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A goleada de 3 a 0 sobre o Haiti na sexta-feira (19) fez o Brasil assumir a liderança do grupo C e, sobretudo, trouxe tranquilidade e aliviou a pressão sobre os jogadores e o treinador Carlo Ancelotti, que gostou da evolução da equipe.
Elcio Ramalho, enviado especial da RFI à Filadélfia,
“A equipe jogou melhor na primeira parte, com mais qualidade e intensidade, acertando na frente. Melhoramos hoje, mas temos que melhorar para o próximo jogo”, disse Ancelotti logo ao final da partida contra os haitianos.
Matheus Cunha, que entrou como titular, aproveitou a oportunidade. Autor de dois gols, ele se emocionou ao comemorar o resultado junto com a família e falou da importância de ter vencido a segunda partida para os próprios jogadores.
“A gente tinha que ganhar, tinha que convencer. E não só o externo, mas o interno. A gente tinha dúvidas, somos seres humanos normais. E eu acho que uma vitória como hoje nos dá mais tranquilidade, permitindo que o melhor futebol apareça nas próximas rodadas”, afirmou.
ConfiançaVinícius Jr., autor do terceiro gol e eleito novamente melhor jogador em campo, resumiu a importância do bom resultado contra o Haiti.
“A vitória de hoje com três gols nos dá confiança para seguir evoluindo, evoluindo dentro da competição e tranquilidade para a próxima partida. O primeiro jogo foi um jogo totalmente diferente pelo peso da estreia. Hoje, todo mundo mais leve, um campo melhor também nos ajudou a fazer o nosso futebol. Esperamos poder seguir dessa forma, seguir evoluindo e melhorar dentro da competição, que é o mais importante.”
Vinícius Jr. também analisou as mudanças com a presença de Matheus Cunha em campo. “Quando o Cunha tirava um pouco o zagueiro e vinha jogar mais como meia, conseguimos atacar muito bem os espaços. Esse é o nosso melhor jeito de jogar, pois temos jogadores muito rápidos e conseguimos atacar a linha defensiva e machucar muito os adversários.”
Danilo, que entrou como titular na lateral direita, fez uma comparação com o jogo de estreia contra o Marrocos.
“O fator estreia, para a gente, pesou. O nosso primeiro tempo foi muito ruim. No segundo tempo, a gente já conseguiu ajustar. Mas a Copa do Mundo não te permite ter um tempo inteiro ruim. Então, hoje, desde o início, conseguimos fazer a partida que queríamos, que o jogo pediu. E isso nos dá confiança, como grupo, para o resto da competição”, disse.
Endrick conta com apoio da torcidaDas arquibancadas, surgiram no segundo tempo do jogo contra o Haiti gritos de torcedores pedindo a entrada de Endrick. O jovem atacante de 19 anos substituiu Matheus Cunha e chegou a fazer um gol, mas anulado por impedimento. Ao final da partida, ele reconheceu as manifestações de apoio que vem recebendo da torcida.
“Fico muito feliz, é uma coisa maravilhosa. A torcida está me apoiando bastante quando estou aquecendo. Estou escutando todo mundo, é algo incrível. A única coisa que eu posso fazer para compensar é, quando entrar em campo, fazer o que eu sempre fiz. Sempre pensar que é o último jogo, para dar tudo pela Seleção, dar minha vida pela Seleção”, disse Endrick.
Torcedores têm mais esperançaA vitória da seleção também agradou aos torcedores que foram até o estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia.
A paulista Renata Greco, que acompanhou os dois primeiros jogos, analisou: “Jogaram melhor, jogaram mais rápido, perderam menos a bola, mas ainda dá para melhorar.”
“Esse jogo de hoje deu alegria para nós. Mostraram mais comprometimento, criaram mais espaços com a bola e acertaram os passes”, opinou a carioca Nildeia Santana.
Seu marido, Amaury, diz ter previsto o resultado, e faz questão de manter o tom crítico: “Foi o resultado que eu previ, 3 a 0, e correspondeu. O time jogou muito melhor e estou confiante no próximo jogo. A seleção evoluiu um pouco, mas tem muito que melhorar”.
O pernambucano Felipe Cruz, que se programou para ver todos os jogos da seleção brasileira na fase de grupos, saiu entusiasmado.
“Foi maravilhoso, finalmente a seleção brasileira mostrou um pouco de empenho. Vinicius Jr. fez bonito hoje. Todo ano a gente começa sem esperança, mas quando começa o jogo e a gente vê a seleção jogar do jeito que jogou, a gente cria esperança”, destacou Felipe Cruz.
Com a vitória de 3 a 0, a Seleção Brasileira assume a liderança do grupo ao lado do Marrocos, que venceu a Escócia mais cedo por 1 a 0. Com melhor saldo de gols, o Brasil é líder.
A Seleção Brasileira inicia, a partir deste domingo, os treinos visando à terceira partida da Copa, contra os escoceses, no dia 24, em Miami.
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Os brasileiros foram maioria e coloriram as arquibancadas do MetLife Stadium de verde e amarelo, deixando bem menos visível o vermelho da torcida marroquina. Mas, para ver a estreia da seleção, muitos torcedores fizeram um grande esforço financeiro.
Elcio Ramalho, enviado especial a Nova Jersey
O casal André e Natália Sampaio, de Aracaju, planejou durante três anos a viagem para ver de perto a seleção brasileira em uma Copa. “Era um projeto dele que virou nosso”, destaca Natália. E o projeto não saiu barato. “Pagamos pelo jogo de abertura US$ 1.300, saiu caro”, admite André.
A brasileira Isabel, que mora em Miami, diz que o objetivo foi realizar um sonho, apesar do preço.
“Era um sonho. Não foi difícil de achar [ingresso], mas paguei caro, mais de US$ 2 mil”, afirmou.
Exibindo a camiseta da seleção, o jovem Vítor veio de Minas Gerais para acompanhar o Brasil na Copa. “Pagamos US$ 1.800, é um pouco caro, mas vai valer cada centavo pela experiência”.
O pai dele bancou as despesas para proporcionar um momento inesquecível ao filho. “O investimento é grande, mas vale o sacrifício. Para o padrão brasileiro saiu muito caro, mas vale porque é o sacrifício que a gente faz para a vitória dos nossos filhos”, diz.
Vinícius Jr. não ficou feliz com o resultadoQuem esperava uma goleada ou pelo menos uma boa vitória da seleção saiu frustrado.
Dentro de campo, a equipe de Carlo Ancelotti teve muita dificuldade, principalmente no primeiro tempo. O Marrocos dominou as jogadas, teve mais volume de jogo e abriu o placar em um contra-ataque fulminante.
O atacante Ismail Saibari foi lançado no meio da zaga e, na saída titubeante de Alisson, encobriu o goleiro brasileiro.
A torcida marroquina chegou a ensaiar até um olé quando o time trocava passes e levou mais perigo. Mas a seleção contou com uma jogada inspirada de Vinícius Jr. para empatar ainda no primeiro tempo.
Na etapa final, o Brasil teve mais posse de bola, foi mais ofensivo, mas criou poucas chances de gol e saiu com um resultado que decepcionou treinador e jogadores.
Eleito melhor em campo pelo belo gol, Vinícius Jr. admitiu que a seleção não jogou bem, e o resultado serviu de alerta. “A gente não está feliz com o resultado. O peso da estreia fez a gente jogar dessa maneira.”
O atacante disse que ele e a equipe têm que se adaptar às situações, pois todos os jogos contra adversários em uma competição como a Copa do Mundo são difíceis.
Outros jogadores, como Matheus Cunha, que entrou no segundo tempo, também não saíram satisfeitos com o que o Brasil mostrou dentro de campo.
“A gente tem que melhorar muito, não podemos começar da forma que começamos. Não posso dizer que o resultado não foi justo, mas o importante era não perder”, avaliou.
Brasil já não mete mais medoO jogador marroquino Chemsdine Talbi lamentou que o Marrocos não tenha vencido a partida e afirmou que o Brasil já não mete mais medo.
“Não temos medo do Brasil, temos bons jogadores e uma boa equipe. Por isso, não temos medo do Brasil nem de nenhuma outra equipe. Estamos aqui para ir o mais longe possível nesta Copa do Mundo”, declarou.
O Marrocos enfrenta a Escócia no segundo jogo da competição, enquanto o Brasil volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Haiti.
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Depois de duas semanas de jogos, o torneio de Roland-Garros chega ao fim neste domingo (7) com uma edição que já entra para a história do tênis brasileiro. Em 2026, o país alcançou seu maior número de vitórias em um único Grand Slam: 37 triunfos, superando as 26 conquistas do US Open de 2014. O desempenho se distribuiu entre simples, duplas, juvenil e cadeirantes e reflete um momento de renovação e consistência, coroado com o título de Luis Guto Miguel no torneio juvenil.
Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros
O grande destaque foi o jovem João Fonseca. Aos 19 anos, o carioca chegou às quartas de final e alcançou o melhor resultado recente de um brasileiro no torneio, algo que não acontecia nas fases mais altas da competição desde a era de Gustavo Kuerten. O tricampeão de Roland-Garros, inclusive, esteve presente em Paris para acompanhar e apoiar a nova promessa.
Fonseca também protagonizou uma das maiores surpresas da edição ao eliminar, de virada, o sérvio Novak Djokovic, maior campeão de Grand Slams da história. Na sequência, superou o norueguês Casper Ruud, duas vezes finalista em Paris.
Após a eliminação para o tcheco Jakub Mensik, o brasileiro avaliou de forma positiva a campanha e destacou o aprendizado ao longo do torneio.
“Eu me sinto bem. Foi um caminho muito bom. Duas semanas muito positivas, de muito trabalho duro e aprendizado. Eu não tinha expectativa e consegui um ótimo resultado. Consegui virar um jogo que estava quase perdido, totalmente dominado na segunda rodada… então fico feliz com a semana.”
A campanha projeta João Fonseca no cenário internacional e recoloca o Brasil em evidência no tênis masculino.
No simples feminino, no entanto, o resultado ficou abaixo do esperado. Principal nome do país, Beatriz Haddad Maia foi eliminada ainda na primeira rodada, após derrota de virada para a britânica Francesca Jones.
Stefani perde na semifinalNas duplas, o desempenho brasileiro foi mais consistente. A paulista Luisa Stefani chegou às semifinais ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, confirmando sua regularidade entre as principais especialistas do circuito.
Na sexta-feira (5) elas foram derrotadas pela dupla formada pela tcheca Katerina Siniakova e a americana Taylor Townsend.
Em entrevista à RFI após o jogo, Stefani analisou a derrota.
“Ontem à noite, eu tive dor de garganta, dor de cabeça. A energia talvez não seja a mesma, mas isso não justifica. O que mais me chateia é que eu queria ter tido mais disposição, uma execução melhor e ter enfrentado melhor essa dificuldade”, disse.
“É uma pena. Parece uma oportunidade desperdiçada", continuou. "Uma semifinal é sempre uma boa campanha, mas, conforme o torneio vai afunilando, o desafio fica cada vez maior. Então, é preciso manter o foco no que a gente vem fazendo bem, executar, e isso faltou hoje”, concluiu.
Entre os homens, o gaúcho Marcelo Demoliner avançou até as quartas de final nas duplas, ao lado do indiano N. Sriram Balaji, reforçando a presença brasileira nas fases decisivas. Ao fim da campanha, ele destacou a confiança adquirida.
“Feliz com a participação nas quartas de final inédita, que vai dar uma confiança boa para o decorrer da temporada. Agora é aproveitar essa confiança e ir para a grama, na próxima semana, que é o meu habitat natural, onde eu mais gosto de jogar.”
Torcedores marcaram presençaFora das quadras, a presença brasileira também chamou atenção. Durante as duas semanas de competição, torcedores com as cores verde e amarelo ocuparam o complexo esportivo na zona oeste de Paris.
O engenheiro civil Carlos Frazão se mostrou impressionado com a nova geração de atletas. “Pois é, muita gente boa nova surgindo no tênis. Acho que o João Fonseca ajudou muito essa nova geração a aparecer. A gente está torcendo para surgirem muitos novos ‘Joões Fonsecas’.”
A avaliação se repete entre outros torcedores. Para o administrador Cristiano França, nunca houve uma presença tão expressiva de brasileiros no torneio. “A nova geração… nunca vi tanto brasileiro em Roland-Garros. Depois do Gustavo Kuerten, agora estamos vendo muito mais brasileiros e espero que continue assim”, disse à RFI.
Nova geração: Luis Guto é campeãoEssa presença se reflete também entre os mais jovens. Naná, Victoria e Pedro estão entre alguns dos jovens nomes que se destacaram.
Mas a grande estrela foi o goiano Luis Guto Miguel, que aos 17 anos, venceu a sua primeira final de Grand Slam. ele derrotou o americano Michael Antonius, de 16 anos, por dois a zero, com parciais de 6/3 e 6/4.
“Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantendo a humildade, porque temos muito a fazer”, afirmou na entrevista coletiva após o título inédito. De Paris, Luís volta ao Brasil, onde deve continuar a celebrar sua conquista, mas já com o foco voltado para os próximos passos de sua promissora carreira.
“Seria um sonho voltar aqui no ano que vem jogando como profissional, mas, como eu falei, é preciso colocar muito trabalho duro, manter os pés no chão, aproveitar o momento agora, mas viver tudo passo a passo dessa trajetória, porque essa transição não é fácil. Trabalho duro é a chave do processo”, insiste.
Ele tem consciência de que sua conquista deve inspirar outros jovens tenistas, mas seu recado é firme e direto: “Eu acho que estou mostrando para a galera mais jovem brasileira que é possível trabalhar duro, acreditar no processo e nos treinadores”, afirma. Em entrevista à RFI, no sábado, declarou: "É um sonho, porque desde pequeno eu sonhava em estar jogando nestas quadras. Agora já sou número 1 do ranking mundial, então é muita coisa acontecendo".
Na semifinal, Luis Guto derrotou o conterrâneo e amigo, Leonardo França, outra bela supresa do torneio júnior. “Saio de cabeça erguida, em todos os jogos entreguei o meu melhor”, avaliou o tenista.
A gaúcha Pietra Rivoli, de 18 anos, é outro exemplo dessa nova leva.
Ela destacou o impacto de conviver de perto com grandes nomes do circuito. “Estar perto da Sabalenka, da Osaka, do João… ver o que eles fazem dentro e fora da quadra é muito inspirador. Jogar em uma Phelippe-Chatrier lotada faz a gente querer trabalhar ainda mais para chegar lá um dia”, disse em entrevista à RFI.
No balanço geral, Roland-Garros 2026 consolida uma participação positiva do Brasil, combinando resultados expressivos, presença em diversas categorias e o surgimento de um novo protagonista no cenário internacional.
