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  • No passado mês de Abril, uma editora discográfica francesa, a "Hot Mule", editou um disco que é uma compilação das canções da lenda da música de Guiné-Bissau José Carlos Schwarz. Intitulado "Lua Ki Di Nos", este trabalho editado em vinil mas também disponível online, é um retrato e uma homenagem a este artista ligado à época da luta anticolonial, nos anos 70.

    Poeta e musico, autor de canções denunciando a opressão ao mesmo tempo que dignificavam as sonoridades tradicionais da Guiné-Bissau, no seio do grupo "Cobiana Djazz" e a solo, José Carlos Schwarz chegou a ser torturado e estar preso nos primórdios da década de 70 devido ao seu envolvimento político.

    Após 1973, ano em que é proclamada a independência da Guiné-Bissau, José Carlos Schwarz torna-se director do departamento de artes e cultura do seu país, tendo igualmente a seu cargo o pelouro da infância na Guiné-Bissau. Um percurso promissor que acaba muito cedo, aos 27 anos, em Maio de 1977, num acidente de aviação em Havana, pouco depois de ser nomeado diplomata na Embaixada do seu país em Cuba.

    Dele restam contudo músicas que nunca perderam o seu simbolismo nem o seu encanto e que hoje, mais de 40 anos depois, são dadas a conhecer e reconhecer por Louis Hautemulle, fundador da entidade que reedita a obra de José Carlos Schwarz, depois de literalmente sentir "amor à primeira vista". Conversamos com ele e também com um dos filhos do artista, Remna Schwarz que é também músico. Ambos evocaram esta figura maior da cultura da Guiné-Bissau.


  • A pandemia de Covid-19 tem complicado a promoção da cultura e dificultado a publicação de obras, visto que as livrarias estiveram fechadas durante vários meses.

    No entanto, as editoras continuam a apostar em obras que acreditam que podem ter sucesso, é o caso do livro do jornalista e escritor francês Régis Dupont.

    O jornalista, que escreve sobretudo para o único diário desportivo em França, L’Équipe, decidiu dedicar uma obra a Cristiano Ronaldo, a estrela do futebol português e mundial.

    «Cem e uma vezes Ronaldo», em francês «101 fois Ronaldo». O título do livro faz referência, na altura do trabalho de escrita, ao número de golos que tinha Cristiano Ronaldo com a Selecção Portuguesa, desde então já tem 103.

    Régis Dupont segue há anos a Selecção Portuguesa e foi o primeiro gaulês a realizar uma entrevista de CR7 quando ele estava em território luso, no Sporting Clube de Portugal, em 2002.

    O jornalista e escritor francês explicou-nos as razões que o levaram a escrever o livro e que vão suscitar o interesse dos leitores na compra da obra.

    Régis Dupont, jornalista francês no diário L’Équipe, escreveu o livro «Cem e uma vezes Ronaldo» nas edições Solar.

    Em entrevista à RFI, Régis Dupont não tem dúvidas que o melhor jogador português de todos os tempos é Cristiano Ronaldo.

    Recorde-se que Cristiano Ronaldo venceu cinco vezes a Liga dos Campeões e arrecadou cinco vezes a Bola de Ouro, ele que foi formado no Sporting Clube de Portugal, passou pelo Manchester United e pelo Real Madrid, e está actualmente na Juventus em Itália. 

    O internacional português também já alcançou dois troféus com Portugal, o Europeu em 2016 em França, e a Liga das Nações europeias em Portugal em 2019.

     

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  • A exposição “L'imparfait et l'Impératif” do artista plástico guineense, Nú Barreto, está patente na galeria Nathalie Obadia, em Paris, até ao dia 22 de Maio. 

    A mostra é composta por várias obras, mas a atenção recai sobre o políptico de 42 desenhos em papel reciclado. Traços vivos, demonstrações gráficas, colagens e sobreposições que convivem com homens acrobatas, objectos invertidos e fechados em garrafas. Traços diários que pretendem exprimir o sofrimento do povo africano e resumir os efeitos da pandemia na vida de um artista confinado. 


