores de adaptação (de 100 propostos), fornecendo um instrumento para medir vulnerabilidades e progressos em áreas como água, alimentos, agricultura, saúde, biodiversidade, infraestrutura, subsistência, pobreza, além de dimensões transversais (financiamento, tecnologia e capacitação).

    Foram ainda aprovados 29 textos (adaptação, mitigação, financiamento e implementação). A agenda de ação recebeu 120 planos de aceleração para orientar políticas públicas, medidas de redução de emissões e fortalecimento da resiliência. 122 países apresentaram NDCs revisadas, embora a ambição seja insuficiente para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

    No financiamento climático, decidiu-se triplicar os recursos até 2035, apesar dos valores específicos não terem sido definidos.

    Outro avanço significativo foi a aprovação do Plano de Ação de Gênero, que amplia o orçamento sensível ao gênero e fortalece a liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais. As populações afrodescendentes foram incluídas em decisões como a Decisão Mutirão, indicadores da Meta Global de Adaptação e o programa de transição justa — uma demanda histórica. O movimento indígena obteve reconhecimento de seus direitos, incluindo o direito à terra.

    Esses resultados, especialmente sobre agricultura sustentável e segurança alimentar, serão debatidos pela Dra. Tatiana Abreu Sá, pelo Prof. Sergio Schneider e por Emiliano Milanez Graziano da Silva, com mediação do Dr. Clayton Campagnolla.

    Tatiana Deane de Abreu Sá é engenheira agrônoma, mestre em Biometeorologia, doutora em Ecofisiologia Vegetal, pós-doutora em Agroecologia. É pesquisadora do NEA Puxirum Agroecológico (Embrapa Amazônia Oriental) e professora colaboradora do INEAF/UFPA. Contribui com a Escola de Formação para Jovens Agricultores e integra a Rede Bragantina. Mantém trajetória dedicada ao fortalecimento da transição agroecológica na Amazônia.

    Sergio Schneider é professor titular de Sociologia (UFRGS), pesquisador 1A (CNPq). Realizou quatro pós-doutorados na Europa e atua em desenvolvimento rural, agricultura familiar, mercados e sistemas alimentares. Autor de extensa produção científica, foi presidente da SOBER e é vice-presidente da IRSA.

    Emiliano Milanez Graziano da Silva é engenheiro agrônomo (ESALQ-USP), mestre em ESG (FGV). Atuou nos três setores, coordenando programas de segurança alimentar e consultorias (comércio justo, agroecologia e sustentabilidade). Cofundador do Instituto Fome Zero, acumula 26 anos em projetos de desenvolvimento rural na América Latina.

    Clayton Campagnolla é engenheiro agrônomo, mestre e doutor, com pós-doutorado pela Unicamp. Foi presidente da Embrapa, diretor da ABDI e diretor da Divisão de Produção e Proteção de Plantas da FAO. Autor de mais de 120 publicações, coordena a área de Alimento e Clima do IFZ.

    Para mais informações, visite o Blog da COP30 no site do IFZ: ⁠https://ifz.org.br/category/cop30/

  • 🎙 Fome Zero Podcast – Episódio 1

    Pão do Povo da Rua por Ricardo Frugoli

    No episódio de estreia do Fome Zero Podcast, conversamos sobre um dos projetos mais inspiradores do país quando o assunto é solidariedade, alimentação e dignidade: o Pão do Povo da Rua, idealizado e coordenado pelo professor Ricardo Frugoli.

    Quem conduz a entrevista é o nosso membro fundador, Prof. Walter Belik, em um bate-papo emocionante sobre como surgiu o projeto, seu impacto nas ruas de São Paulo e a força transformadora da mobilização social.

    Depois da entrevista, te levamos para um tour exclusivo pelo projeto e apresentamos o trailer do documentário “A Fome Tem Pressa – o Pão do Povo da Rua”, dirigido por Zarella Neto.

    O Fome Zero Podcast é uma produção do Instituto Fome Zero, com produção, edição e locução de Gustavo Torres, filmagens de Renata Victal e coordenação de Antonio Cesar Ortega, Edward Magro e Renata Victal.

    🌟 Curta, compartilhe e siga o Fome Zero Podcast aqui no Spotify!

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    Obrigado ao Prof. Ricardo pela generosidade e a você, ouvinte, pela companhia. Até o próximo episódio!