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O PSG fez história com o bicampeonato da Liga dos Campeões da Europa e agora entrou para a galeria de lendas do futebol. E quem também se consolida como uma lenda do Paris Saint-Germain é o capitão brasileiro Marquinhos, que levantou a taça da Champions pela segunda vez seguida e ampliou a sua história de títulos e recordes no clube francês.
Tiago Leme, de Budapeste para a RFI
No fim do jogo em Budapeste, Marquinhos ainda mostrou classe e a postura de um líder. O zagueiro Gabriel Magalhães, do Arsenal, chutou para fora o pênalti decisivo que garantiu a conquista do PSG. Antes de comemorar com os companheiros, o capitão foi abraçar e consolar o compatriota no gramado.
"Eu me imaginei no momento em que eu perdi o pênalti também na Copa do Mundo, e é um momento muito difícil, uma responsabilidade muito grande”, explicou o craque. “A gente tem que ser muito forte pra sair desse momento, e não é diferente pra ele. Acho que ele queria muito ganhar esse título”, continuou.
“Eu simplesmente quis tirar cinco minutos da minha celebração para reservar esse tempo pra ele, para abraçar ele”, disse Marquinhos, salientando “a temporada incrível” do adversário. “Pela temporada que ele fez, foi um dos melhores zagueiros do mundo atualmente.”
O experiente Marquinhos, de 32 anos, e Gabriel Magalhães, de 28 anos, devem formar a dupla de zaga titular da seleção brasileira na Copa do Mundo deste ano.
Com o bi da Champions, Marquinhos chegou a 39 títulos com o PSG, e 42 na carreira, igualando Daniel Alves como o brasileiro com mais conquistas na história. Eles são superados apenas pelo argentino Messi, que ganhou 46 vezes. O zagueiro também é o jogador com o maior número de partidas disputadas pelo Paris Saint-Germain: são 523 jogos em 13 temporadas.
Exemplo para colegas de equipeÍdolo dos torcedores, Marquinhos também é um exemplo a ser seguido pelos companheiros de equipe. O lateral esquerdo Nuno Mendes falou sobre o capitão e não escondeu a felicidade em entrar pra história com o segundo título europeu.
"Se nós somos lendas, eu não tenho uma palavra para o Marquinhos. O Marquinhos, como é óbvio, é uma pessoa muito querida por nós, pelos colegas da equipe, pelo clube. E isso vê-se nas coisas que ele faz. Dá tudo pelo símbolo que representa”, comentou Nuno. “Nós seguimos este exemplo, porque o Marquinhos é um jogador incrível, um grande jogador e uma grande pessoa também", disse.
O meio-campista João Neves foi outro jogador português a elogiar a liderança do brasileiro.
"O Marquinhos, desde que eu cheguei, foi um jogador e acima de tudo, foi uma pessoa espetacular. Acarinhou-me, a mim e a todo o grupo, quem chega de novo. Marquinhos é um exemplo a seguir, não só dentro de campo, mas também fora", afirmou João Neves. "Fico muito contente que os adeptos tenham nos dado essas declarações. Passamos a ser lendas do clube. É por isso que nós jogamos futebol, nos divertimos, e depois as coisas boas vão surgindo naturalmente."
Jogo difícilA final deste sábado na Puskas Arena teve emoção. O Paris Saint-Germain conquistou a Champions pela segunda vez seguida, ao vencer o Arsenal dos pênaltis, por 4 a 3, em Budapeste. O bicampeonato veio em duelo difícil, depois do empate, por 1 a 1, no tempo normal e na prorrogação. A vitória confirma o clube francês como uma potência europeia.
Depois de conquistar o Campeonato Inglês após 22 anos, o Arsenal entrou em campo confiante. O time de Londres abriu o placar logo aos 6 minutos do primeiro tempo, com gol de Havertz. Dali em diante, o PSG teve controle total da posse de bola e mais finalizações. O empate do multicampeão na França veio aos 20 minutos da segunda etapa. Kvaratskhelia sofreu pênalti, Dembélé cobrou e marcou: 1 a 1.
No último lance do jogo, Barcola teve a melhor chance de virar para o Paris, mas perdeu. Na prorrogação, o desgaste físico obrigou substituições, como a saída de Marquinhos. Sem mais gols, a decisão foi para os pênaltis.
Nas cobranças, dois brasileiros tiveram papel decisivo. Lucas Beraldo converteu o último para o PSG, enquanto o zagueiro Gabriel Magalhães chutou para fora.
A festa parisiense tomou as ruas da capital da Hungria e na capital francesa, e vai continuar neste domingo, com celebrações no Campo de Marte, ao lado da Torre Eiffel, no palácio presidencial do Eliseu e no estádio Parque dos Príncipes.
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Começa neste domingo (24) a fase principal do torneio de Roland-Garros, o único Grand Slam disputado no saibro, com a presença de dois representantes brasileiros em quadra: João Fonseca, no masculino, e Beatriz Haddad Maia, no feminino. A edição deste ano é marcada não apenas pelas disputas em quadra, mas também por uma polêmica fora dela: os valores pagos aos jogadores e a divisão das receitas do torneio.
Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros
Roland-Garros é palco de uma discussão cada vez mais presente no circuito profissional de tênis: a divisão das receitas do esporte. Nos últimos meses, alguns dos principais nomes do circuito mundial passaram a pressionar os organizadores para aumentar a participação dos atletas nos lucros gerados pelas competições.
O debate ganhou força com a circulação de um manifesto assinado por jogadores de elite, entre eles o número um do mundo, Jannik Sinner, a líder do ranking feminino Aryna Sabalenka, além do sérvio Novak Djokovic e da americana Coco Gauff. A principal reivindicação é uma fatia maior das receitas totais.
Para 2026, Roland-Garros anunciou uma premiação recorde de € 61,7 milhões, cerca de 10% superior à do ano anterior. Os campeões de simples vão receber € 2,8 milhões cada, mais de R$ 16 milhões, enquanto os vice-campeões ficam com € 1,4 milhão. Já os atletas eliminados na primeira rodada garantem cerca de € 87 mil, o equivalente a R$ 505 mil.
Apesar dos números expressivos, jogadores consideram que a participação nas receitas ainda é limitada. Estimativas indicam que entre 14% e 15% da arrecadação total do torneio é destinada à premiação — proporção que, segundo os atletas, deveria se aproximar de 22%, em linha com outros eventos esportivos.
A diretora do torneio, Amélie Mauresmo, reagiu às críticas e reconheceu a importância do debate, mas destacou as especificidades do modelo francês. Em entrevista a jornalistas, da qual a RFI participou, ela reconheceu a tensão em torno do tema e lamentou a forma como o movimento foi conduzido, reiterando que o diálogo está aberto.
“Estamos um pouco 'tristes', entre aspas, com essa escolha, porque acaba penalizando todos os envolvidos no torneio — os jogadores, os fãs e a imprensa”, declarou. “A discussão foi lançada, será assunto de reuniões. Nós queremos conversar, trocar ideias, avançar. Cada um precisa dar um passo, mas estou confiante”, disse.
Mauresmo também destacou as particularidades do modelo de Roland-Garros, administrado pela Federação Francesa de Tênis (FFT), diferentemente de outros torneios do circuito. Segundo ela, a organização tem investido em melhorias estruturais e no aumento da premiação.
“Nós temos um modelo. O torneio pertence à Federação Francesa de Tênis, o que é muito diferente do que existe nos torneios da ATP, da WTA e mesmo de outros Grand Slams. Colocamos à disposição tudo o que podemos, no interesse dos jogadores. As infraestruturas melhoraram e os prêmios em dinheiro dobraram em dez anos”, afirmou.
"Não devo nada a ninguém", diz João FonsecaEm entrevista aos jornalistas, o brasileiro João Fonseca comentou sobre a polêmica dos prêmios. "Eu fui notificado disso, nenhum jogador chegou a falar comigo, mas eu sei sobre o protesto que eles estão fazendo", relatou. "Mas não tenho poder para opinar porque é só meu segundo Roland-Garros. Estou focando no meu jogo, não tenho do que reclamar", acrescentou.
João Fonseca chega à competição após uma estreia promissora em 2025, quando alcançou a terceira rodada — desempenho que alimenta as expectativas para esta edição. Ele fez uma comparação entre a estreia, ano passado, e agora. “Eu acho que, do ano passado para cá, é muito diferente. Sou um João completamente diferente. Com uma mentalidade diferente, as pressões são diferentes", avalia.
"Eu era um João que não devia nada a ninguém, sigo não devendo nada a ninguém, mas ninguém sabia o quanto eu poderia jogar. Eu era uma zebra no torneio", lembra. "E agora, mais concretizado no top 30, eu tenho que defender os meus pontos", continua. "Hoje sou um João mais maduro, sabendo lidar com a experiência de cinco sets. No final das contas, estou melhor mentalmente, fisicamente, tecnicamente. Tem tudo para ser um bom torneio", conclui.
O jogador também falou sobre o que aprendeu ao enfrentar os melhores do mundo, como Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e Alexander Zverev, em torneios este ano.
“O aprendizado é como esses caras lidam com a pressão super bem. Eles conseguem manter a calma nos momentos importantes, quando as coisas estão difíceis", continua. "Eu sou um jogador que bota bastante pressão no adversário, fazendo ele ficar em apuros, porque gosto de jogar agressivo", diz. "E eles se mantêm calmos, sabendo a hora de jogar com mais intensidade, de colocar as bolas para me fazer pensar", completa.
Bia Haddad tem nova equipeJá Bia Haddad Maia, semifinalista em Roland-Garros em 2023, busca reencontrar o melhor nível após um início de temporada irregular. Em 2026, ela acumula quatro vitórias e 15 derrotas. E acaba de mudar de técnico. Agora treina com o espanhol Carlos Martinez Comet. "Todos os jogadores buscam mudanças e melhorias, todas as mudanças são naturais, os relacionamentos têm um ciclo", disse em entrevistas a jornalistas, antes da estreia. "O que sempre me deu confiança é a tranquilidade de que eu estou fazendo o meu 100%", continuou.
Ela conta que passou por muitas mudanças nos últimos 18 meses. "É claro que o principal é a mudança de dentro para fora quando eu estou nesse ambiente, com essas pessoas, e é o que eu estou buscando agora. Estou querendo me escutar para saber quem eu quero ser desse ponto da minha carreira para frente", analisa Bia Haddad.
"Eu estou procurando a forma que eu quero jogar. Quando a gente muda a equipe, muda um pouco a parte técnica e estratégica. Eu quero ser a Bia com alguns ajustes, mas não perder a minha personalidade. Eu acho que perdi um pouco da agressividade e sobre isso a gente está trabalhando", explicou a jogadora.
"Eu jogo tênis porque eu gosto, porque eu amo. O resultado em si importa pouco nesse momento. E o que importa é eu estar concentrada para conseguir melhorar essas coisas, porque o meu nível de tênis já está começando a ficar alto de novo nos treinos. É uma questão de tempo", conclui.
Outros tenistas brasileiros, eliminados no torneio classificatório, acompanham a competição na torcida. “A gente sempre quer ver os brasileiros indo bem”, afirmou Thiago Seyboth Wild em entrevista à RFI.
Gustavo Heide também aposta em uma boa campanha dos compatriotas: “O João já mostrou do que é capaz. A Bia não vive o melhor momento, mas tem qualidade para voltar forte a qualquer hora.”
600 mil espectadores esperadosRoland-Garros é um dos torneios mais tradicionais do tênis mundial e um dos mais queridos pelos torcedores brasileiros. É disputado desde 1891, antes da era profissional da modalidade. Este ano, o evento deve atrair mais de 600 mil espectadores ao longo das duas semanas de competição.
Nas arquibancadas, o clima é de entusiasmo. Muitos aproveitam a viagem não apenas para acompanhar partidas, mas também para viver a experiência completa do torneio, que mistura esporte, lazer e turismo.
Foi o caso da brasileira Ana Beatriz Peixoto, que escolheu Roland-Garros para celebrar o aniversário ao lado de amigos. “Sempre foi um sonho. Eu jogo tênis desde pequena e, agora que moro na França, era a oportunidade perfeita”, contou. Para ela, o interesse crescente pelo tênis no Brasil também se reflete no público presente. “Com a Bia e agora o João, o Brasil está melhorando bastante. Tem uma geração nova forte chegando”.
Paulo Certec, professor de inglês, falou à RFI sobre a emoção de voltar ao templo do tênis parisiense. “Não é a minha primeira vez. Eu gosto bastante de tênis, já tive a oportunidade de estar aqui e estou feliz de ter voltado", disse. "João é a nossa grande estrela, espero que ele consiga no saibro chegar bem longe no torneio e nos dar mais uma alegria como o Guga deu em 2000 e 2001", acrescentou.
Gustavo Kuerten também foi vencedor do torneio em 1997. Entre os torcedores, o passado glorioso do tênis brasileiro segue presente. O nome do tricampeão em Paris ainda é frequentemente lembrado. “Quando dizemos que somos brasileiros, sempre vem a referência do Guga”, observa o arquiteto Felipe Simão. “E acho que temos um ‘tempero’ diferente na torcida”.
Se esse “tempero” vai se traduzir em resultados dentro de quadra, é o que os próximos dias em Roland-Garros irão revelar.
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O título do Paris Saint-Germain na temporada 2025/26 da Ligue 1, que é o campeonato francês, não chegou a ser uma surpresa. A conquista veio após a vitória de 2 a 0 sobre o Lens com uma rodada de antecipação na quarta-feira passada (13).
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Agora, o PSG volta a campo neste domingo para fazer o último jogo desta competição. O dérbi parisiense será no estádio Jean-Bouin contra o Paris FC, que este ano subiu para a elite do campeonato francês e eliminou da Copa da França o rival mais rico e mais famoso da capital.
Nas 33 partidas até o momento na Ligue 1, o PSG venceu 24, empatou quatro e perdeu apenas cinco. O clube tem o melhor ataque da competição com 73 gols, que foram marcados por 18 jogadores do elenco. A artilharia do Paris Saint-Germain neste campeonato ficou dividida entre Ousmane Dembélé, eleito melhor jogador do mundo na última votação organizada pela France Football e apontado como craque do campeonato, e Bradley Barcola; cada um marcou 10 gols.
Titular nos últimos seis jogos do PSG, Lucas Beraldo tem crescido de produção nesta reta final de temporada. O brasileiro, revelado para o futebol profissional pelo São Paulo, afirmou que não tem preferência por jogar de zagueiro, lateral ou volante.
“Independentemente do setor do campo que eu vá jogar, seja como zagueiro, volante ou lateral, acho que estou sempre pronto para ajudar a equipe, que é o mais importante. O Luis Enrique sabe extrair isso muito bem de todos os jogadores, mudando a posição e ajudando cada um nas novas funções. Ele está fazendo assim comigo e poder aproveitar isso é uma coisa incrível”, contou o zagueiro de origem, Beraldo.
A defesa é um dos pontos fortes do time nesta temporada. O Paris Saint-Germain não tomou gol em 18 dos 33 jogos na Ligue 1, comprovando a solidez do setor.