  • 27 anos após o início do genocídio no Ruanda, a França abriu ao público os arquivos relativos à situação ruandesa entre 1990 e 1994.

    São arquivos da altura do ex-Presidente francês François Mitterrand e também do seu então primeiro-ministro, Edouard Balladur.

    Documentos que serviram de base a um relatório sobre o papel de França no Ruanda entre 1990 e 1994, apresentado por uma comissão de historiadores no final de Março, o relatório Duclert.

    27 anos após o início do genocídio, o secretário-geral nas Nações Unidas lembrou que é preciso garantir que as lições do genocídio no Ruanda foram aprendidas e que a história não se repete.

    António Guterres acrescentou que "aqueles dias de 1994 permanecem na consciência colectiva entre os mais horríveis da história humana recente".

    Para Innocent Niyonsenga, ruandês que chegou em 2012 a Portugal com o estatuto de refugiado político e desde Junho de 2020 cidadão português, o relatório Duclert e a abertura dos arquivos relativos à situação ruandesa são passos de “um longo caminho ainda a percorrer” sobre um dos piores assassinos étnicos da história recente.

    O genocídio ruandês teve início a 7 de Abril de 1994 e causou a morte de cerca de 800.000 Tutsis e Hutus moderados em cerca de cem dias.


  • A pandemia de Covid-19 tem dificultado a vida de vários sectores da sociedade. Em França, a cultura e a restauração têm sofrido com o encerramento das respectivas actividades, que no espaço de um ano abriram apenas pouco mais de quatro meses.

    Foram os últimos a abrir, e os primeiros a fechar, estas indecisões acabaram por dificultar a vida de todas as pessoas ligadas a esses sectores. Restaurantes e salas de teatro que fecharam definitivamente, empregados e artistas que mudam de actividade para ter um salário digno ao fim do mês, eis as problemáticas encontradas por este segmento da população.

    José Cruz, humorista franco-português, que passava a maioria do tempo em palco, quase não trabalhou durante o último ano, beneficiando de poucas ajudas.

    Na continuidade do seu trabalho humorístico, que já tinha uma extensão com os vídeos difundidos no Youtube, José Cruz decidiu lançar-se na moda, no vestuário, com a mesma ideia de sempre, a dupla cultura que liga a França e Portugal. A marca por isso chama-se «Frantugais», uma mistura em francês das palavras francês e português.

    José Cruz, em entrevista à RFI, admitiu que a situação está complicada em França, acreditando que nada vai mudar realmente para a cultura durante o mês de Maio, e revelando-nos o porquê desta aposta num sector completamente diferente.

    José Cruz, humorista e fundador da marca «Frantugais», para além das suas actividades também vai publicar um livro, tentando abranger várias vertentes para alcançar uma vida digna e motivada não apenas pelo dinheiro mas também pela cultura na sua essência, ou seja aprender e divulgar conhecimentos.

     


  • Em França até ao final de 2021, os franceses deverão efectuar poupanças recorde, no valor de 200 mil milhões de euros, o que equivale a 8% do PIB e é o dobro do plano do Estado para relançar a economia devido à pandemia da Covid-19. Tal revela sentimentos de medo, precaução e incerteza face ao futuro, mas também do aumento das desigualdades, dado que 20% dos mais ricos detêm 70% das poupanças, enquanto 20% da população mais pobre, se individou desde março 2020. Oiça a análise de Carlos Vinhas Pereira, professor de economia na Universidade Paris-Dauphine.


  • Acaba de nascer o projecto Mapas do Confinamento, uma plataforma online que visa construir uma cartografia literária do confinamento e da pandemia no mundo lusófono. A língua portuguesa é o denominador comum destes escritores e artistas mas o projecto vai mais longe e apresenta-se também em inglês e em francês.