Mesmo estando no final da temporada, o técnico Luis Enrique promoveu a estreia de uma joia do clube contra o Lens. O zagueiro Dimitri Lucea fez seu primeiro jogo com o time profissional do PSG e falou sobre o sentimento de defender o atual campeão da Europa.
“É um orgulho imenso poder fazer parte da equipe da capital da França. É sempre um orgulho porque é um grande clube. Então, eu estou feliz por ter ajudado a equipe a buscar esta vitória diante do Lens”, afirmou o jovem de 19 anos.
Paredão russoEleito melhor em campo na partida que garantiu o título francês, o goleiro do PSG, o russo Matvei Safonov, teve uma atuação de gala.
“Gostaria de dar os parabéns para todo mundo que assistiu a este jogo e acompanhou a nossa temporada. Fizemos um grande trabalho e todos estamos muito felizes porque parte do nosso objetivo terminou nesta partida. Foi muito importante ganhar este jogo aqui", disse Safonov.
"O Lens merece respeito porque foi um jogo muito difícil para a gente. Então, foi muito bom sairmos daqui como campeões. Todos estão de parabéns."
Maior campeão da FrançaEste foi o décimo quarto título do Paris Saint-Germain no campeonato francês. O PSG é o maior campeão da história da competição, com quatro troféus a mais do que o Saint-Étienne. Neste ranking dos maiores campeões, o Olympique de Marseille está em terceiro, com nove títulos, logo à frente do Mônaco e do Nantes, ambos com oito.
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Esta conquista do PSG foi a quinta seguida na Ligue 1, um recorde na história do Paris Saint-Germain. O líder deste ranking é o Lyon, que conquistou sete vezes seguidas o campeonato francês entre 2002 e 2008.
O título também foi especial para o técnico Luis Enrique, que está no comando do PSG desde julho de 2023. O treinador espanhol chegou a onze troféus pelo clube e se tornou, ao lado de Laurent Blanc, o técnico mais vitorioso da história do PSG.
Apesar da importante marca pessoal, Luis Enrique reconheceu que o resultado do jogo em Lens poderia ter sido outro.
“É um resultado que talvez tenha sido injusto para o Lens porque eles mereceram mais que a gente. Mas nós mostramos novamente o nosso nível e a nossa ambição, que é muito importante para gerir esta fase final da temporada. Estamos felizes porque foram três anos bem difíceis. Neste, o Lens fez um campeonato muito bom. Além disso, jogar neste estádio em Lens foi muito importante porque no próximo ano serão duas das equipes que estarão disputando a Champions League”, afirmou Luis Enrique.
A um jogo da glória da Champions LeagueO foco do Paris Saint-Germain agora está na final da Champions League. Depois de eliminar Mônaco, Chelsea, Liverpool e Bayern de Munique nas fases mata-mata, o PSG chega confiante a mais esta decisão.
“A expectativa é sempre muito grande. A gente vai se preparar com calma para a final da Champions League. Então, a gente vai tranquilo para que possamos aproveitar bem tudo que envolva essa final”, garantiu Lucas Beraldo.
O jogo que vai coroar o campeão da temporada 2025/26 da Champions League será contra o Arsenal, melhor time da primeira fase da competição. A final entre os clubes francês e inglês será no dia 30 de maio na Arena Puskás, em Budapeste, na Hungria.
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O Paris Saint-Germain vai fazer a sua segunda final consecutiva da Liga dos Campeões – a terceira na sua história. O PSG é o atual campeão da Champions e vai jogar pelo bicampeonato da mais importante competição europeia. O elenco atual do Paris Saint-Germain, liderado pelo brasileiro e capitão Marquinhos, que fez 32 anos na última quinta-feira, segue fazendo história para se tornar o melhor PSG de todos os tempos.
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Aos 22 anos, Diogo Moreira vive sua primeira temporada na MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. O piloto brasileiro chega à elite depois de passar pelas categorias de base – Moto3 e Moto2 – e conquistar, em 2025, o título mundial da Moto2, um resultado inédito para o Brasil. “Depois de tanto esforço, está sendo um sonho”, diz Moreira em entrevista à RFI.
Luiza Ramos, da RFI em Paris
A promoção para a MotoGP em 2026 marca uma nova etapa da carreira do jovem, com motos mais potentes, corridas mais longas e um nível de exigência maior, tanto física quanto técnica.
A estreia de Diogo Moreira na MotoGP, pela equipe LCR Honda, na temporada de 2026, representa o fim de um jejum histórico para o Brasil, que ficou quase duas décadas fora do grid da elite da motovelocidade. Alex Barros, último representante brasileiro na categoria, se aposentou em 2007, quando competia pela equipe Ducati.
Neste fim de semana, de 8 a 10 de maio, Moreira vai disputar, pela primeira vez, uma prova da MotoGP no clássico circuito Bugatti, no Grande Prêmio da França, em Le Mans. A etapa foi palco da vitória de Johann Zarco em 2025.
“Depois de tantos anos, o pessoal no Brasil está muito animado. Eu acho que eu ter voltado para o Mundial, e ainda mais depois de ter ganhado o campeonato [Moto2] ano passado, fez o pessoal voltar a ver as corridas. Acho que está impulsionando muito mais o campeonato no Brasil, os fãs", diz. "Para mim está sendo uma honra também. Vou continuar fazendo o que estou fazendo e tentar melhorar a cada corrida. Está sendo uma motivação a mais”, afirma o piloto, natural de Guarulhos.
Além disso, Diogo passa a ser uma referência atual para uma nova geração que acompanha o esporte no país, justamente em um momento em que o motociclismo brasileiro busca se fortalecer, com o retorno do Brasil ao circuito internacional após mais de duas décadas fora do calendário do campeonato. A prova realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, no penúltimo fim de semana de março, contou com um público de quase 150 mil pessoas e reforçou o interesse do público local pela competição.
Diogo vive desde a adolescência na Espanha, quando decidiu se dedicar ao esporte. “Eu sempre sonhei em correr no Brasil e ainda mais na MotoGP. Para mim foi um fim de semana muito, muito emocionante, muita gente da minha família, muitos amigos. Foi muito legal para mim e para todos os brasileiros”, comentou ele, que foi o 13º colocado no Grande Prêmio do Brasil de MotoGP, em 22 de março.
Parceria com francês e amizade com grandes nomes da EspanhaNa competição, o brasileiro divide pista com alguns dos nomes mais reconhecidos da modalidade, como os irmãos espanhóis Alex e Marc Márquez, além de correr na mesma equipe do francês Johann Zarco, um dos pilotos mais experientes do grid.
“Eu acho que a gente faz uma boa dupla. A gente tenta sempre melhorar um com o outro. Agora, no momento, estou aprendendo muito mais com ele. Vai chegar um momento em que a gente vai conseguir aprender os dois juntos”, aposta o jovem talento.
Antes do GP da França neste fim de semana , Diogo ocupa a 17ª posição na classificação geral, entre 24 pilotos.
“Estou em uma fase de aprendizado da categoria, da moto, mas acho que a gente está fazendo um bom trabalho. Estou no melhor campeonato do mundo e na melhor categoria", comemora. "Mais do que isso é difícil. Então, a gente tem que ter calma agora e tentar melhorar a cada fim de semana”, completa.
Treinamento mais intenso na MotoGPNa Moto2, as motos têm motor único e padronizado, um tricilíndrico de 765 cc, com cerca de 140 cavalos de potência, atingindo velocidades próximas de 300 km/h, o que reduz as diferenças técnicas e valoriza a habilidade do piloto. Já na MotoGP, categoria principal do Mundial, as motos são protótipos de fábrica, com motores de até 1000 cc, mais de 250 cavalos e velocidades acima de 350 km/h. Por isso, a Moto2 é vista como uma categoria de formação, uma etapa intermediária em que jovens pilotos se desenvolvem antes de chegar à elite do motociclismo mundial.
Diogo Moreira conta que os treinamentos são mais intensos agora que está na MotoGP. “O fim de semana é muito mais curto, a gente tem menos tempo livre fora da moto. É quase o fim de semana inteiro em cima da moto. Mas também é o que eu sempre quis, então, estou me divertindo muito no momento. Fisicamente estou me preparando muito mais”, revela.
Ídolos e inspiraçõesO convívio diário com atletas consolidados faz parte do processo de adaptação à nova categoria, principalmente com Marc Márquez, campeão da MotoGP em 2025, em quem Diogo se inspira. “A gente tem uma boa relação, quando a gente vai treinar juntos. Desde que eu comecei na motovelocidade, eu o vi ganhar. Então, para mim é um ídolo”, destaca.
Além de Marc Márquez, o piloto também cita Ayrton Senna, ícone brasileiro morto há 32 anos e que Diogo não chegou a ver competir: "Desde o começo da minha carreira, ainda no motocross, eu sempre me inspirei na história do Ayrton Senna, que é muito interessante. Até hoje eu continuo entendendo um pouquinho mais da história dele. Por isso que eu sempre gostei, sempre vou gostar”, declara.
Ainda na quinta etapa do campeonato de 22 fases no total, que termina em novembro em Valência, Diogo mantém os pés no chão ao projetar o futuro.
“Eu estou bem satisfeito. Eu acho que a gente pode continuar melhorando ainda muito mais. Então, vai chegar com calma. A gente tem o campeonato inteiro pela frente. É muito cedo ainda para falar", avalia. "A gente tem que se concentrar nesse ano e tentar, a cada fim de semana, melhorar. O que for para o ano que vem vai estar bom.”
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A cerca de 40 dias do início da Copa do Mundo de futebol, a participação do Irã no torneio voltou a expor tensões diplomáticas no cenário internacional. Nesta semana, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmaram que a seleção iraniana estará presente na competição, apesar das controvérsias geopolíticas que envolvem o país.
Durante um congresso da FIFA realizado em Vancouver, no Canadá, Gianni Infantino foi direto ao confirmar a presença da seleção iraniana no Mundial: “Quero confirmar que o Irã participará da Copa do Mundo”, declarou o presidente da FIFA. “E, é claro”, acrescentou, “o Irã jogará nos Estados Unidos”.
Pouco depois, questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, respondeu em tom irônico, citando diretamente o dirigente da FIFA: “Se o Gianni disse isso, então estou de acordo”.
Para analisar o contexto político por trás desses anúncios, a reportagem da RFI ouviu Raphaël Le Magoariec, doutor em Geopolítica pela Universidade de Tours, na França, e especialista em Oriente Médio.
Segundo ele, Donald Trump foi colocado “diante de um fato consumado” e se mostra incomodado com a postura da FIFA, que tenta se afastar das disputas geopolíticas, especialmente em um momento de forte tensão na região.
“O presidente americano foi colocado diante de um fato consumado e, sobretudo, ele está muito incomodado com o discurso da FIFA, que deseja, como vimos na última quinta-feira (30), sair da geopolítica, especialmente desta geopolítica regional do Oriente Médio, que está atualmente pegando fogo”.
Interesses da FIFA acima dos conflitos internacionaisLe Magoariec lembra que Gianni Infantino tentou, durante a assembleia da FIFA, aproximar os presidentes das federações israelense e palestina, em uma tentativa de mediação simbólica. “Vemos claramente que o presidente da FIFA, que atribuiu o primeiro Prêmio da Paz da FIFA a Trump em dezembro, está incomodado com os desdobramentos e com toda a política de Donald Trump no Oriente Médio atualmente”.
Para o especialista, a iniciativa não teve sucesso, mas revela ambições políticas do dirigente máximo do futebol mundial. “Não funcionou, mas vemos muito bem que ele está tentando; podemos até nos perguntar se ele não tem vontade de obter ele próprio o Prêmio Nobel da Paz”, sugere.
Le Magoariec destaca ainda que, para Infantino, os interesses financeiros da instituição têm prioridade sobre os conflitos internacionais. “Para ele, o que conta é o lucro e enriquecer cada vez mais a FIFA. Portanto, todas as rivalidades geopolíticas devem silenciar para que o lucro prevaleça. Essa é a realidade dele”, opina.
Futebol e poder político no IrãDe acordo com o especialista, Gianni Infantino insiste em assumir um papel político no cenário internacional. Nesse contexto, o futebol iraniano não pode ser dissociado do poder político, nem dentro do Irã nem em outros países do Oriente Médio e do Golfo Pérsico.
Raphaël Le Magoariec lembra que a seleção representa oficialmente a República Islâmica do Irã e que a estrutura esportiva está diretamente ligada ao regime, já que “a federação iraniana é dirigida por Mehdi Taj, um ex-membro da Guarda Revolucionária”, detalha o especialista.
Segundo ele, o esporte é utilizado como instrumento simbólico de controle social.
“É preciso compreender que o futebol, a luta ou o voleibol são para o Irã elementos simbólicos de controle social.” Esse vínculo entre esporte e política não é exclusivo do Irã, afirma Le Magoariec. “Mesmo em outros países da região, nos países do Golfo Pérsico, não está dissociado da política e faz parte do simbolismo do poder, da encenação da potência e do controle social.”
Le Magoariec cita ainda declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que demonstrou preocupação com a composição da delegação iraniana que viajará aos Estados Unidos. “Foi por isso que Marco Rubio insistiu que o problema não eram os jogadores, mas sim a delegação. É preciso ver quem fará parte da delegação que irá viajar. É isso que causa preocupação”.
Onde o Irã vai jogar?Apesar da confirmação da presença do Irã no Mundial, permanece a dúvida sobre os locais dos jogos da seleção. O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas previstas para Los Angeles e Seattle.
Para Raphaël Le Magoariec, uma alternativa seria transferir os jogos para outro país-sede da Copa, como México ou Canadá. “Essa é realmente a solução: que sejam deslocados para outro país. Sabendo que o Irã deveria jogar especialmente em Los Angeles, onde vive a maior comunidade iraniana nos Estados Unidos.”
O especialista ressalta, no entanto, que a seleção iraniana não conta com apoio unânime da diáspora. Segundo ele, “uma parte da diáspora é contra esta seleção”.
Precedentes e riscos de contestaçãoLe Magoariec lembra que a Copa do Mundo de 2022, no Catar, ocorreu após a morte da jovem Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade iraniana por supostamente não usar o hijab de forma adequada. Na ocasião, muitos torcedores iranianos vaiaram a própria seleção, vista como representante do regime.
Para o especialista, a FIFA não demonstra a mesma preocupação neste novo Mundial.
“A FIFA tentou organizar os jogos em locais onde houvesse muitos torcedores, mas existe essa questão da contestação, pois grande parte da diáspora vê a seleção hoje como a seleção da Guarda Revolucionária”.
Casos recentes, como a desistência da delegação iraniana de participar do congresso da FIFA no Canadá, alegando problemas migratórios, reforçam como a Copa do Mundo que se aproxima segue profundamente marcada pela geopolítica.