    Afonso Cruz, Richard Zimler, Agnaldo Bata, Ondjaki, Nara Vidal, Emílio Tavares Lima e Hirondina Joshua, são alguns dos participantes deste colectivo lusófono pluricontinental.

    Gabriela Ruivo Trindade, escritora portuguesa radicada em Londres, e Nuno Gomes Garcia, escritor portugues residente em Paris, são os dois nomes que estão na origem do Mapas do Confinamento.

    Confira aqui.

     


  • Os teatros estão fechados, mas a dança não pára. Ensaios, criações e residências artísticas têm preenchido o tempo e o ânimo dos bailarinos que a pandemia quis imobilizar. Os bastidores dos espectáculos são feitos de espera e de esperança em dias melhores. Nesta entrevista, fomos ouvir Fábio Lopez, director artístico e coreógrafo residente da “Compagnie Illicite Bayonne”, em França.


  • A França escolheu apresentar a candidatura da baguete a património cultural imaterial da UNESCO. Símbolo de Paris e de França, a famosa baguete, de forma alongada, miolo tenro e côdea estaladiça, é conhecida no mundo inteiro. Em França, comem-se cerca de 30 milhões de baguetes por dia e é o pão oficial dos Presidentes da República. António e Anthony Teixeira, pai e filho, venceram os prémios de “Melhor Baguete de Paris” em 1998 e em 2014, algo que lhes abriu as portas do Eliseu. Jacques Chirac, François Hollande e até a Rainha de Inglaterra provaram as suas baguetes. 

    Nesta reportagem venha conhecer - em português - os segredos da baguete francesa. Prepare-se para "ouvir o barulho da baguete a cantar..."

     

     


  • Confinamentos locais em França nos Alpes Marítimos, no Sudeste, e em Dunkerque, no Norte, recolher obrigatório no resto do território, restaurantes e recintos culturais fechados, mercados abertos, desporto amador suspenso, e modalidades profissionais em acção. As desigualdades parecem ser cada vez mais visíveis em 2021, visto que no ano passado o Governo francês tinha tomado a mesma decisão para toda a população, confinamento total sem excepções. 

    No desporto, as modalidades profissionais continuam como o futebol, o andebol, o voleibol ou ainda o ciclismo, mas a parte amadora dessas mesmas modalidades está suspensa. Os atletas começam a revoltar-se visto que muitos vivem das suas profissões desportivas apesar de não serem oficialmente profissionais.

    O desporto amador francês está cada vez mais em risco e alguns clubes poderão fechar ou até ter de despedir quer atletas quer empregados administrativos.

    Valter Viegas, defesa português do US Lusitanos de Saint-Maur, não percebe as decisões tomadas entre uma retoma anunciada e uma nova suspensa para o quarto escalão masculino e a segunda divisão feminina de futebol.

    O desporto profissional quanto a ele prossegue, sendo que a prova ciclista francesa Paris-Nice está a atravessar neste momento o país, da Região Parisiense até à cidade de Nice, com chegada no domingo, fim-de-semana de confinamento na cidade. 

    Para evitar o contágio da ‘caravana’, os contactos entre os ciclistas e o público estão totalmente proibidos e a organização incita os espectadores a não estarem presentes na berma da estrada.

    Rui Costa, ciclista português de 34 anos, admitiu que sem público, o espectáculo não é o mesmo.

    Rui Oliveira, ciclista luso de 24 anos, espera que as coisas possam regressar à normalidade muito em breve, porque ter público na berma da estrada, mesmo sendo escasso neste momento, é importante.

    No voleibol, Francisco Pombeiro, atleta do Martigues, que está na segunda divisão masculina, esperava ver o ambiente nos pavilhões francesas, no entanto terá de ter paciência até o regresso do público.

    A situação sanitária em França continua estável e dramática com uma média de 300 mortos por dia, sendo que já faleceram mais de 89 mil pessoas devido à pandemia de Covid-19.


  • A Cidade Universitária de Paris resiste e adaptou-se à pandemia. Num espaço a céu aberto encontramos 43 casas, de países diferentes, que acolhem cerca de 8.000 estudantes do mundo inteiro.

    Entre as 43 residências dirigimo-nos à Casa de Portugal André Gouveia, que conta hoje com cerca de 200 residentes. Maria Serralha, 25 anos, é engenheira informática e vive na Cidade Universitária há um ano e explica-nos a sua experiência atribulada pela epidemia da Covid-19.

    Na Casa de Portugal encontrámos ainda José Mateus, estudante de medicina, 23 anos, chegou à cidade universitária há um mês. Viveu o primeiro confinamento em Portugal e descreve-nos as dificuldades de estudar à distância.

    No último ano, mais de 30% dos estudantes universitários pediram ajuda a células de apoio psicológico em França. A directora da Casa de Portugal e também vice- Presidente da Cidade Universitária, Ana Paixão, descreve-nos como se organizaram estes apoios.

    Em Janeiro de 2021, o governo francês anunciou refeições a um euro para estudantes nas cantinas universitárias. "Um apoio importante para os estudantes", sublinha Ana Paixão.

    Apesar do contexto sanitário, os residentes da Cidade Universitária de Paris salvaguardam o ideal da criação da Cité, em 1925, que consegue resistir à Pandemia sob um modelo de mundo em Paz.


  • Para travar o aumento de incidência de infecções de Covid-19, o governo francês vai aplicar confinamentos locais no distrito dos Alpes Marítimos e em Dunquerque.

    A França registou nas últimas 24 horas 31.519 novos casos, o número mais elevado de novas contaminações desde Novembro. O governo aplicou novas medidas restritivas na região norte e sul do país para conter a pandemia.

    Número de casos de Covid-19 no norte de França, em Dunquerque, ultrapassa os 900 por 100 mil habitantes e as infecções com origem na variante do Reino Unido já somam quase 50% dos novos casos. A cidade de Nice, no sul de França, também assiste a um aumento da taxa de Covid-19 com 740 novos casos por semana por cada 100 mil habitantes.

    Segundo Gabriel Attal, porta-voz do executivo francês, estes confinamentos locais são “medidas fortes” para evitar um novo confinamento nacional. Ainda segundo o governo, a situação epidémica é preocupante em cerca de 10 departamentos, incluindo a região parisiense.

    O presidente da Câmara de Nice, Christian Estrosi, pediu aos turistas que não visitem a cidade nas próximas semanas e anunciou a implantação de um confinamento aos fins-de-semana, durante duas semanas, para combater o aumento de casos da Covid-19.

    Esta medida veio cancelar a procura de turistas lembra Luís Ribeiro. O gestor de alugueres sazonais no departamento dos Alpes Marítimos considera que o problema não se resolve em duas semanas.


  • A Alta Autoridade francesa para a Saúde deu luz verde para a utilização dos testes de saliva na despistagem massiva de Covid-19. Uma etapa crucial que poderá ajudar o país a controlar melhor os casos de infecção do novo coronavírus, uma vez que oferece mais uma possibilidade para aqueles que recusavam fazer o teste por via nasal. Diana Couto, farmacêutica portuguesa a trabalhar na região de Paris, reconhece que os testes de saliva podem simplificar o diagnóstico de casos positivos de Covid-19. 


  • Frágeis, delicadas e efémeras. As flores resistem às modas e atravessam os séculos. Durante a pandemia de Covid-19 foram consideradas "essenciais" em França e os floristas puderam manter as lojas abertas. Daniel Ribeiro conseguiu mesmo abrir uma segunda loja em Paris em plena crise sanitária. Das orquídeas cor-de-rosa de Neymar, à encenação de uma selva numa sala setecentista do Palácio de Vaux-Le-Vicomte, passando pela decoração floral no Palácio de Versalhes ou num mega-casamento na Índia, Daniel Ribeiro contou-nos um pouco da sua história de "amor pela perfeição" com as flores.