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Esta semana promete ter fortes emoções em Paris. O PSG entra em campo na terça-feira (28) no Parc des Princes para enfrentar o Bayern de Munique, no primeiro jogo das semifinais da Liga dos Campeões.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
O Paris Saint-Germain é o atual campeão da Champions League e vai jogar pela terceira vez seguida as semifinais da Liga, um desempenho incomum para a maioria dos clubes, frisou técnico do Paris, Luis Enrique. "Isso é muito difícil de conseguir. Estamos orgulhosos do que fizemos até agora e queremos muito mais. Buscaremos, nos próximos anos, fazer a mesma coisa ou melhorar ainda mais", disse. "Nós sabemos que, no futuro, será difícil estar novamente numa semifinal ou até mais chegar mais adiante”, ressaltou o treinador do Paris Saint-Germain.
Na fase mata-mata desta edição, o PSG passou pelo Mônaco, eliminou o Chelsea – vingando a derrota na final do mundial de clubes de 2025 – e despachou o Liverpool.
Os jogadores do clube francês têm demonstrado confiança para a partida que será disputada nesta terça-feira, em Paris. O zagueiro brasileiro Lucas Beraldo, que já atuou de lateral e volante com a camisa do time parisiense, disse que o elenco está focado na Champions League.
“A expectativa é sempre a melhor possível. A gente conhece a qualidade do nosso adversário, então, a gente está se preparando da melhor forma possível porque esse mês vai ser importante para a gente, nesta temporada”, contou o brasileiro.
Osso duro de roerO Bayern de Munique tem sido uma pedra no sapato do PSG na Champions. Na final de 2020, o time alemão ganhou por 1 a 0 e foi campeão. Na temporada seguinte, foram dois jogos pelas quartas com uma vitória para cada lado e classificação do clube francês. Nas oitavas da edição de 2022/23, o balanço foi duas vitórias do Bayern sobre o PSG. Nesta temporada, no jogo disputado em novembro do ano passado na capital da França, nova vitória do Bayern: 2 a 1.
Para a partida desta terça-feira, o Bayern, campeão desta temporada da Bundesliga e finalista da Copa da Alemanha, terá pelo menos dois desfalques: o meia-atacante Serge Gnabry, lesionado na coxa direita e que não poderá disputar a Copa do Mundo pela seleção da Alemanha, e o técnico Vincent Kompany.
O ex-zagueiro do Manchester City e da seleção da Bélgica – ele estava em campo na partida em que os belgas tiraram o Brasil da Copa de 2018 – foi punido com cartão amarelo durante o jogo em que o Bayern eliminou o Real Madrid e está suspenso para a partida em Paris.
“Em termos de como vamos organizar o jogo contra o PSG, nós ainda estamos pensando. Para ser honesto, não estou feliz com o cartão amarelo que recebi no jogo contra o Real Madrid. O quarto árbitro está lá também para nos escutar", argumentou. "Em um determinado momento, teve um lance discutível e é normal que eu, como técnico do Bayern, fale com ele. Se a minha linguagem tivesse sido exagerada, eu aceitaria a punição, mas minha linguagem não foi desrespeitosa", afirmou o treinador do Bayern.
"A equipe vai a Paris para buscar um bom resultado. Eu só estarei à beira do campo no jogo da volta, em Munique. Eu tenho muita fé na equipe do Bayern e na comissão técnica para não apenas continuar, como para ganhar cada vez mais força e motivação”, revelou Kompany.
Mesmo com os desfalques do Bayern, o técnico Luis Enrique descartou qualquer favoritismo do Paris Saint-Germain.
“Nós somos igualmente favoritos desde o primeiro dia que jogamos a Champions League. Na verdade, não é importante saber quem é favorito. O importante é mostrar em campo o seu nível, e é isso que interessa.”
Apesar da boa fase, o treinador não quer nem saber se o Paris Saint-Germain desta temporada é melhor ou pior do que o PSG que foi campeão na última edição da Champions. “Isso não é importante. Eu arrisco a dizer que somos iguais. Nada mal. Eu realmente não estou preocupado se a gente é um pouco mais forte ou mais fraco. Para mim, estar mais ou menos no mesmo nível do que estávamos é incrível”, disse Luis Enrique.
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Mesmo tendo sido titular somente em alguns dos últimos jogos do PSG, o brasileiro Lucas Beraldo tem passado a maior parte da temporada no banco de reservas. Mas isso não incomoda o zagueiro, que ganhou destaque no futebol com a camisa do São Paulo.
“Eu acho que sou uma pessoa importante no clube, não só pela questão de jogar ou não, mas no dia a dia eu estou sempre fazendo o meu trabalho e dando o meu melhor. Cabe ao treinador escolher quem vai jogar ou não", comentou. "Minha parte está sendo bem feita e tem sido correspondida nos últimos jogos, quando eu estou conseguindo um pouco mais de minutagem. Espero ter mais essa sequência para ajudar ainda mais a equipe”, afirmou Beraldo, que fez o terceiro gol da vitória do Paris Saint-Germain sobre o Angers por 3 a 0 neste sábado (25).
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Impedido de estar à beira do campo nesta partida de ida das semifinais, Vincent Kompany não vai conseguir exibir seu vestuário, por vezes extravagante, na Cidade Luz.
“Sou muito mais discreto do que você imagina. Eu não faço tanto esforço para ser assim, de verdade. Eu tenho muita sorte de ter uma família que está cuidando também dessas coisas e um patrocinador que está aqui para deixar as coisas acontecerem. Eu só gosto de usar roupas confortáveis. Tudo que eu tenho, que eu uso, você pode encontrar em qualquer loja”, observou Kompany.
Sem o técnico humilde e bem-vestido para comandar o Bayern no Parc des Princes, o Paris Saint-Germain pode dar um importante passo para chegar a sua terceira final de Liga dos Campeões (2019/20 e 2024/25).
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O Paris Saint-Germain recebe neste domingo (19), o Lyon, no jogo de encerramento da 30ª rodada do campeonato francês. Enquanto o time parisiense busca manter-se isolado na liderança, o Lyon vai tentar um bom resultado para continuar na briga pelas melhores posições da tabela. O treinador do time lionês elogia a boa fase do brasileiro Endrick, mas faz mistério sobre se o atacante será titular.
Embalado pela vitória de 2 a 0 contra o Liverpool, em Anfield, que garantiu vaga na semifinal da Liga dos Campeões da Europa, o PSG entrará em campo menos pressionado do que seu adversário.
Líder isolado com 61 pontos e com um jogo a menos do que o Lens, segundo colocado, o time parisiense vê na vitória uma oportunidade de ampliar a vantagem para os concorrentes ao título.
A superioridade do PSG é incontestável. A boa fase do time, que vem também de duas vitórias seguidas no campeonato, faz os adversários temerem. O treinador do Lyon, o português Paulo Fonseca, confessou na entrevista coletiva antes da partida, que enfrentar o PSG exige uma preparação não somente física mas mental, para enfrentar uma equipe ofensiva e que, segundo ele, vive seu melhor momento.
“Acho que o PSG está no seu melhor momento da temporada. Eles também tiveram problemas físicos e lesões, mas agora contam com todos os jogadores. Não sei se todos estão disponíveis para jogar ou não, mas eles estão em um ótimo momento. Acho que este é o melhor momento do PSG”, disse Fonseca.
Segundo a imprensa esportiva francesa, a volta aos treinamentos do meio campista Fabien Ruiz é progressiva e talvez não entre em campo contra o Lyon. O treinador Luis Enrique ainda pode poupar o lateral Nuno Mendes e o atacante Desiré Doué, que sentiram leves contusões no jogo contra o Liverpool.
Mas as dúvidas não dissipam as preocupações do jogadores adversários. O zagueiro angolano do Lyon, Clinton Mata, não hesita em dizer que vai enfrentar uma equipe que é um verdadeiro “rolo compressor”. Mas o time pode surpreender, após a boa vitória contra o Lorient, em casa, por 2 a 0.
“Vamos enfrentar, diria, a melhor equipe do campeonato. Sabemos que é também um "rolo compressor". É uma equipe que tem muitas qualidades. Para nós, acho que o mais importante nesse tipo de partida é nos concentrarmos em nós mesmos. Acho que, a vitória contra o Lorient deu muito mais confiança para a equipe. Além disso, tudo é possível no futebol. De qualquer forma, vamos disputar essa partida dando o nosso melhor para tentar conquistar alguns pontos”, disse Mata.
Endrick “com confiança”Para tentar surprender o PSG em casa, os torcedores do Lyon esperam contar com a eficiência do brasileiro Endrick. Muito criticado por ter ficado seis partidas sem marcar gols, o brasileiro foi parar no banco, por escolha do treinador Paulo Fonseca.
Mas na vitória contra o Lorient, que encerrou uma série de derrotas do Lyon, Endrick foi decisivo. Ao entrar em campo na segunda etapa, deu um passe para Yaremchuck abrir o placar e também teve participação no segundo gol, marcado por Tolisso. A equipe chegou aos 51 pontos e está em quinto lugar na tabela.
Questionado sobre o papel de Endrick especialmente no últimos jogo do Lyon, o treinador Paulo Fonseca foi só elogios ao brasileiro.
“Ele entrou muito bem, deu mais confiança aos jogadores. Ele ajudou a equipe, foi decisivo e decidiu o jogo. Sei que é difícil ser decisivo em todos os jogos, mas ele jogou melhor do que nos outros", avaliou.
"No final da partida, analisamos muitas coisas e também precisamos levar em conta que foi um jogo contra uma equipe que defendia muito bem, sem deixar espaços. Neste momento, precisamos da criatividade de um jogador como o Endrik. Ele entrou, fez o que eu acho que ele sabe fazer de melhor, e pode ajudar a equipe neste momento”, acrescentou.
Paulo Fonseca admite que tem sido muito criticado pelas escolhas que tem feito. Cobrado sobre como pretende aproveitar melhor o brasileiro em campo, o português não quis revelar se o atacante será titular contra o PSG, mas destacou o bom momento do ex-palmeirense.
“Para um jogador como o Endrik, há outros momentos em que é mais fácil para ele entrar durante o jogo. Mas um jogador com a qualidade do Endrick, precisamos o tempo todo. Ele é muito importante em todos os momentos e acho que ele está melhor agora, com mais confiança”.
O jogo PSG contra o Lyon será no Parque dos Príncipes, em Paris, às 20h45 pelo horário local, 15h45 pelo horário de Brasília.
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O trágico acidente de Ayrton Senna, morto depois de bater seu carro na Curva Tamburello do autódromo de Ímola, durante a disputa do Grande Prêmio de San Marino de 1994, completa 32 anos no próximo dia 1° de maio. Nestas mais de três décadas, surgiram gerações que não tiveram a oportunidade de acompanhar o dia a dia da carreira do piloto brasileiro. Mas nem o tempo foi suficiente para apagar a imagem de Senna. A cada ano que passa, o legado do tricampeão mundial de Fórmula 1 se fortalece.
Marcio Arruda, enviado especial da RFI a Luxemburgo
Imagine agora, em 2026, ver de perto o verdadeiro carro que Ayrton Senna pilotou e venceu pela primeira vez na Fórmula 1? Este e outros modelos guiados pelo brasileiro podem ser apreciados em um único lugar na Europa.
Na capital de Luxemburgo, uma exposição sobre o brasileiro tricampeão mundial na virada dos anos 80 para os 90 atrai olhares de fãs da Fórmula 1. O novíssimo centro de convenções Gridx organiza a “Ayrton Senna Forever”, uma homenagem imersiva que reúne carros de competição e itens usados pela lenda brasileira em sua carreira.
“Nós trabalhamos com exposições temáticas e esta é a nossa primeira, que começou aqui no ano passado no nosso museu", explica o gerente da galeria 610 da Gridx, Alex Jacoby. "Queríamos começar com algo muito grande, muito especial. E o Ayrton Senna é uma lenda e muita gente adora o Senna. Então, era algo que queríamos fazer. E é uma grande honra ter esta exposição conosco agora”.
Máquinas voadorasCinco modelos de Fórmula 1 chamam a atenção de quem visita a mostra. Todos esses carros foram marcantes na trajetória do brasileiro, que disputou 11 temporadas na Fórmula 1 e foi contemporâneo de Niki Lauda, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Mika Hakkinen, Michael Schumacher e Alain Prost.
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Duas das três Lotus que Senna guiou na carreira estão em exposição.
A vedete é a Lotus-Renault 97T, carro nas cores preta e dourada que ajudou Senna a alcançar sua primeira vitória na F1, conquistada no GP de Portugal de 1985 disputado debaixo de um temporal.
A outra Lotus é o modelo 99T, da temporada de 1987. Naquele ano, o piloto brasileiro usou motores Honda e conquistou a primeira de suas seis vitórias no GP de Mônaco. O triunfo nas ruas do Principado foi o primeiro de um carro equipado com suspensão ativa, tecnologia que ficou mundialmente conhecida em 1992, ano em que os carros da equipe Williams dominaram a categoria.
“Temos todos os carros lendários dele, como a Lotus 99T e a 97T. Temos, também, a McLaren MP4/6 e um de seus últimos carros: a Williams FW16”, detalhou Jacoby.
O modelo da Williams, que não é o carro que sofreu o acidente na Tamburello, foi pilotado pelo brasileiro em 1994. Este F1 está em um pedestal ao lado de uma barra de direção fabricada pela Williams, peça similar àquela que causou o acidente do brasileiro no GP de San Marino daquele ano.
A McLaren, segundo o gerente da galeria 610 da Gridx, é o único carro do salão que não foi pilotado pelo tricampeão.
“Todos os carros que estão aqui são originais, exceto o MP4/6, que acabou sendo vendido e, por isso, não podíamos mais ficar com o carro. Mas todos os outros que estão aqui são os que foram pilotados por ele.”
A McLaren-Honda exposta na “Ayrton Senna Forever” é o modelo que foi para as pistas na temporada de 1991, ano em que Ayrton conquistou seu terceiro título mundial de Fórmula 1 por esta escuderia inglesa; antes, ele foi campeão em 1988 e 1990. O carro que está neste salão é original da equipe britânica, mas foi adesivado para ficar com a identidade visual que o brasileiro usou naquela temporada, como o número um no bico e no aerofólio traseiro, e o nome de Senna com a bandeira do Brasil no santantônio.
Além dos três telões que exibem continuamente imagens de momentos que construíram o mito Ayrton Senna, a mostra resgata grande parte da carreira do piloto brasileiro na Europa, inclusive seus primeiros anos antes de entrar na Fórmula 1. O Fórmula Ford 2000, com o qual Senna foi campeão britânico e inglês em 1982, é uma das raridades que estão no local.
Outra curiosidade é um carro menos badalado pelos fãs do brasileiro: o Toleman-Hart TG184 que Senna guiou no ano de sua estreia na Fórmula 1, em 1984. Jacoby lembra que esse foi um dos seus primeiros carros de Fórmula 1. "Temos exatamente aqui aquele carro, aquele chassi que competiu em Mônaco”, detalha.