     

    Frágeis, delicadas e efémeras. As flores resistem às modas e atravessam os séculos. Durante a pandemia de Covid-19 foram consideradas essenciais em França e os floristas puderam manter as lojas abertas. Daniel Ribeiro, de 33 anos, conseguiu abrir uma segunda loja em Paris em plena crise sanitária. O lusodescendente cultiva o que chama de “amor pela perfeição”, um amor que investe tanto na composição de um “simples” ramo campestre quanto na decoração floral de grandes eventos no mundo do luxo, seja no Palácio de Versalhes, no Museu do Louvre, na Opera de Paris ou até no estádio de futebol do Paris Saint-Germain. Para tentar perceber porque é que hoje mais do que nunca as flores são tão importantes, fomos ao número 35 da Rua Condorcet, no nono bairro de Paris, onde Daniel Ribeiro nos recebeu numa das suas lojas Adonis Fleurs.

    Das orquídeas cor-de-rosa de Neymar, à encenação de uma selva numa sala setecentista do Palácio de Vaux-Le-Vicomte, Daniel Ribeiro, o jovem que comprou a primeira loja de flores aos 21 anos em Paris e que abriu a segunda em plena pandemia de Covid-19, aposta agora mais do que nunca no comércio de proximidade e espera continuar a levar aromas e cores para as casas dos seus clientes.

     

     


  • Na recta final do primeiro mês de 2021 chegou às livrarias francesas a obra “Lazare”. A edição francesa do livro “Evangelho Segundo Lázaro” do escritor luso-americano Richard Zimler. A história sobre a amizade entre Lázaro e Jesus. 

    Um livro contado pela mão de Lázaro, o escolhido, o único homem a regressar da morte, graças ao seu amigo amado Jesus, aqui Yeshua ben Yosef. 

    Richard Zimler guardou os nomes em hebraico para devolver a Jesus e a Lázaro o judaísmo e libertá-los de toda a iconografia cristã.

    Uma história de amor, do amor entre estes dois amigos de infância, mas também uma história de dor, a intensidade da dor de Lázaro na crucificação de Jesus. Aqui, o autor assume as emoções como autobiográficas, o paralelismo com a morte do seu irmão Jerry, aos 30 anos, vítima de Sida.

    Lazare é uma obra complexa e intensa de Richard Zimler que chegou agora às livrarias francesas, numa tradução de Sophie Bastide-Foltz.


  • O Tribunal Arbitral da Câmara de Comércio Internacional, com sede em Paris, rejeitou a 26 de janeiro, o recurso apresentado pela Vidatel, empresa através da qual Isabel dos Santos detinha 25% da Unitel, condenada a pagar à PT Ventures, entretanto adquirida pela Sonangol, 339,4 milhões de dólares, acrescidos de 364 mil euros por despesas judiciais.

    A jornalista Estelle Maussion, autora do livro "La dos Santos Company - O domínio de Angola", publicado em França em outubro de 2019 e em Portugal em fevereiro de 2020, que segue este processo, admite que poderá haver contestação desta sentença.

    A empresa Vidatel, de Isabel dos Santos, filha mais velha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, foi condenada a 26 de janeiro, pelo Tribunal Arbitral da Câmara de Comércio Internacional, com sede em Paris, a pagar 339,4 milhões de dólares, acrescidos de 364 mil dólares de compensação pelas despesas judicais, no âmbito do recurso em relação ao processo intentado pela portuguesa PT Ventures, filial da brasileira OI - cuja parte na Unitel foi adquirida pela Sonangol em finais de 2020, passando assim a petrolífera estatal angolana a deter 50% do capital da Unitel. 