Aquela corrida nas ruas encharcadas de Monte Carlo foi inesquecível para a torcida brasileira, que até hoje aposta que Senna seria o vencedor, caso a prova não tivesse sido interrompida antes da metade. Além do segundo lugar no GP de Mônaco, Senna conquistou outros dois pódios com a Toleman naquele ano: um terceiro lugar na Inglaterra e outra terceira colocação em Portugal.
Além dos carros de Fórmula 1 e de outras categorias, é possível admirar objetos que foram usados pelo tricampeão mundial, como bonés, balaclavas – aquelas máscaras que os pilotos usam sob o capacete para se proteger do fogo, em caso de incêndios –, luvas, sapatilhas e capacetes de diferentes anos.
Há também um espaço com macacões de diversas temporadas e algumas raridades, como o usado por Senna no campeonato mundial de kart de 1979, quando ele foi vice-campeão. Outra curiosidade é o modelo vestido pelo piloto em testes particulares da Lotus no Estoril, em Portugal, em 1987.
“Esta exposição mostra capacetes e motores de kart que ele usou. O motor Lamborghini que ele testou com uma McLaren também está no nosso museu. Além disso, temos um monte de coisas interessantes, como um relógio TAG Heuer que ele esqueceu uma vez num hotel na Itália”, revelou.
Apesar de ter competido na temporada de 1993 com a McLaren-Ford, o brasileiro fez uma sessão de testes com o modelo da equipe equipado com motor Lamborghini, em setembro daquele ano, no autódromo do Estoril, em Portugal.
O relógio foi esquecido em 1991 por Ayrton num hotel na cidade de Castel San Pietro Terme, onde ele se hospedava nas semanas do Grande Prêmio de San Marino, na região da Emília-Romagna, na Itália.
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“Para mim, o Senna é lendário. A tragédia que aconteceu com ele, de certa forma, foi muito importante para o desenvolvimento da segurança da Fórmula 1. Depois do acidente dele, muita coisa mudou para tornar a F1 mais segura, dando maior atenção à segurança dos pilotos”, explicou.
Para poder visitar a “Ayrton Senna Forever”, é preciso correr. A exposição está na reta final e próxima da bandeira quadriculada. A mostra dos carros e objetos que ajudaram Ayrton Senna a lapidar sua genialidade vai acabar no próximo dia 10 de maio.
A exposição “Ayrton Senna Forever” é um mergulho na carreira do brasileiro, que hoje, mais de 30 anos depois de sua morte, continua a inspirar pilotos e fãs não só no Brasil, mas em todo planeta.
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Um nome que é sinônimo de automobilismo para o Brasil está perto da Fórmula 1. Em poucos anos, mais um Fittipaldi pode estar no grid da categoria. Emmo é o mais jovem piloto da família Fittipaldi, que há décadas se confunde com a história do esporte a motor. Ele é filho de Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1 (1972/74), duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis (1989/93) e campeão da Indy (1989).
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Aos 19 anos, Emerson Fittipaldi Jr, conhecido como Emmo, acabou de estrear na Fórmula 2, último degrau antes da Fórmula 1. Depois de passar pela Fórmula 4 italiana, pela Regional Europeia, que também é chamada de Freca, e pela Eurocup-3, Emmo contou em entrevista exclusiva à RFI o motivo de ter pulado a Fórmula 3 e ido direto para a Fórmula 2, que é o caminho mais comum entre os pilotos.
“A gente teve uma oportunidade muito boa na equipe AIX Racing de poder dar esse pulo grande para a Fórmula 2. A gente sabe que a F2 é um mundo muito pequeno, com apenas 22 carros. Então, não é sempre que você tem um assento para guiar", explicou. Por isso, ele não deixou escapar essa primeira oportunidade que teve e trabalhou muito para estar preparado para esse "grande passo".
"Eu fui de um carro com 280 cv (de potência do motor) para quase 700 cv. Então, é muita diferença. De uma categoria para outra, é um grande pulo”, comenta.
A temporada 2026 da Fórmula 2 começou na Austrália, no começo do mês passado. Emmo avaliou sua estreia na nova categoria.
“A minha corrida em Melbourne foi a minha estreia na Fórmula 2 e também a minha primeira corrida em fim de semana de Fórmula 1. Então, é sempre uma oportunidade legal de estar na mesma pista, horas antes da Fórmula 1", lembrou.
Segundo ele, essa foi uma oportunidade de ficar mais perto do sonho, que é a F1. "Minha estreia foi muito positiva porque a gente conseguiu tudo que precisava fazer, da questão de aprendizado até a adaptação ao regulamento da Fórmula 2. Acredito que a cada corrida a gente vai dar passos para a frente e ir melhorando cada vez mais”, disse.
Guerra impõe alterações no calendárioO piloto brasileiro iria voltar ao cockpit agora em abril, mas a Fórmula 2 cancelou as corridas do Bahrein e da Arábia Saudita por causa da Guerra do Irã. O cancelamento encurtou o calendário e aumentou a distância para a próxima etapa, que agora será em Mônaco, no primeiro fim de semana de junho. Até lá, nada de descanso e foco total no trabalho.
“Vai ter um break bem grande entre Melbourne e Mônaco. Sempre entre as corridas, eu faço um trabalho físico e também no simulador. Hoje em dia, existe o simulador e a gente pode andar muito para conhecer as pistas. Aí eu fico andando, andando… até conseguir melhorar o meu tempo. E isso vai me ensinando que não há limite; sempre posso melhorar com o treino”, acredita o jovem piloto.
Tendo bons resultados na Fórmula 2, que é o Enem da Fórmula 1, o piloto de 19 anos prevê que em pouco tempo chegará na categoria onde o pai é bicampeão.
“Em dois anos, no máximo, teremos algumas notícias. É preciso andar bastante na Fórmula 2 e mostrar que tenho potencial para entrar na Fórmula 1", antecipa. Ele relembra que a família Fittipaldi é uma das maiores no automobilismo. Na Fórmula 1, é até agora "a família que teve mais pilotos", garante.
"Se chegarmos a ter cinco (pilotos), aí eu acho que ninguém vai alcançar a nossa família. Ela vai ser, para sempre, a maior família da história da Fórmula 1. Então, eu acho que é fantástico se eu puder alcançar esse meu sonho. O importante, agora, é focar e dar o meu melhor para que, um dia, eu possa estar na F1. Aí eu estarei muito contente”, prevê.
Os Fittipaldi sonham em 'fazer a quina'Se realizar o sonho de guiar na F1, Emmo se tornará o quinto Fittipaldi a competir na categoria. Como se diz no esporte, a família vai fazer a quina - fazendo referência ao jogo de loteria. Os quatro que passaram pela F1 são seu pai Emerson, que pilotou para as equipes Lotus, McLaren e Copersucar/Fittipaldi de 1970 a 1980, seu tio Wilsinho, que guiou para Brabham e Copersucar/Fittipaldi entre 1972 e 1975, seu primo Christian, que foi piloto da Minardi e da Footwork de 1992 a 1994, e seu sobrinho Pietro, que competiu pela Haas em dois Grandes Prêmios em 2020.
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Com DNA da velocidade, Emmo revelou o assunto que é sempre conversado em família.
“É sempre muito divertido estar com meus familiares. Não tem nenhum lugar que a gente esteja que a gente não fale sobre F1. Com Christian, Enzo e Pietro, o assunto sempre é corrida”, revelou.
Para chegar à Fórmula 1, Emmo Fittipaldi sabe que o caminho é longo e difícil, principalmente para quem carrega um sobrenome de peso.
“É um nome icônico na Fórmula 1 e, por isso, é óbvio que vem com pressão. As pessoas olham um pouquinho mais para mim do que para outros, mas no final das contas, na hora da corrida, não penso na diferença do nome. Eu estou lá para dar o meu melhor”, afirmou.
Ídolo em casaO filho de Emerson Fittipaldi revelou quem é seu ídolo nas pistas.
“Meu pai é minha maior inspiração e é por causa dele que estou correndo. Quando eu era pequenino, vi fotos e vídeos dele e sempre quis fazer o esporte que ele fez. Foi meu pai quem me mostrou o esporte pela primeira vez quando eu tinha 7 anos. Quero chegar aonde ele chegou na carreira. Ele brinca comigo que talvez eu possa ser melhor do que ele, mas primeiro eu preciso chegar na F1. Depois a gente conversa se vou ser melhor ou não”, revelou Emmo.
“Ele é um pai que está sempre me ajudando e me ensinando porque ele tem muita experiência não só de corrida, mas de vida. É incrível ter um pai como ele”, completou.
Nascido em 2007 na Flórida, Estados Unidos, o piloto escolheu a bandeira do Brasil para competir nas pistas. E isso não faz dele menos brasileiro do que o pai Emerson ou os tricampeões de F1 Ayrton Senna (1988/90/91) e Nelson Piquet (1981/83/87). Campeão da Fórmula E, Nelsinho Piquet, assim como Max Wilson, que é campeão da Stock Car, nasceram na Alemanha e carregam com orgulho a bandeira brasileira nas pistas. Outro exemplo é Hermano da Silva Ramos, o Nano, que é o piloto mais velho do mundo que já acelerou na Fórmula 1. Nano nasceu há 100 anos na França e competiu nos anos 50 da F1 com a bandeira do Brasil.
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Sonhando com uma Fórmula 1 bem diferente daquela de Hermano, Emmo disputa a atual temporada da F2 com o compatriota Rafael Câmara, que é piloto da academia da Ferrari. Atualmente, o filho do Emerson não está na melhor equipe da categoria, mas o jovem acredita que está no caminho certo.
“Para 2026, a equipe e eu queremos aprender bastante. Quero evoluir em todos os procedimentos que a gente tem de fazer num fim de semana de corrida. Tenho certeza de que a competição contra pilotos excelentes vai melhorar muito a minha pilotagem. A minha meta para esse ano é aprender, trabalhar muito com a equipe e evoluir ao máximo”, afirmou Emmo Fittipaldi.
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A derrota para a França esfriou a empolgação brasileira para a Copa do Mundo. Esta foi a primeira vez que o técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, enfrentou uma equipe europeia desde que assumiu o comando da seleção brasileira, em maio do ano passado. É bem verdade que o Brasil entrou em campo desfalcado de alguns jogadores que são considerados titulares. Além do resultado do amistoso disputado em Boston, nos Estados Unidos, o desempenho apresentado em campo preocupou a torcida brasileira.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Apesar de ter perdido a partida por 2 a 1, o treinador italiano da seleção confia no esquema de jogo com quatro atacantes e um meio de campo mais defensivo.
“Se tivermos de avaliar a seleção com quatro atacantes, a equipe teve um bom equilíbrio porque o Ederson fez apenas uma defesa difícil. A verdade é que tomamos gols em dois contra-ataques com pouca vigilância defensiva dos jogadores de trás. Na frente, o desempenho está muito bom porque o trabalho defensivo de todos foi satisfatório. E é por isso que eu falo do único chute perigoso que parou no Ederson. A equipe estava bem equilibrada”, afirmou o treinador do Brasil.
Além de citar o sistema defensivo brasileiro, Ancelotti falou quantos zagueiros pretende convocar para a Copa.
“Os zagueiros estão mais ou menos definidos. Nesta data-Fifa, temos três zagueiros novos: Léo Pereira, Bremer e Ibañez. Vamos avaliar nem tanto a condição física, mas como eles se comportam com o grupo. É claro que todos os três têm qualidades para estar na Copa do Mundo. Para a Copa, vamos convocar quatro ou cinco zagueiros. Também vamos levar em conta que um desses zagueiros pode, em algum jogo, atuar como lateral-direito”, revelou Ancelotti.
O técnico do Brasil demonstrou satisfação com o futebol que os atacantes Vini Jr. e Raphinha têm apresentado.
“Raphinha jogou bem, mas depois teve um problema no fim do primeiro tempo e tivemos de tirá-lo da partida. O Raphinha teve oportunidades e se movimentou bem sem a bola. O Vini é perigoso; ele pode não ter marcado, mas um atacante que sempre pode fazer gol. O trabalho feito pelos dois está muito bom”, analisou o treinador italiano.
No entanto, quem tem feito um ótimo trabalho é a França. Antes do amistoso, o técnico Didier Deschamps elogiou a seleção brasileira. Mas quando o árbitro apitou o início da partida, a França mostrou que tem muita determinação e obediência tática, além de diversos jogadores de útima qualidade.
A vitória da atual vice-campeã mundial sobre o Brasil deixou a torcida e a imprensa francesas empolgadas. As opções ofensivas da França deixam os franceses sonhando com o tricampeonato em Copas.
Ekitiké, o carrasco francês da vezAutor do segundo gol francês no amistoso, o atacante Hugo Ekitiké revelou ter se inspirado no camisa 10 e companheiro de seleção Kylian Mbappé.
“Construímos um bom contra-ataque onde o Olise se deu bem em cima do defensor. Ele teve qualidade para passar a bola para mim. Na hora não temos muito tempo para pensar, mas lembrei do primeiro gol do jogo, quando o Mbappé deu uma cavadinha. Então, eu tentei fazer o mesmo e funcionou", revelou.
Hugo Ekitiké entrou para a galeria de carrascos franceses da seleção brasileira, que inclui nomes de peso, como Zinedine Zidane, Michel Platini e Thierry Henry.
Esta vitória em 2026 colocou fim ao jejum francês de 15 anos sem vitória em jogos contra o Brasil.
"Tivemos o prazer de conquistar uma grande vitória neste clássico contra uma grande seleção. Sempre estive pronto para este tipo de jogo de futebol. É um confronto que eu assistia na infância e acho que todo mundo também assistia na televisão. Então, sou muito grato pelo que aconteceu e vou continuar trabalhando. Temos outra partida e o tempo passa muito rápido”, declarou o francês Ekitiké, que atualmente defende as cores do Liverpool.
A seleção francesa vota a campo no domingo (29) em Landover para enfrentar a Colômbia também em jogo amistoso de preparação para a Copa.
Gosto amargoO Brasil também tem outro jogo. A seleção volta a campo na terça-feira, dia 31 de março, desta vez na Flórida, para encarar a Croácia. A última vez que as duas equipes se enfrentaram, o resultado teve um gosto amargo para o Brasil. Na Copa de 2022, a seleção foi eliminada nos pênaltis para os croatas.
Porém, o histórico é favorável à equipe pentacampeã mundial. Foram cinco jogos até momento, sendo que o Brasil conquistou três vitórias e colecionou dois empates.
Autor do gol em cima dos croatas na última Copa, Neymar não foi convocado por Ancelotti. Questionado sobre a ausência do camisa 10 do Santos, o treinador não falou muito sobre o assunto e foi direto ao ponto.
“Agora temos de falar a respeito dos jogadores que estão aqui e que deram tudo em campo. Eles trabalham muito e estou bem satisfeito. Agora a gente vai se preparar para o próximo jogo contra a Croácia”, disse o técnico sem mencionar qualquer jogador brasileiro.
Carlo Ancelotti acredita que o Brasil não é inferior a nenhuma seleção.
“Podemos competir contra as melhores equipes do mundo. E disso eu não tenho dúvida. Então, estou convencido que brigaremos na Copa do Mundo com toda a nossa energia.”
Mais uma vez, Carlo Ancelotti deixou claro que ainda não definiu os 26 jogadores brasileiros que irão para a Copa do Mundo. A lista, que será divulgada no próximo dia 18 de maio, pode ter novidades.
“Novidades? Eu não sei. Temos de olhar para os próximos dois meses, quando as competições pelo mundo mostrarão os jogadores que podem estar com a seleção brasileira na Copa do Mundo. Há muita concorrência em todas as posições”, afirmou o treinador italiano.
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Antes de estrear no Mundial contra o Marrocos, no dia 13 de junho, a seleção disputará dois amistosos: o primeiro será no dia 31 de maio contra o Panamá, no Maracanã, principal estádio do Rio de Janeiro. O segundo está marcado para 6 de junho contra o Egito, em Cleveland, nos Estados Unidos.
A 23ª Copa do Mundo será disputada entre os dias 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, no México e no Canadá. O Brasil, maior vencedor em Copas com cinco títulos, vai em busca do hexacampeonato. Um sonho que os brasileiros perseguem desde 2006.
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A semana promete mexer com corações brasileiros e franceses. Uma das maiores rivalidades do futebol mundial entra em campo na próxima quinta-feira (26). O amistoso entre Brasil e França vai ser disputado em Boston, nos Estados Unidos, a partir das cinco horas da tarde, no horário de Brasília. É o galo contra o canarinho pistola, como o mascote da seleção é chamado carinhosamente pela torcida.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Nesta semana, tanto Brasil quanto a França divulgaram as listas de convocados. Se o assunto na CBF foi a ausência de Neymar, na sede da federação francesa, em Paris, sobram elogios para a seleção brasileira.
O técnico Didier Deschamps, que foi campeão do mundo pela França como jogador na final da Copa de 1998 contra o Brasil, falou que enfrentar a "seleção", como os franceses se referem ao Brasil, é sempre especial.
“Quando a França enfrenta o Brasil é sempre um momento especial. Eu sei pelos meus jogadores e por ter falado sobre isso com alguns deles. Sem querer minimizar a importância de outras seleções, eles me dizem que é diferente enfrentar equipes de segunda ou terceira prateleira e encarar o Brasil. E isso fala por si só, também, porque o Brasil é a terra do futebol. Vai ser um grande duelo”, resumiu Deschamps.
Na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, o técnico da seleção, Carlo Ancelotti, divulgou a lista dos 26 jogadores que vão enfrentar a França e a Croácia nos dias 26 e 31 de março, respectivamente. O treinador deixou Neymar de fora mais uma vez.
“Neymar com a bola nos pés está muito bem, mas ele tem de melhorar fisicamente. Para a comissão técnica e para mim, ele não está 100%. Então, ele tem de trabalhar para ficar 100% fisicamente. A comissão vai assistir aos jogos dele nos próximos meses e estará atenta. Estamos fazendo uma avaliação física, e não técnica”, explicou Ancelotti.
Didier Deschamps atento à lista de AncelottiEm Paris, Deschamps deu a entender que esperava velhos conhecidos na lista de Ancelotti.
“O Carlo (Ancelotti) teve escolhas difíceis para fazer. Eu vi a lista dos 26 e percebi que não tem alguns jogadores importantes; talvez não estejam 100% fisicamente”, opinou o francês.
Neymar, titular do Brasil nas últimas três Copas, não foi o único jogador veterano de seleção que ficou de fora da lista. O zagueiro Éder Militão (Real Madrid), o lateral-esquerdo Caio Henrique (Mônaco), o lateral-direito Vanderson (Mônaco), o volante Bruno Guimarães (Newcastle) e o meia-atacante Rodrygo (Real Madrid) estão lesionados e não foram chamados pelo treinador do Brasil. Revelado pelo Santos, a contusão do camisa 11 do Real Madrid é a mais séria, já que tirou qualquer possibilidade de Rodrygo disputar a Copa do Mundo deste ano.
“O Rodrygo teve uma lesão séria, que não lhe permite jogar a Copa do Mundo. É uma pena. Ele tem tudo para jogar outra Copa do Mundo; tem tempo para mostrar todas as suas qualidades, como tem demonstrado até hoje. Falei com ele e desejei que se recupere logo porque a seleção está esperando por ele na sequência da Copa do Mundo”, revelou Ancelotti.
O atacante Estêvão, artilheiro da seleção na Era Ancelotti com cinco gols em oito jogos, está se recuperando de uma lesão e também não foi convocado.
Com tantos desfalques, Carlo Ancelotti afirmou que ainda não definiu os 26 jogadores brasileiros que vão disputar a Copa.
“Temos dúvidas na zaga e no meio de campo. No ataque, temos poucas. Além disso, temos de levar em conta a chance de lesão porque temos dois meses de competições muito intensas na Europa e no Brasileirão. Estamos bem focados na avaliação de todos. Os jogadores que não estão nesta lista podem estar na próxima, que será a convocação para a Copa”, revelou o técnico.
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Nesta última lista antes da convocação para a Copa do Mundo, Ancelotti chamou cinco jogadores que farão parte da seleção brasileira pela primeira vez: Danilo (Botafogo), Gabriel Sara (Galatasaray), Igor Thiago (Brentford), Léo Pereira (Flamengo) e Rayan (Bournemouth), que foi elogiado por Ancelotti.
“Rayan é um jogador potente, com qualidade e boa atitude em campo. Ele se apresentou muito bem numa liga difícil, como é a Premier League. Ele é jovem e acredito que tem futuro na seleção. Não sei se para a Copa do Mundo deste ano. Pelo que ele está fazendo, ele merece estar aqui”, disse o treinador italiano sobre o atacante de 19 anos, que foi revelado pelo Vasco.
Carlo Ancelotti e Didier Deschamps são velhos conhecidos. Dois anos antes de se aposentar como jogador, o treinador italiano comandou o então meia francês em 1999 na Juventus de Turim. Deschamps lamentou o pouco tempo que trabalharam juntos.
“É um treinador que conheço bem. Eu trabalhei com ele, mesmo que por pouco tempo, na Juventus de Turim. Foram apenas seis meses”, recordou Deschamps.
Favoritismo na CopaPara o técnico francês, a seleção brasileira é uma das favoritas a levantar a taça na próxima Copa do Mundo.
“São duas grandes seleções, que têm muito respeito, mas, evidentemente, o Brasil é um dos candidatos e vai buscar o título na próxima Copa. Por isso, será um confronto muito bom”, prevê o treinador.
Deschamps já anunciou que deixará o comando da seleção francesa depois do Mundial deste ano. O técnico de 57 anos é o único profissional de futebol vivo que já conquistou título de Copa do Mundo como jogador e também como treinador.
Apesar dos últimos resultados desfavoráveis ao Brasil contra a França em Copas do Mundo – eliminações em 1986 e 2006, além do vice em 1998 –, os brasileiros levam vantagem neste confronto, que é historicamente equilibrado: são sete vitórias brasileiras, cinco triunfos franceses e quatro empates.
A convocação dos 26 jogadores que irão à Copa do Mundo de 2026 acontecerá no dia 18 de maio.
No dia 31 do mesmo mês, a seleção brasileira vai disputar um amistoso contra o Panamá, no Maracanã, no Rio de Janeiro. O último jogo do Brasil antes da Copa será contra o Egito, no dia 6 de junho, em Cleveland, nos Estados Unidos.
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O Brasil está no grupo C da Copa do Mundo, que vai ser disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá. A seleção vai estrear na competição no dia 13 de junho contra o Marrocos, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). A segunda partida será contra o Haiti, na Filadélfia, no dia 19 às 22h. O Brasil encerra sua participação na fase de grupos em Miami no dia 24, contra a Escócia, às 19h.
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Cristian Ribera conquistou a primeira medalha da história do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno, no esqui cross-country. Aos 23 anos, ele diz que se tornar atleta foi a melhor escolha da sua vida, após desistir do sonho de voltar a andar. O brasileiro pretende começar a se preparar em breve para as Paralimpíadas de Verão de 2028, competindo no atletismo.
Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão
Cristian Ribera escreveu seu nome na história dos esportes paralímpicos de inverno ao levar o segundo lugar na prova de sprint do esqui cross-country, na categoria para atletas que competem sentados. A modalidade exige um grande esforço físico. Trata-se de uma espécie de maratona na neve, com esquis adaptados e o uso da força nos bastões para ganhar impulso.
“Só nesse ano eu treinei quase 1.500 km a mais do que no ano passado. Então a gente se esforçou muito para chegar aqui e estar nesse patamar. Fiquei muito feliz, muito contente de dizer que eu sou medalhista paralímpico. Realizei meu sonho!”, disse o atleta à RFI após a medalha inédita.
A conquista se soma a outras importantes marcas em sua carreira. No ano passado, Cristian levou o Globo de Cristal ao terminar a temporada como campeão da Copa do Mundo de esqui cross-country paralímpico. “É a junção de várias provas da Copa do Mundo. Eu fui muito consistente, a gente conseguiu fazer um ótimo trabalho durante a temporada toda e isso me deu muita confiança. Os Jogos Paralímpicos são diferentes de tudo, é o maior evento esportivo do mundo. A gente não pode contar com a vitória, mas a gente sonha. Sonha e trabalha muito”, disse.
Atingir um nível como esse era uma aspiração que ele cultivava desde pequeno. Cristian nasceu com uma condição rara chamada artrogripose, que afeta um a cada 3 mil bebês, segundo o Ministério da Saúde do Brasil. No caso dele, a doença afetou as articulações e mobilidade das pernas. “Eu fiz 21 cirurgias até os 11 anos de idade. Passei por vários procedimentos para tentar esticar a perna, para eu voltar a andar. E até então, até os 9 anos, o meu sonho era voltar a andar”, afirmou o atleta.
Desde muito jovem, a família dele o incentivou a se tornar independente com o uso da cadeira de rodas. E o esporte sempre foi a sua válvula de escape. Além das sessões diárias de fisioterapia, Cristian começou a praticar diversas modalidades a partir dos quatro anos, por recomendação médica, e nunca mais parou. Entre elas, natação, basquete, bocha e skate.
“Isso mudou a minha cabeça quando eu entrei no esporte paralímpico e vi mais pessoas iguais a mim fazendo atividades, aproveitando a vida, sendo feliz. O esporte salva vidas e me deixou muito mais independente.”, disse. Foi essa experiência que transformou as perspectivas sobre o que ele queria para o próprio futuro.
“Acho que isso foi mudando minha cabeça até eu decidir realmente desistir do sonho de andar, porque eu preferia a cadeira e sabia que eu era muito mais independente e rápido nela, e que poderia ajudar mais gente na cadeira estando feliz e contente, fazendo esporte. Depois que esse sonho passou, eu decidi que o meu próximo seria virar atleta”, disse.
Do interior de São Paulo para as montanhasCristian é natural de Rondônia, no Norte do Brasil. Ainda bebê, mudou-se com a família para Jundiaí (SP), em busca de tratamento para sua condição. No interior de São Paulo, aos 12 anos, ele teve o primeiro contato com o esqui durante uma apresentação na cidade sobre esportes de neve.
“Foi bem rápido que eu descobri que era bom no esqui e que [isso] mudou minha vida”, disse Cristian Ribera.
Três anos depois, ele já competiria em uma Paralimpíada. Nos Jogos de Inverno de PyeongChang 2018, com apenas 15 anos, Cristian terminou em sexto lugar. Até conquistar a prata em Milão-Cortina, este era o melhor resultado do Brasil em Paralimpíadas de Inverno.
O atleta começou a treinar com o chamado rollerski, um esqui adaptado com rodinhas para pistas de asfalto. Até hoje, ele utiliza o equipamento no Brasil para se preparar para as competições.
“Quando a gente chega na neve, a gente só troca o roller pelo esqui. A gente consegue simular bastante, a técnica é muito parecida. O que muda mais é o impacto do asfalto nos ombros. E a curva, que é o principal, porque quando chega na neve é muito mais sutil do que no roller”, explicou. Outra modalidade também o ajudou nesta prática. “O skate me ensinou a esquiar”, afirma.
Além de Cristian, o esporte faz parte da rotina de toda a família. O irmão, Fábio, é o técnico dele. A irmã mais nova, Eduarda, também competiu no esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. “Minha família é muito competitiva. Minha mãe também treina junto com a gente. É praticamente uma paralimpíada e olimpíada todos os dias. Sempre que a gente sai para treinar é para querer ganhar, evoluir”, disse o atleta.
O sonho das Paralimpíadas de VerãoAlém do esqui cross-country, Cristian também treina para o atletismo e já tem em mente um novo objetivo: os Jogos Paralímpicos de Verão de Los Angeles 2028.
“Em 2024 eu estava tentando a vaga para Paris. Fiquei por 3 a 4 vagas para ser convocado. E é meu sonho também [competir] pelo atletismo. É um dos esportes pelos quais mais me apaixonei quando criança e faço até hoje com muito amor. E em 2028, com fé em Deus, a gente vai estar lá”, afirmou.
É com essa expectativa de continuar realizando novos sonhos que o atleta mantém diariamente a dedicação. “Quem diria que veríamos um brasileiro medalhando no esporte de inverno. Então nada é impossível, com dedicação, com força e muito suor”, conclui Cristian.
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Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Esporte em Foco desta semana conversou com exclusividade com a maior referência feminina brasileira no automobilismo: Bia Figueiredo. A pilota tem uma grande e vitoriosa carreira nas quatro rodas, dentro e fora do Brasil. Na temporada 2026, ela disputa a Copa Truck, tradicional competição brasileira de caminhões, e é inspiração para as mulheres que sonham em trabalhar no automobilismo.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Bia, que já tem título nesta categoria, começou no automobilismo ainda criança. Ela contou que hoje sabe que seu papel nas pistas vai muito além de pilotar em alta velocidade.
“Quando comecei a correr com 8 anos de idade, meu sonho era correr num grande nível profissional. Eu não tinha um grande entendimento desse negócio de ser mulher. Queria ser um grande piloto", lembra.
A pilota ressalta que "no automobilismo, homens e mulheres competem juntos". Durante sua carreira, ela foi "competitiva, na maioria das vezes, desde o kart, vencendo em todas as categorias, disputando o título da Fórmula Renault e andando na frente na Fórmula 3. Nos Estados Unidos, na Indy Light, a gente disputou o título e ficamos em terceiro no campeonato. Eu fui a primeira mulher a ganhar na categoria".
A Fórmula Indy foi a competição mais sofrida "porque a gente andou em equipes pequenas. Depois, mesmo tendo andado na equipe Andretti, as coisas não encaixaram. Cheguei a andar entre os cinco primeiros em São Paulo, mas o bom resultado não aparecia. E mesmo sendo mulher, a gente precisa de bons resultados", conta Bia Figueiredo.