    O processo contra a Unitel que começou em 2014 e em 2015 transitou para a sede parisiense da Câmara de Comércio Internacional, foi intentado pela PT Venture, em nome da brasileira OI (um dos quatro accionistas da Unitel) por má gestão, retenção de dividendos desde 2011, com a reclamação de uma indemnização de 2,8 mil milhões de dólares, correspodentes a mais de 600 milhões de dólares de dividendos não distribuidos e ao valor da participação da PT Ventures, entretanto adquirida pela Sonangol. 

    Até janeiro 2020 a Unitel pertencia a quatro accionistas com 25% cada um: a Vidatel de Isabel dos Santos, a Geni do general Leopoldino do Nascimento "Dino", a PT Ventures e a Sonangol (através da Mercury) que desde então detém 50% do capital da Unitel.

    O recurso, agora indeferido pela justiça francesa, foi apresentado, depois de a 20 de fevereiro de 2019, a Câmara de Comércio Internacional ter condenado a Vidatel - empresa registada nas Ilhas Virgens (através da qual Isabel dos Santos detém 25% da Unitel) e os seus três co-accionistas na Unitel, a pagar à PT Ventures mais de 600 milhões de dólares, sentença da qual os advogados de Isabel dos Santos e da Vidatel pediram a anulação.

    Isabel dos Santos não regressou a Angola desde 2018 e em dezembro de 2019, a justiça angolana decretou o arresto do património de Isabel dos Santos e do seu marido Sindika Dokolo, que por ricochete também o foram em Portugal e em janeiro de 2020 o PGR de Angola Helder Pitta Grós acusou formalmente Isabel dos Santos de lavagem de dinheiro e de corrupção e foram instaurados contra ela processos de natureza cível e criminal, nos quais o Estado reivindica mais de 5 mil milhões de dólares de perdas.

     


  • Em França a 16 de janeiro, duas feministas lançaram o #metooincest,10 dias depois da publicação do livro "La Familia Grande" de Camille Kouchner, cujo irmão gémeo foi violado aos 14 anos pelo seu padrasto, o politólogo Olivier Duhamel. Desde então milhares de tweets denunciam violações sexuais sofridas na infância em França, onde os crimes sexuais com menores de 15 anos já são punidos. Mas o fracasso das políticas francesas neste sentido é uma constatação, cuja solução é a prevenção pela formação, defende Luísa Semedo, filósofa portuguesa de origem caboverdiana, residente em França.

    Em França uma sondagem do instituto Ipsos efectuada em 2020 revela que 1 em cada 10 franceses foi vítima de incesto na infância em todas as clases sociais, o equivalente a 6,7 milhões de vítimas, das quais 78% foram meninas com idades entre os 5,10 e15 anos, enquanto 96% dos agressores foram homens, na sua maioria oriundos do círculo familiar próximo, pai, avô, irmão, tio, primo.

    A lei francesa pune relações sexuais com menores de 15 anos, com penas de entre 7 e 20 anos de prisão, acrescidas de multas entre 100.000 a 150.000 euros, dependendo da polémica questão do consentimento ou não da vítima.

    Assim, as penas incorridas para os ataques sexuais são de 7 anos prisão, de 10 anos por agressão sexual quando sem penetração e com consentimento da vítima e de 20 anos de prisão quando o crime é praticado com pnetração, mas sem o consentimento da vítima.

    Em 2018 a prescrição deste tipo de crimes passou de 20 para 30 anos após a maioridade das vítimas, uma questão que divide a sociedade francesa. 

    Adrien Taquet, secretário de Estado para a infância, que qualificou o incesto de "crime sem cadàver", quer reforçar criminalização do incesto, na base de uma proposta da deputada LREM Alexandra Louis e Brigitte Macron, a esposa do Presidente, também apelou à reforma da justiça para lutar contra o incesto.

     


  • O Governo francês não abre mão. Até, pelo menos, meados de Fevereiro, mantêm-se encerrados os restaurantes, os bares, os cinemas, os teatros e fica suspensa também a prática desportiva em recintos fechados entre outras actividades culturais e desportivas.