"Depois voltei ao Brasil e disputei a Stock Car. Aí eu fiz uma pausa na minha carreira na pandemia para ter filhos e voltei para acelerar; primeiro de TCR e depois na Copa Truck. Mas só depois de muitos anos nesse esporte é que as pessoas começaram a falar de mim como a primeira mulher que fez isso, fez aquilo… foi aí que eu percebi a dimensão do quanto isso era importante para as mulheres”, completou.
“Quando eu coloco o capacete, eu não penso nisso. Entendo a importância e fico feliz de ter conquistado tudo o que conquistei como piloto e como mulher.”
Projeto "Girls on Track"Atualmente, Bia concilia o trabalho de pilota com uma atividade que não exige velocidade, mas requer talento e competência. A brasileira é a representante para a América do Sul do projeto "Girls on Track" da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que está sediada em Paris.
Bia também foi convidada pelo presidente da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), Giovanni Guerra, a presidir a comissão feminina da entidade.
“Eu me tornei membro da comissão de mulheres da FIA representando a América do Sul, comecei a colocar em prática os projetos do 'Girls on Track' aqui no Brasil e foi um sucesso. A partir daí, o Giovanni Guerra decidiu criar a comissão feminina de automobilismo. Foi quando eu chamei a publicitária Bruna Frazão e a engenheira mecânica Rachel Loh para me ajudar com os projetos. A Bruna saiu no ano passado para focar em outros objetivos. A Rachel continua comigo até hoje liderando a comissão feminina”, explicou.
Bia Figueiredo disse que forma uma parceria com Fabiana Ecclestone, que é vice-presidente da seção para a América do Sul da FIA e esposa de Bernie, ex-proprietário da Fórmula 1.
“Eu tenho, junto com a Fabiana Ecclestone, tentado fazer um trabalho para que outros países da América do Sul criem comissões femininas para conquistarem seus espaços, mas sempre com o apoio das confederações nacionais", afirma.
O objetivo dos projetos "Girls on Track" da FIA e da CBA é inserir cada vez mais mulheres no automobilismo. E tem dado certo.
“Hoje existem vários movimentos legais para trazer as mulheres para o automobilismo. Muitas categorias e até mesmo a própria FIA têm um incentivo muito grande para termos essa equalização para que mais mulheres se interessem pelo esporte a motor. E aí eu vejo nas categorias de base que tem mais meninas começando, existe mais interesse, temos mais meninas para trabalhar no automobilismo, mais seguindo e acompanhando… começando pela Fórmula 1 e chegando a outras categorias. A gente precisa de muito interesse na base para que a gente possa encontrar grandes talentos no automobilismo em várias áreas. Eu até brinco que na minha época, se existisse esse incentivo, eu nem sei como teria sido a minha carreira. Hoje tem muito mais oportunidades do que tive. Eu acho que é um movimento sensacional que só ajuda o aumento de participação”, opinou.
Acostumada a sempre competir contra homens, Bia Figueiredo acredita que a criação da F1 Academy, categoria que reúne um grid formado inteiramente por mulheres, sem a participação de qualquer homem, dá novos estímulos às jovens pilotas.
“O automobilismo não exige força física. É fato que existe um trabalho grande na parte de musculatura para as meninas; o mesmo não ocorre com os meninos. Sei que já corri em alto nível sendo mulher, então eu acho isso possível. Tudo depende de dedicação. Como eu sempre corri com homens, eu acho normal. Mas, por fim, não acho negativo haver uma separação, como acontece na F1 Academy. Esta categoria é hoje uma baita oportunidade para as meninas terem uma chance de competir em alto nível e fazer seus nomes e fama para dar continuidade às suas carreiras. E elas acabam virando referência para jovens meninas. Apesar de tudo isso, na minha opinião, nenhuma menina que hoje está na F1 Academy vai chegar à Fórmula 1 porque não estão preparadas para isso”, afirmou.
Fórmula 1Mas se nenhuma pilota da F1 Academy chegará à categoria máxima do automobilismo, será que alguma brasileira tem chance de brilhar nas pistas nos próximos anos e, quem sabe, um dia estar no grid da Fórmula 1?
“A Vicky Farfus, que é filha do Augusto Farfus, piloto brasileiro que continua brilhando nas pistas europeias. Ela, que é apoiada pela Iron Dames, largou em terceiro no último mundial de kart. Logo no início, jogaram ela para fora. Ela voltou para a pista, veio lá de trás e chegou em quarto lugar. Esse foi o melhor resultado de uma menina no mundial de kart. Para mim, entre as mulheres, é ela quem pode chegar à Fórmula 1”, aposta Bia.
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A brasileira também aposta em uma jovem tcheca, que é filha do finlandês bicampeão mundial de F1 e já integra o programa de jovens talentos da McLaren. “Também tem a Ella, que é filha do Mika Hakkinen. Ela é um supertalento que está andando bem na Europa”, garantiu Bia.
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Com tantos projetos que estimulam a presença e a participação feminina no automobilismo, Bia Figueiredo confia que haverá mais mulheres nos paddocks dos autódromos pelo mundo nos próximos anos.
“Com certeza a presença feminina e o interesse de mulheres no automobilismo aumentou bastante. Hoje quando entro no paddock da Fórmula 1, tem muito mais mulheres trabalhando, organizando e mexendo nos carros. Mesmo que você ainda tenha poucas mulheres no esporte a motor, já ajuda muito outras mulheres a se sentirem mais confortáveis nesse ambiente. Uma menina de 10 ou 12 anos quando entra num boxe de um autódromo e não vê uma mulher, o inconsciente dela diz que aquilo não é para ela porque ali só tem homens. Por outro lado, se ela vê mulheres, já chama atenção e ela pensa: ‘olha que legal, eu posso ser uma engenheira, uma mecânica’. Isso ajuda, a longo prazo, a termos mais mulheres nesse meio e a deixar o ambiente mais aberto para elas”, disse Bia.
A imagem do automobilismo ligada somente a homens já não existe mais e nem dá para ver pelo retrovisor. Lugar de mulher é onde ela determina; inclusive no automobilismo. Torcendo nas arquibancadas ou trabalhando nos boxes e nas pistas.
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A despedida olímpica de Edson Bindilatti, aos 46 anos, foi marcada por emoção e simbolismo nos Jogos de Inverno de Milano-Cortina. Capitão da equipe brasileira de bobsled por mais de duas décadas, o piloto disputou na Itália sua sexta participação olímpica, um feito raro no esporte brasileiro, e confirmou que esta foi sua última presença nos Jogos como atleta.
Luciana Quaresma, especial para RFI
A aposentadoria das pistas olímpicas, no entanto, não significa ruptura com a modalidade que define sua trajetória. Mesmo deixando as competições olímpicas, Bindilatti mantém o foco no futuro do esporte. Ele idealizou um centro de treinamento de bobsled e skeleton em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. O projeto “Sonho Real” prevê a construção de uma pista de largada adaptada, que permite treinos técnicos em solo brasileiro, mesmo sem gelo.
“O projeto surgiu porque eu sempre quis devolver tudo o que o esporte me deu. A gente começou as obras, mas os recursos acabaram. Ainda falta investimento para terminar, mas eu tenho certeza de que vamos conseguir,” afirma o atleta baiano.
Sonho em movimentoO projeto “Sonho Real” prevê a conclusão de uma pista de largada, conhecida como push track, equipada com trilho metálico e trenó adaptado com rodas, permitindo que atletas treinem a fase mais decisiva da prova, a impulsão inicial, mesmo sem gelo. A iniciativa visa suprir uma das principais carências da modalidade em um país sem pistas refrigeradas, oferecendo treinamento técnico contínuo ao longo do ano.
Além da preparação de pilotos e atletas para o alto rendimento, o centro tem vocação formadora e social: Bindilatti pretende revelar novos talentos, ampliar a participação feminina no bobsled e atuar como mentor da próxima geração, transformando a experiência acumulada em seis Olimpíadas em legado permanente para os esportes de inverno no país. O projeto tem caráter duplo: alto rendimento e inclusão social.
“A ideia é formar novos atletas desde a base, criando um caminho estruturado para o desenvolvimento do bobsled no país. O que me move é saber que existe futuro, que existe possibilidade de evolução. Eu quero continuar contribuindo com o meu conhecimento, na parte técnica, física, de pilotagem, para que a gente possa melhorar cada vez mais.”
De pioneiro à consolidação da modalidadeA história de Bindilatti se confunde com a do bobsled brasileiro. Quando iniciou na modalidade, no fim da década de 1990, o cenário era de improviso. Faltavam recursos, estrutura e equipamentos competitivos. “Quando a gente começou era bem difícil. Não tinha material competitivo, não tinha estrutura. A gente veio desbravando, evoluindo”, relembra.
Ao longo das seis participações olímpicas, durante vinte e seis anos, ele acompanhou a transformação gradual do esporte de inverno no país. O que antes dependia de esforço individual e criatividade passou a contar com maior organização, planejamento e suporte institucional.
“Hoje, quando um atleta chega ao bobsled, ele tem tudo em mãos. Não precisa ir atrás de conhecimento, já está tudo perto dele. Isso me deixa muito feliz de ter participado dessa evolução não só do bobsled, mas dos esportes de inverno no geral.”
O peso de competir sem neveRepresentar um país tropical em uma modalidade de gelo nunca foi tarefa simples. O custo elevado dos equipamentos, cotados em moeda estrangeira, e a necessidade de treinar no exterior sempre foram obstáculos adicionais para a equipe brasileira.
“É uma modalidade cara. A gente já sai várias vezes atrás das grandes equipes por conta do valor do dólar e do real”, explica.
Milano-Cortina também ficará marcada pela conquista histórica de Lucas Pinheiro Braathen, que garantiu ao Brasil sua primeira medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno no esqui alpino, um marco para o país e para a América do Sul.
Para Bindilatti, o resultado vai além do pódio“Hoje a gente tem uma medalha olímpica de ouro. Não tenho palavras para agradecer por estar vivendo esse momento”, afirmou. “Isso abre os olhos para futuros patrocinadores e investidores, para que a gente possa trabalhar de uma forma mais direcionada para cada modalidade.” Ele acredita que a conquista tem potencial de transformar o cenário dos esportes de inverno no país.
“Essa medalha histórica mostra que é possível. Agora a gente percebe um olhar mais atento para essas modalidades. Isso fortalece todo o sistema. Acredito que essa visibilidade pode abrir portas para investidores que queiram apostar no esporte de inverno do Brasil.”
Para Bindilatti, o momento atual é de transição e oportunidade. Ele vê uma geração mais preparada chegando e um ambiente mais estruturado para o desenvolvimento técnico.
“Espero que agora a gente consiga trabalhar de forma mais direcionada, com mais subsídios para ensinar melhor e formar atletas não só vencedores no esporte, mas na vida.”
Despedida com reconhecimentoEm Milano-Cortina 2026, a sexta Olimpíada representou o fechamento de um ciclo iniciado há mais de 20 anos. A última descida teve peso simbólico para quem ajudou a colocar o Brasil no mapa do bobsled internacional.
“Representar o meu país é algo muito especial. Eu tive essa oportunidade por cinco vezes e agora tive a chance de representar o Brasil pela sexta vez em Jogos Olímpicos. Poucos atletas tiveram essa possibilidade, ainda mais estando em alta performance”, afirmou.
Segundo ele, a preparação para esta edição teve um significado diferente. “Eu sempre me preparei pensando nos Jogos Olímpicos, mas especificamente para este eu cheguei em uma condição muito melhor, mesmo com 46 anos. Isso prova que a idade é apenas um número.”
Com o desempenho em Cortina, a equipe liderada por Edson Bindilatti encerra a participação olímpica consolidando um processo de amadurecimento técnico e competitivo que vem sendo construído há mais de duas décadas. A 19ª colocação, melhor resultado da história do país na modalidade, simboliza não apenas uma marca numérica, mas o avanço estrutural do bobsled brasileiro no cenário internacional, justamente na despedida olímpica de seu principal pioneiro.
O reconhecimento veio também fora da pista. Na cerimônia de encerramento, em Verona, Bindilatti foi escolhido para carregar a bandeira do Brasil, gesto que sintetiza sua importância histórica para a modalidade.
Se o atleta se despede dos Jogos, o construtor de caminhos permanece ativo. Edson Bindilatti encerra a carreira olímpica após seis participações, mas segue determinado a impulsionar o bobsled brasileiro para além do gelo, agora como mentor e formador das próximas gerações.
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Uma das zagueiras brasileiras mais vitoriosas do futebol feminino, Tarciane tem apenas 22 anos e uma longa carreira pela frente. Apesar de jovem, a jogadora do Lyon já tem uma coleção de títulos. Revelada pelo Fluminense em 2021, Tarciane ganhou destaque com a camisa do Corinthians. No clube paulista, a carioca conquistou quatro campeonatos brasileiros, uma Libertadores e três Supercopas do Brasil.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Depois de uma rápida passagem pelo Houston Dash, dos Estados Unidos, a zagueira foi campeã da Liga Francesa no ano passado pelo Lyon. Na seleção brasileira, conquistou a última edição da Copa América.
Tarciane vai se apresentar nesta semana para a seleção brasileira, que faz uma série de três amistosos contra países do mesmo continente. O primeiro compromisso do Brasil é contra a Costa Rica, em Alajuela, na próxima sexta-feira, 27 de fevereiro. Na sequência, a seleção enfrenta a Venezuela no dia 4 de março e o México no dia 7; estes dois últimos jogos serão em território mexicano.
Em entrevista para a RFI, Tarciane destacou o trabalho que a equipe brasileira tem feito. A zagueira afirmou que o foco é a Copa do Mundo de 2027, que será disputada entre junho e julho do ano que vem, no Brasil. Este mundial reunirá as melhores seleções do planeta e é bem provável que a Espanha, atual campeã, os Estados Unidos, ouro na Olimpíada de Paris, a Inglaterra, a Suécia, a Alemanha e o Canadá disputem a competição.
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"A gente está conseguindo fazer um bom trabalho. Toda a comissão e as atletas abraçam totalmente a ideia de jogo para podermos melhorar até a Copa do Mundo. A gente já passou por um momento especial nos Jogos Olímpicos de Paris. Hoje a gente já entende o que é jogar uma competição de alto nível; sabemos o quanto é importante a parte física para a gente poder estar bem na competição", afirmou.
Com mais de 25 jogos pela seleção, Tarciane pensa grande.
"Mentalmente é importante estarmos trabalhando e jogando com grandes seleções para podermos nos adaptar melhor e chegarmos muito bem na Copa. É um grupo novo e bastante jovem, e certamente vai ter menina que disputará pela primeira vez uma Copa do Mundo. Se eu for convocada, será a minha primeira Copa. Tenho experiência dos Jogos Olímpicos e de outras competições com a seleção. Então, é importante a gente estar pronta para conseguirmos ganhar o mundo; e a gente vai ganhar o mundo", deseja a confiante Tarciane.
Mas a zagueira, que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Paris, não quer saber de oba-oba no Mundial do ano que vem.
"A gente não quer favoritismo. Ainda mais com a Copa do Mundo em casa. A gente quer chegar em silêncio e bem quietinha, fazendo o nosso trabalho e jogando contra as grandes seleções. É isso que a gente quer", disse Tarciane.
"Eu tenho certeza que a seleção brasileira vai chegar muito bem preparada na Copa do Mundo."
"A gente se prepara todos os dias, aprendendo e demonstrando cada vez mais a nossa identidade em campo. Assim, vamos trazer o torcedor brasileiro para o nosso lado. E isso vai fortalecer a gente cada vez mais para jogar uma partida importante no Brasil diante da nossa torcida", falou.
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Mas para continuar a ser lembrada pelo técnico da seleção, Arthur Elias, a zagueira brasileira precisa manter o bom desempenho que tem apresentado com a camisa do Lyon. No clube desde fevereiro do ano passado, Tarciane é titular da zaga do time francês e já marcou três gols – diante do PSG, Nantes e Strasbourg, todos nesta temporada. Mas se ela já está adaptada à equipe francesa, no dia a dia, Tarciane ainda precisa de mais um tempinho.
"A adaptação é difícil. Outra língua, outro idioma… tudo muito diferente, mas a cada dia aprendendo mais um pouquinho. Hoje eu entendo muito mais francês do que quando cheguei aqui (fevereiro de 2025) e agora só falta falar um pouco mais. Acho que isso é a parte mais complicada, mas a adaptação é todos os dias", conta. "É um momento importante de aprendizado."
E como será que ela faz para matar as saudades da família e amigos?
"Sinto saudades de casa; sempre. É difícil porque é muito longe. O Rio de Janeiro e a França são totalmente diferentes. A logística, o horário... Eu pude ir para casa nas férias e aproveitei meus dez dias de folga. É vida de atleta. Eu sabia que isso iria acontecer porque são escolhas que a gente faz na nossa vida. A gente vai matando (a saudade) por telefone e videochamada", explicou a zagueira.
Mesmo em outro continente, Tarciane mostrou que não esqueceu os clubes que defendeu. Será que o coração da zagueira ainda é de braba, apelido dado às jogadoras do Corinthians?
"Ah, sempre vai ser. Foi a segunda equipe que me apresentou para o mundo. A primeira foi o Fluminense e a segunda foi o Corinthians, onde eu pude viver profissionalmente muita coisa. Foi lá que conquistei os melhores troféus que eu tenho. É por isso que eu sempre vou ser uma braba e sempre vou estar na torcida. O Corinthians está no meu coração. Gratidão sempre", disse.
Depois da sequência de amistosos com a seleção atual campeã da Copa América, Tarciane voltará ao Lyon para o campeonato francês. O próximo compromisso do clube é em casa contra Le Havre. O Lyon de Tarciane é o líder invicto da competição com 16 pontos de vantagem sobre o Nantes, que hoje está na vice-liderança.
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O caminho é longo. A contagem regressiva para a Olimpíada de 2028, em Los Angeles, já começou. E para o judô brasileiro, nada melhor do que iniciar essa caminhada com o golpe certo: um ippon, que valeu uma medalha de ouro na primeira competição internacional desta temporada.
Marcio Arruda, da RFI em Paris
Rafaela Silva foi a única atleta brasileira a subir no degrau mais alto do pódio no Grand Slam de Paris. Ela e os 18 judocas do Brasil que disputaram a competição no início deste mês permaneceram na capital francesa para dias de treinamento no Instituto Nacional de Judô, que reuniu a maioria dos atletas estrangeiros presentes no Grand Slam francês.
Uma rotina de treinos pesada, que começou na segunda quinzena de janeiro em Colônia, na Alemanha, na pré-temporada da equipe brasileira. A campeã olímpica Rafaela Silva, que subiu para a categoria até 63 quilos há pouco mais de um ano, se mostrou satisfeita com seu rendimento nesse início de ano.
“Eu acho que foi bom não só por conta da medalha (de ouro). Independentemente do resultado, acho que fiz um bom trabalho lá na Alemanha. Até mesmo antes de eu embarcar para lá e, também, durante a competição. Tudo acabou dando certo porque a gente já vinha treinando antes. Então, eu estou muito satisfeita em conseguir colocar o que sei em prática e aproveitar bastante os treinos na Alemanha; foi um período que eu usei para isso e que acabou dando certo no fim”, avaliou a judoca campeã na Rio-2016.
"É o que se fala: a gente conquista a medalha no treino; na competição, a gente só vai buscar", comenta Rafaela Silva.
Medalha de prata no Grand Slam de Paris no ano passado, Leonardo Gonçalves não passou de uma sétima colocação no torneio de 2026. O judoca da categoria até 100 quilos destacou a importância do período de treinos após a competição francesa.
“Para os pesos mais pesados do Brasil, particularmente, é bem importante porque lá (no Brasil) há carência de material humano. E aqui tem muito. A gente se une aqui e procura aproveitar bastante; não que os mais leves não aproveitem, mas no Brasil tem muito mais (peso) leve. E, por isso, eles conseguem treinar lá e aqui na França. Então, a gente chega aqui, treina e suga ao máximo”, afirmou Leonardo Gonçalves.
A rotina de treinos faz com que Leo Gonçalves esteja sempre se cobrando por melhores resultados nas competições.
“Eu tento me policiar um pouco porque eu me cobro demais. Quando o atleta quer ser o melhor, tem de se cobrar mesmo. Mas é importante cuidar da saúde mental porque, se houver um descontrole, a pessoa acaba ficando bitolada. Às vezes, eu me policio também para dar uma espairecida porque é cobrança o tempo inteiro. Todo mundo te cobra e você não pode deixar de se cobrar", revelou Leo.
"Caminhos que fazem atletas se potencializarem"Treinadora da seleção brasileira, Andrea Berti disse que a confiança que cada atleta tem em seu potencial passa pelo treinamento.
“Os treinos são os caminhos que fazem as atletas potencializar as suas características e conhecer adversárias que nunca tiveram a oportunidade de segurar no kimono. É muito importante porque é um processo que faz com que (o judoca) trabalhe e ganhe confiança para chegar nas competições e fazer acontecer”, explicou a técnica Andrea Berti.
Depois de disputar a medalha de bronze no Grand Slam de Paris na categoria até 90 quilos e terminar na quinta colocação, Guilherme Schimidt falou sobre o ritmo dos treinos com randori, que é o termo dado ao treinamento de luta, como se fosse um sparring.
“Lá em Colônia, como os alemães foram ao Brasil no ano passado e a gente já conhece o pessoal, foi um treinamento com o time alemão. Teve um dia que recebemos a visita de judocas belgas, holandeses e franceses. Mas, basicamente, foram atletas do Brasil e da Alemanha. Foi um treinamento visando às competições internacionais. Teve um volume grande de randori, que é bom para você treinar, pegar no kimono de vários adversários, conhecer diversos estilos e escolas de judô. Aí você vai crescendo no cenário internacional”, contou Guilherme Schimidt.
Assim como Guilherme, Larissa Pimenta também ficou em quinto lugar nesse Grand Slam. A medalhista olímpica da categoria até 52 quilos voltou a disputar uma competição internacional após uma pausa na carreira. Por enquanto, ela nem quer pensar na Olimpíada de Los Angeles, em 2028.
“Eu passei um período muito longo afastada. Eu fiz dois ciclos olímpicos diretos e não tive pausa; e ainda teve a pandemia! Foram anos bem desgastantes. Para muitas pessoas, isso passa despercebido porque só veem a gente na hora da luta. A gente que vive isso todos os dias, em particular para mim, foram anos muito desgastantes; muito difíceis. Agora, eu me sinto em paz, me sinto tranquila. Eu estou vivendo um processo mais leve, mais tranquilo. Na verdade, eu não penso em Los Angeles agora. Eu penso um dia de cada vez, um treino de cada vez, uma competição de cada vez”, revelou Larissa Pimenta, bronze nos Jogos Paris-2024.
Ao contrário de Larissa, Guilherme Schimidt já traçou o caminho até a próxima Olimpíada, que pode ser a primeira dele na categoria até 90 quilos.
“Eu tenho uma margem de evolução muito grande e com certeza chegando em Los Angeles, eu vou estar mais preparado e mais experiente. Eu carrego toda minha experiência de 81 quilos para essa nova categoria. O peso muda, zera os pontos, mas a experiência eu trouxe comigo. Tenho certeza que vou brilhar nessa categoria de cima porque conheço nomes que eram de 81 quilos, subiram e hoje estão entre os melhores; alguns foram até campeões mundiais! Então, eu me vejo muito bem nessa categoria”, previu Guilherme.
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Experiência e liderança de Rafaela SilvaAos 33 anos, Rafaela Silva é uma das mais experientes do grupo. Com humildade, a campeã falou do papel de liderança na seleção brasileira.
“Eu aprendi bastante quando eu cheguei na seleção. Eu era a mais nova e as pessoas me acolheram da melhor maneira possível, me ajudando e me aconselhando. Eu tirava dúvidas com o Thiago Camilo, com a Edinanci, com a Quequinha (Erika Miranda) e todas as meninas mais experientes... até o Mayrão (Mayra Aguiar), que era muito jovem, mas já fazia parte da seleção principal. Então, eu tive essa troca bem bacana com eles e hoje eu só retribuo o que eles fizeram comigo lá atrás. Esse é o bacana do judô: a gente recebe quando é mais nova e, agora, a gente passa isso para as próximas gerações”, lembrou Rafaela.
E com tanta experiencia, será que a Rafaela Silva pode um dia se tornar técnica da seleção?
“Vixe... aí são muitos anos, aí é um passinho de cada vez. Eu espero ainda estar competitiva no ambiente. A gente vai ver como serão os próximos passos. Eu sei que longe do judô eu não vou estar porque eu amo isso aqui”, afirmou a campeã.
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O judô é a modalidade que faturou mais medalhas olímpicas para o Brasil. Das 28 conquistas, cinco são de ouro, quatro de prata e 19 de bronze.
Agora, a seleção brasileira volta aos tatames no final deste mês. O Grand Slam de Tashkent, no Uzbequistão, será disputado nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março. A expectativa, claro, é pela conquista de mais medalhas tanto no masculino quanto no feminino.
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Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 ampliam a presença do Brasil nos esportes de neve. No snowboard halfpipe, Augustinho Teixeira e Pat Burgener representam o país em uma das provas mais técnicas do programa olímpico, historicamente dominada por potências europeias e norte-americanas.
Luciana Quaresma, especial de Milão para a RFI
Ambos nasceram fora do Brasil mas são filhos de mães brasileiras. Construíram carreiras no exterior mas neste ciclo olímpico decidiram defender o país que os conecta às suas origens, traduzindo em esporte uma escolha de identidade e pertencimento.
Vaga olímpica e qualificaçãoPara Augustinho Teixeira, que nasceu em Ushuaia, na Argentina, Milão-Cortina marca a estreia em uma Olimpíada de Inverno. O snowboarder garantiu sua vaga ao somar pontos consistentes no ranking de qualificação, em especial com desempenho na etapa da Copa do Mundo em Laax, na Suíça, onde terminou na 24ª posição, resultado que o manteve dentro das vagas classificatórias para os Jogos.
O jovem atleta, de 20 anos, que começou na neve ainda na infância ao lado da família vê essa qualificação como a consagração de anos de dedicação.
“Estou vivendo algo inimaginável. A classificação para a Olimpíada é a prova de que o esforço, a disciplina e o foco em cada detalhe me trouxeram até aqui”, diz Augustinho, refletindo sobre sua trajetória.
Além de garantir sua participação nos Jogos, Augustinho vem somando experiência em competições internacionais e foi o campeão em uma etapa da Copa Europeia de Snowboard halfpipe em Kitzsteinhorn, na Áustria — um marco importante em sua evolução esportiva.
Medalha histórica e Brasil no pódioSe Augustinho entra em Milão-Cortina fazendo sua estreia olímpica, Pat Burgener chega com um capítulo esportivo já escrito em grandes palcos internacionais. Nascido na Suíça e filho de mãe brasileira, Pat, de 31 anos disputou duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos de Inverno — em PyeongChang 2018 (5º lugar) e Pequim 2022 (11º lugar), representando o país europeu antes de optar por competir pelo Brasil no ciclo 2025/2026.
A temporada antes da Olimpíada já trouxe um momento histórico: Pat Burgener conquistou a primeira medalha da história do Brasil na Copa do Mundo de snowboard halfpipe, ao levar o bronze na etapa de Calgary, no Canadá, em janeiro deste ano. O resultado marcou não apenas o melhor desempenho brasileiro na modalidade, mas também consolidou Burgener como uma das principais esperanças para Milão-Cortina.
“Foi uma sensação incrível. Saber que meu nome entrou na história do esporte brasileiro, colocando o país no pódio pela primeira vez na Copa do Mundo de halfpipe, é algo que vai comigo para os Jogos”, comenta Pat.
Essa conquista veio após um início de temporada promissor, que incluiu um quarto lugar em Secret Garden, na China, outro resultado destacado antes de Calgary.
Identidade, cultura e escolha conscientePara Augustinho, competir por uma bandeira que carrega simbolismo familiar é mais do que representar um país em uma competição: é traduzir uma história de vida.
“O Brasil sempre foi parte da minha história, mesmo morando fora. Representar o país da minha mãe e levar essa bandeira ao halfpipe é algo que me enche de orgulho e responsabilidade”, ele afirma.
Esse sentimento de conexão se reflete não apenas no patriotismo esportivo, mas na forma como ele vê seu papel dentro e fora da pista, como referência e inspiração para novos praticantes brasileiros de snowboard.
Pat, por sua vez, reforça a ideia de que a escolha de representar o Brasil é também uma forma de expandir horizontes e criar novas possibilidades para a modalidade.
“Defender o Brasil no snowboard é mais do que uma mudança de nacionalidade. É trazer visibilidade para um país que não é tradicional nos esportes de inverno e mostrar que aqui também pode haver espaço e oportunidades”, diz ele, ressaltando o apoio que tem recebido tanto da família quanto da federação brasileira.
Snowboard brasileiro em focoEm Milão-Cortina 2026, Augustinho Teixeira e Pat Burgener não apenas competem nas pistas de neve, mas representam duas trajetórias que se cruzam sob a mesma bandeira e com propósitos que vão além dos resultados individuais.
Unidos pelo mesmo objetivo de colocar o Brasil cada vez mais presente no cenário internacional do snowboard, eles mostram que a presença verde e amarela também pode ganhar espaço nas montanhas cobertas de neve, inspirando uma nova geração de atletas e fãs no país.
- Visa fler