    Esta decisão prende-se com o elevado número de casos positivos e de mortos de Covid-19. Desde o segundo confinamento em França, rara foi a vez em que o número de casos esteve abaixo dos 5 mil, valor de referência do Presidente Emmanuel Macron para reabrir todas as lojas e actividades. O número de mortos também esteve sempre acima dos 100 diários.

    O culpado ideal desde Março, o sector que fecha o mais rapidamente quando o número de infectados aumenta, é a restauração. 

    Apesar das ajudas do Estado e de uma actividade mínima para entregas ou de comida para levar, não é raro ver um restaurante ou um bar fechar definitivamente ou declarar falência nestas últimas semanas. Encargos fixos, créditos bancários em curso ou ainda o pagamento de rendas são os factores que levam muitos empresários a desistir.

    No entanto, neste mar de dificuldades diárias, alguns empresários atrevem-se em apostar no arranque de um projecto na restauração. Na Região Parisiense, dois empresários pretendem abrir um restaurante em Limeil-Brévannes, o «Bretelles Blanches».

    O Chefe deste estabelecimento será Rui Cardoso, inactivo há praticamente um ano. Após ter ficado desempregado, na sequência da falência do restaurante em que trabalhava, o cozinheiro português está no fundo de desemprego e só espera pela luz verde do Governo para começar a cozinhar.

    Em entrevista à RFI, o Chefe Rui Cardoso explicou-nos o projecto arrojado com que deve iniciar em 2021, abordando também a actual conjuntura que, no seu entender, deverá manter-se pelo menos até Março, no melhor dos casos.

    A 20 de Janeiro o Governo do Primeiro-Ministro francês Jean Castex vai novamente abordar a situação sanitária e as novas medidas a adoptar: um abrandamento das medidas ou ainda novas restrições. Por ora os restaurantes estão encerrados ao público, funcionando apenas em «take-away» ou por entregas.

    Chegamos assim ao fim deste Magazine «Vida em França».


  • “A presença francesa é fundamental” no Sahel porque as forças locais não têm capacidades para conter o terrorismo na região, considera o investigador moçambicano Régio Conrado. Em causa, as declarações da ministra francesa da Defesa, Florence Parly, que admitiu uma redução “muito provável” de tropas da operação Barkhane. A França pode e deve retirar-se do Sahel? As respostas com Régio Conrado neste programa.

     

     


  • Activistas da diáspora angolana em França manifestaram no sábado junto à Embaixada de Angola em Paris para criticar a situação económica, contestar a morte do jovem Inocêncio Matos e pedir direito de voto para a diáspora.

    A diáspora angolana em França está solidária com a situação em Angola. Activistas explicam que as famílias pedem com frenquência ajuda, por não terem emprego, descreve Emanwell Mayassi, organizador do protesto de sábado passado junto à Embaixada angolana em Paris.

    Muitos emigrantes angolanos lembraram que a situação económica no país os obrigou a sair do país, perdendo direito de participar na vida política do país. Por isso, lançaram uma petição para exigir o direito de voto de votos nas eleições autárquicas que se deveriam realizar em 2021 e nas eleições gerais em 2022. 

    Wilcar Cláudio, vive há três anos em Paris, quis fugir da miséria no seu país. "O povo angolano foi reduzido de pobre para miserável. Todos os dias há 45 crianças que morrem de fome, são muitas mortes e o sistema do MPLA mata mais angolanos. Sou activista, sou perseguido por mostrara a verdade aos menos esclarecidos", descreveu.

    "João Lourenço governe para todos", "Angola é de todos. Não é propriedade privada do MPLA", "A diáspora angolana quer o direito de voto porque fora de Angola continuamos a ser angolanos" ou ainda "Até quando as injustiças em Angola?", eram algumas frases que se podiam ler nos cartazes levantados na Avenida Foch, na capital francesa.